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As Big Techs virarão bancos?

Rogério Melfi, gerente do programa do GR1D de API do   Rogério Melfi, gerente do programa do GR1D de API do

Como a inovação não pede passagem, não será surpresa a fusão entre bancos e empresas de tecnologia

Rogério Melfi e Ítalo Lare (*) 

Era questão de tempo para que as gigantes das tecnologias entrassem no ramo dos cartões de crédito. Mais uma vez, a primeira a cruzar a linha foi a Apple ao anunciar, em 25 de março, que terá seu primeiro cartão de crédito, em parceria com o banco norte-americano Goldman Sachs e sob a bandeira da Mastercard.

Desde 2014, a empresa oferecia o ApplePay, uma carteira digital na qual os donos de iPhones e Macnitoshs podiam cadastrar seus cartões para realizar compras online e em locais físicos, algo que big techs como Amazon e Google também faziam. Agora, a empresa criada por Steve Jobbs é a única, ainda, a oferecer crédito a seus consumidores.

A promessa é atrair mercado oferecendo juros menores que os cartões comuns, diz Jennifer Bailey, vice-presidente da Apple Pay. Além disso, os titulares do novo cartão receberão um cashback – ou seja, um retorno em dinheiro de parte do valor gasto – no mesmo dia em que realizarem as transações, e esse crédito poderá ser gasto em novas compras no mesmo instante.

A Apple está abrindo o caminho para todas as grandes empresas de tecnologia. A dúvida é saber quanto as big techs tirarão de clientes dos bancos e em quanto tempo. Que elas agregarão, a seu DNA, algo do sistema financeiro, parece claro.

Uma característica do mercado financeiro, que também está presente entre os usuários de tecnologia, ajuda a pensar a respeito. Se a vantagem competitiva dos grandes bancos está na quantidade de clientes – e, em especial, naqueles que pagam suas contas em dia e consomem produtos e serviços das instituições –, o mesmo vale para as empresas de tecnologia. A diferença é que estas últimas podem estar mais bem preparadas para analisar os dados de sua rede de usuários.

Dados vertidos em informações são o petróleo da nova economia. Vejamos o exemplo do maior banco brasileiro, o Itaú, cuja carteira é de cerca de 50 milhões de clientes. Comparemos com o Facebook, com seus 2 bilhões de usuários. O que aconteceria aos bancos do porte do Itaú se o Facebook fosse para o ramo bancário?

Acontece que uma big tech tem condições de prestar serviços mais customizados, o que facilitaria transações diretas, como transferências de dinheiro, via rede social. Ou mesmo a concessão de crédito para potencializar a compra do produto de algum patrocinador lançado na timeline do consumidor com perfil ideal.

O que vale para o Facebook vale para o Google, que mina dados diretamente de serviços como o Google Maps, Gmail e pelo sistema de buscas. O uso dessas plataformas, de maneira criativa e inédita, é capaz de criar soluções inovadoras para problemas conhecidos do setor financeiro. Uma hipótese é que, com tantos dados, ficará mais fácil a análise e, também, a oferta de crédito com menos burocracia.

Evidentemente, os bancos ainda contam com a confiança dos correntistas. Afinal, são instituições tradicionais e bem conhecidas por ser clientes, além de bem reguladas e com várias garantias de segurança.

A regulação, aliás, talvez seja a grande barreira a ser contornada pelas big techs. Como cada país adota regramentos distintos, haverá certa dificuldade na provável competição com os bancos. Há também as limitações da nova lei de proteção geral dos dados brasileira, recentemente aprovada pelo Congresso.

No entanto, a inovação não pede passagem. Ainda mais tendo-se em conta a capacidade de adaptação dos novos players da tecnologia.

Não será surpresa se, num futuro próximo, bancos se fundirem com empresas de tecnologia, ou estabelecerem joint ventures. A competição e suas consequências não significam, necessariamente, que alguém precise ser eliminado da cadeia alimentar econômica. As parcerias são sempre bem-vindas.

(*) Gerente do programa de API e product manager finance do GR1D.

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