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Engenharia e inovação, por que o setor está estagnado?

Marcus Granadeiro, presidente do Construtivo Marcus Granadeiro, presidente do Construtivo

A digitalização de canteiros e realidade virtual ainda parecem ficção científica para nós, brasileiros

Marcus Granadeiro(*)

Uma reflexão que merece ser realizada é sobre quais os motivos que levam o setor de Engenharia e Construção a ser tão conservador. Conceitos muito simples de entender, como os benefícios do BIM (Building Information Modeling), que são relativamente baratos de serem implantados, estão levando anos para se consolidar. Outras metodologias, já presentes em outros países, como a digitalização de canteiros e realidade virtual, ainda parecem ficção científica para nós, brasileiros.

São diversos motivos que levam o setor a ser atrasado, mas, certamente, um deles é que a engenharia é feita por engenheiros.

Na busca por inovação, o segredo é observar, ver o que está errado e “pivotar”, ou seja, mudar o que está dando problema e voltar a tentar tornar a errar de novo e, assim, seguir até dar certo. A preocupação não é deixar de errar, mas corrigir rápido o erro.

Nós, engenheiros, fomos educados para planejar nosso trabalho, para fazê-lo minimizando erros e otimizando recursos. Diante deste cenário, o dar errado, não ter previsto algo e ter resultados distintos do previsto ou do projetado, dói e é difícil de aceitar.

Este é o problema. Para inovar, o acerto é exceção, a regra é dar errado. Então, na adoção de uma técnica nova, de um novo software ou de um novo processo, só saberemos se vai funcionar e quais serão os resultados se os colocarmos em prática. A chance de não atender plenamente nossas expectativas, de perdemos dinheiro ou de não dar certo é alta, mas isso não pode ser colocado como um problema. Ganha-se conhecimento, ajusta-se ou tenta-se de novo. Só assim, de forma gradual e contínua, há avanço e, consequentemente, inovação.

O medo de dar errado nos paralisa. Há muita movimentação, leituras, seminários, visitas, demonstrações e poucos corajosos se aventurando. Os “fracassos” destes pioneiros são usados como consolo dos que ficaram inertes e, assim, o setor continua sem inovar.

Há um problema: o mundo é plano, a banda passa e o tempo voa. Precisamos mudar nosso mindset e mudar este jogo antes que o setor, que está parado, seja atropelado por quem está andando.

(*) Presidente do Construtivo

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