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O CFO do futuro será um estrategista

Ernesto Schlesinger é CFO e diretor de impostos na Logicalis Brasil Ernesto Schlesinger é CFO e diretor de impostos na Logicalis Brasil

Na prática, muitos diretores financeiros já atuam como o “segundo homem” dentro das empresas, ficando muito próximos do diretor executivo (CEO)

(*) Ernesto Schlesinger

 

Se no passado recente o diretor de finanças (CFO) de uma companhia tinha um perfil controlador e um tanto burocrático, mais voltado para análise de balanço, hoje ele passa por uma transformação em vários mercados, inclusive no Brasil, ganhando um caráter mais estratégico, como um verdadeiro parceiro de negócio. Na prática, muitos diretores financeiros já atuam como o “segundo homem” dentro das empresas, ficando muito próximos do diretor executivo (CEO).

 Esta mudança ficou evidente de forma mais nítida nos últimos cinco anos, fruto de um movimento natural do mercado, e ganhou força em meio à crise econômica, quando a área financeira se tornou mais vital dentro das empresas. Aos poucos, este profissional deixou de ficar a cargo somente da parte financeira da companhia, ganhando responsabilidade também sobre questões estratégicas.

 Um exemplo disso, na minha própria vivência profissional, é que tenho participado cada vez mais de reuniões com presidentes de empresas clientes, acompanhando o CEO da empresa em que trabalho. É muito comum que os clientes também levem seus diretores financeiros a estes encontros.

 Como diretor financeiro, não me restrinjo a planilhas, mas estou em negociação direta com o cliente, participando de processos de tomada de decisão.

 Envolvido nos grandes temas da companhia, o CFO de hoje trabalha como se fosse o navegador de um barco, prevendo tempestades ou céu aberto, e seu peso na estratégia da empresa é crescente.

 Esta mudança de perfil tem exigido novas competências de quem atua na área. A principal delas é a necessidade de ser um profissional habilidoso nas relações humanas, com a capacidade de conciliar lados divergentes dentro da empresa e de ser um bom negociador. Competências essas inimagináveis até pouco tempo para um profissional da área financeira.

 Já não é possível ser um profissional unilateral ou rígido, pois é preciso ser um verdadeiro influenciador de pessoas. Embora este traço de liderança seja cada vez mais importante, ainda é difícil encontrar profissionais que se enquadrem porque a formação da área de finanças é bastante técnica.

 Para suprir esta demanda, cabe a cada executivo buscar se desenvolver de forma prática, por meio de vivências que o exponham a situações de crescimento. Buscar desenvolver estas competências por meio de cursos ou formação acadêmica não é a melhor maneira, embora possa ajudar a construir um melhor currículo. É preciso dar a “cara a tapa”, como diriam os mais experientes.

 O sucesso de cada um vai depender do seu nível de curiosidade e capacidade de adaptação. Quanto mais o profissional participar de negociações com clientes ou da estratégia de longo prazo da companhia, melhor.

 Neste sentido, profissionais mais jovens podem sair ganhando pela maior curiosidade, porém tendem a perder pelo seu maior imediatismo. Os mais seniores, por sua vez, se destacam pela maior experiência, mas podem ser menos abertos às mudanças exigidas pelo mercado. De forma geral, uma característica importante para o CFO do futuro é a resiliência, ou seja, a capacidade de aprender com os desafios, e não sofrer ou desistir com eles.

 Ao contrário de outras áreas dos negócios que foram impactadas pelo avanço da tecnologia, a área financeira continua a ser muito ligada à análise das informações, e por isso não existe muito espaço para que ela passe por uma automatização expressiva.

 O futurismo, aqui, responde pelo crescente foco em estratégia, e o CFO do futuro será quem melhor se enquadrar neste papel de estrategista.

 

 (*) CFO e diretor de impostos na Logicalis Brasil.

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