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Como os sistemas de monitoramento de transações estão falhando com os Mirror Trades

Jim Burnick, diretor de Serviços Financeiros da Pitney Bowes Jim Burnick, diretor de Serviços Financeiros da Pitney Bowes

Grandes transações, especialmente as internacionais e com moedas diferentes, deveriam sempre receber uma alta prioridade no trabalho de gestão

Jim Burnick (*)

Fora do segmento bancário, a maioria das pessoas provavelmente nunca escutou o termo “mirror trades”, mas no mês passado o Deutsche Bank ganhou as manchetes, dando destaque para os mirror trades e fazendo com que outras instituições financeiras (FIs, na sigla em inglês) reconsiderassem a eficiência de seus sistemas de monitoramento de transações (TMSs, na sigla em inglês).

Mirror trading, ou copy trading, ocorre quando da compra e venda das mesmas ações ao portador, sendo uma transação logo após a outra. As instituições financeiras têm feito mirror trades legais há anos na esperança de lucrar, normalmente uma garantia se os negócios forem feitos em duas moedas diferentes (prática também conhecida como monetização da moeda), que foi o caso do Deutsche Bank.

À primeira vista, não fica claro por que os mirror trades são considerados “ruins”, ou por que as FIs que usam desta prática podem estar sujeitas a multas de milhões de dólares. Para o negociante ganancioso, é uma maneira rápida (ainda que arriscada) de fazer dinheiro extra e, para a tecnologia de conformidade de padrão ou TMS, é apenas mais uma transação entre diferentes países.

Mas ao analisar profundamente existe uma história mais ampla e potencialmente mais perigosa a ser contada. Para as agências reguladoras, é essa história que está criando preocupação e forçando as FIs a analisarem novamente como elas estão monitorando os mirror trades.

Causa de preocupação

Tendo em vista a crise financeira de 2008 e a queda da Lehman Brothers, talvez não seja surpresa que os reguladores estejam mais rigorosos atualmente quando se trata de regulamentações financeiras.  Seja por meio de leis como a Conheça o Seu Cliente (KYC, na sigla em inglês) ou a Lei do Sigilo Bancário (BSA, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, ou inúmeras outras medidas legislativas específicas para cada país, os bancos estão enfrentando uma maior pressão para obedecê-las.

Os reguladores, particularmente nos EUA, estão aplicando multas recordes às FIs flagradas negociando com partes ou países sancionados, ou por não cumprirem de forma apropriada as iniciativas para coibir a lavagem de dinheiro.

Mirror trades são apenas um exemplo da violação da conformidade, já que a sua existência implica a falta de infraestruturas para identificar problemas de conformidade. No caso do Deutsche Bank, o banco estava em uma situação clara de graves e generalizados problemas de cumprimento de leis que remonta a uma década.

O Deutsche Bank perdeu oportunidades-chave de identificar e interceptar um esquema de mirror trading envolvendo pelo menos 12 entidades de Moscou, Londres e da Cidade de New York. Essas oportunidades perdidas destacam uma falha sistemática não detectada ou sinalizada pelos TMSs existentes – e, à medida que esses sistemas perdiam mais bandeiras vermelhas, se tornavam mais vulneráveis para outros crimes financeiros, como a lavagem de dinheiro.

O elo perdido dos TMSs

Então como monitoramos de fato atividades legais ou intenções ilegais? Todas as transações internacionais deveriam ser tratadas como tendo alta possibilidade de lavagem de dinheiro?

Para mim, não há dúvidas de que grandes transações, especialmente as internacionais e com moedas diferentes, deveriam sempre receber uma alta prioridade quando se trata de monitoramento. Mas, para fazer isso, é fundamental que as FIs possuam sistemas projetados para detectar este tipo específico de atividade potencialmente fraudulenta.

Normalmente feitos de forma eletrônica, os mirror trades são tão encobertos que sistemas normais como KYC e CDD (Customer Due Diligence ou Diligência Devida do Cliente) não conseguem identificá-los.

Isso deixa as FIs em uma situação difícil, enfrentando altos custos em ambos os lados da questão e dos processos de conformidade que estão sendo rapidamente superados pelas expectativas das agências reguladoras. A conformidade por si só é um processo imperfeito, normalmente dificultada pela configuração fragmentada do software defasado que os bancos usam, bem como pelos bancos de dados dos sistemas e linhas de negócios. Isto faz com que conhecer bem o cliente seja uma dura tarefa.

Mergulhando mais fundo com os dados

Felizmente, recentes avanços tecnológicos permitem que as FIs reduzam os custos de conformidade sem a necessidade de eliminar e substituir seus TMSs. Com uma abordagem baseada no relacionamento que auxilia os TMSs, as instituições podem atingir o propósito duplo de reduzir falsos positivos enquanto melhoram a detecção de atividades suspeitas de um modo geral.

Esta nova abordagem combina iniciativas de qualidade de dados, que ajudam a conformidade de  algumas maneiras: encontrando os dados das partes que fazem as transações independentemente dos dados existirem ou não dentro de uma instituição, corrigindo-os quando necessário, ligando as partes e transações relacionadas, mesmo quando esses relacionamentos não forem óbvios e/ou deliberadamente encobertos; e visualizando os relacionamentos em um mapa real para que as anomalias possam ser identificadas de forma mais rápida e fácil.

Uma abordagem baseada no relacionamento

A abordagem baseada no relacionamento é fundamental para manter a conformidade, já que permite que os TMSs reconheçam as entidades associadas com pessoas politicamente expostas, que tenham sido sujeitas a coberturas midiáticas negativas sobre seus negócios ou transações passadas, ou se o nome dela aparece em listas de vigia monitoradas pelo Ato Patriota. No caso do mirror trading, os dados baseados em relacionamento possuem a habilidade de peneirar quaisquer intenções ilegais associadas a atividades legais.

Ao focar nos padrões e parâmetros estabelecidos que monitoram atividades como mirror trades, as FIs podem acompanhar melhor atividades potencialmente fraudulentas e alertar as autoridades para investigação. Por outro lado, as FIs tornam-se mais eficientes, reduzindo o fardo investigativo e deixando mais tempo livre para ir atrás de positivos verdadeiros, ao invés de falsos positivos que podem contabilizar mais de 98% de todos os alertas de TMS em algumas instituições.

O sistema financeiro dos EUA é a espinha dorsal da economia mundial. Ao mesmo tempo em que as regulamentações de conformidade podem ser complicadas e caras, elas são necessárias para o sucesso e a segurança do mundo e de seus cidadãos. Uma abordagem baseada no relacionamento adiciona um nível de precisão muitas vezes perdido por TMSs tradicionais e que garante que as FIs cumpram as regras de conformidade e regulamentações em constante evolução.

(*) Diretor de Serviços Financeiros da Pitney Bowes

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