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A gestão dos riscos cibernéticos deve ser parte da estratégia das empresas nesse mundo cada vez mais digital

Eder Abreu, diretor de cyber risk da Deloitte Brasil Eder Abreu, diretor de cyber risk da Deloitte Brasil

Todas as empresas já sofreram ou sofrerão um ataque cibernético

Eder Abreu(*)

No mundo corporativo existem dois tipos de empresas: aquelas que já sofreram um ataque cibernético, mesmo que não saibam, e aquelas que ainda passarão por isso. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Deloitte, chamada  Tendências em Gestão de Riscos Cibernéticos e Segurança da Informação na América Latina e Caribe, quatro de cada dez organizações participantes sofreram um incidente de segurança cibernética nos últimos 24 meses. Ainda, 70% das corporações afirmam não ter certeza da eficácia de seu processo de resposta diante de incidentes de segurança cibernética, enquanto apenas 3% realizam simulações para testar suas capacidades efetivas de resposta diante de um ataque digital.

Esse cenário lança luz sobre a necessidade de as empresas se prepararem para essas invasões. Vale mencionar que o tempo médio para comprometer o ambiente digital de uma empresa fica na casa de horas. Ou seja, em questão de horas o sistema de uma empresa pode ser invadido e comprometido. E qual o tempo médio para que o crime seja detectado? Semanas ou, até mesmo, meses. Isso nos leva a perceber que, muito embora estejamos falando de empresas, o assunto diz respeito a todos que possuem algum tipo de dado circulando no meio digital – ou seja, todos nós. Isso porque, quando falamos de dados, nos referimos desde dados pessoais e financeiros que inserimos para nossas compras on-line até nosso histórico médico armazenado nos bancos de dados de hospitais ou laboratórios.

Bom, mas minha intenção com este artigo não é fazer você, caro(a) leitor(a) se desesperar. A boa notícia, de acordo com o estudo, é que 89% dos entrevistados atribuem uma importância muito alta à gestão de riscos cibernéticos em um contexto de negócios cada vez mais digital.

Diante dessas ameaças reais do mundo digital, seria importante que as empresas se unissem a seus pares na indústria por um bem maior: proteger o mercado de ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados. Atualmente, apenas 30% compartilham informações de ameaças. Seria uma prática estratégica que fortaleceria toda a cadeia. O que nos leva a um último, mas não menos importante quesito: pessoas. Assim como para todo sistema de segurança, precisamos de pessoas capacitadas para atuar. No mundo, de acordo com o (ISC) Cybersecurity Workforce Study, já faltam 3 milhões de profissionais aptos a trabalhar na detecção, diagnóstico e solução de ataques cibernéticos. Uma iniciativa de cooperação a esta altura representa, então, uma questão de sobrevivência.

Sendo assim, o caminho para se adaptar aos riscos cibernéticos deve começar a ser trilhado a partir da conscientização dos níveis executivos da organização sobre as ameaças do novo ambiente digital de negócios. É imperativo que os investimentos sejam destinados não somente à implantação de medidas de proteção, mas também à melhoria das capacidades de monitoramento e resposta.

Para alcançarem um novo patamar em sua área de gestão de riscos cibernéticos e segurança da informação, as empresas precisarão se capacitar em quatro componentes centrais e estratégicos: governança, segurança, vigilância e resiliência. E suas habilidades deverão refletir não apenas sobre o que acontece da porta para dentro; precisarão entender em profundidade as ameaças que afetam as organizações em geral – e seu setor de atuação em especial – com o objetivo de obter informações que sejam relevantes e que agreguem no processo de prevenção e monitoramento.

(*) Diretor de cyber risk da Deloitte Brasil

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