Artigo - Executivos Financeiros - Executivos Financeiros http://executivosfinanceiros.com.br Tue, 21 Nov 2017 10:10:05 +0000 Joomla! - Open Source Content Management pt-br A relação entre Blockchain e a cultura de dados http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6123-a-relacao-entre-blockchain-e-a-cultura-de-dados http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6123-a-relacao-entre-blockchain-e-a-cultura-de-dados Leonardo Dias, CDO e co-fundador da Semantix

Os bancos do futuro deverão ser capazes de prestar serviços com criptomoedas e serem competitivos o bastante para não perderem seus clientes para startups que realizem gestões de carteiras eletrônicas

Leonardo Dias (*)

A combinação de dados e Inteligência Artificial (IA) está provocando a disrupção dos mais variados setores da indústria. Empresas inovam ao adotar tecnologias capazes de auxiliar na tomada de decisões assertivas em relação aos seus consumidores. Por já estar inserida nas decisões rotineiras de companhias de alta performance, a análise de dados transformou-se em cultura. Com isso, os gestores tendem a deixar de se basear apenas em suas opiniões e suposições para tomar decisões baseadas em números, diminuindo a margem de erro e atuando de maneira mais estratégica.

Enquanto as informações coletadas serviam exclusivamente para serem processadas e armazenadas como referência, a necessidade de sua constante presença e análise era muito menor. A partir do momento que algoritmos passaram a ser capazes de se reprocessarem de acordo com a variação dos dados, as empresas começaram a valorizar essas informações e todas as oportunidades que carregam.

O mesmo ocorre em relação os Blockchains – sistema de registros que garante a segurança das operações realizadas por criptomoedas, como os Bitcoins. Eles são formadas por blocos que, apesar de não serem muito grandes, transacionam cada vez mais, o que aumenta o volume trafegado. Com a utilização das Blockchains por bancos e outras instituições financeiras, existe uma demanda maior de ferramentas de análise dessas redes. Como o volume pode ser enorme, utilizar as mesmas tecnologias de Big Data permite o processamento de algoritmos capazes de detectar padrões e anomalias, além de apontar como ocorrem essas transações eletrônicas.

Como as redes dos Blockchains são abertas, é possível analisar as informações trafegadas. Tal verificação é fundamental na auditoria e rastreio das transações financeiras realizadas dessa forma, possibilitando a investigação de crimes realizados com cibermoedas, usadas com a finalidade de ocultar os pagamentos e recebimentos.

Além disso, toda a navegação dos dados pode ser feita por meio de ferramentas de Big Data, o que possibilita identificar como são realizadas e quais os principais pontos de origem e destino. E assim prever potenciais transações fraudulentas ou atividades criminosas.

A tendência é que nos próximos anos a economia mude. Não por causa dos Blockchains, mas por conta do crescente uso de criptomoedas, que estão criando um novo modelo econômico para as pessoas que não confiam nas instituições tradicionais para a administração de suas finanças.

Os bancos do futuro deverão ser capazes de prestar serviços com essas moedas emergentes e serem competitivos o bastante para não perderem seus clientes para startups que realizem gestões de carteiras eletrônicas. Para sobreviver, as organizações bancárias precisarão se reinventar e se adaptar. As mudanças atuais são apenas o começo de toda uma revolução financeira.

(*) CDO e co-fundador da Semantix

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Artigo Wed, 15 Nov 2017 00:00:00 +0000
Como os CIOs devem se preparar para a transformação digital http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6105-como-os-cios-devem-se-preparar-para-a-transformacao-digital http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6105-como-os-cios-devem-se-preparar-para-a-transformacao-digital Fernando Velázquez, CIO e Marketing da América Latina, do Carrier Business Group da Huawei

As lideranças de TI precisam se reinventar, ajudando suas empresas a compreenderem como as inovações podem criar oportunidades

Fernando Velázquez (*) 

A rápida adoção da tecnologia digital está mudando o mundo como o conhecemos. As empresas que nasceram com um DNA digital estão dominando o mercado. Há dez anos, a lista de corporações mais valiosas era dominada por empresas petrolíferas e conglomerados multinacionais. Hoje, empresas como Google, Facebook e Amazon lideram as manchetes.

Chegou a hora de as empresas se reorientarem para uma estratégia de transformação digital. A tecnologia alterou o papel das empresas e a maneira com a qual elas fazem negócios, ou seja, os CIOs devem ser capazes de ajudar suas empresas a compreenderem como as inovações que a transformação digital trará para os negócios podem criar oportunidades de crescimento. Para tanto, os CIOs primeiro precisam se reinventar. 

A nova realidade digital

Reinventar a Tecnologia da Informação (TI) para suportar a transformação digital requer grandes mudanças, o que levará alguns anos para ser concluído. Felizmente, os CIOs podem instruir suas empresas a adotarem uma abordagem que forneça resultados rápidos, ao mesmo tempo em que redefinem a TI para o longo prazo.

Esta abordagem requer uma nova, rápida e ágil TI para trabalhar ao lado da TI antiga. As transformações bem-sucedidas evitarão rupturas entre funções de TI de alta velocidade e antigas e serão conduzidas pelo CEO e pelos líderes empresariais que as tratarão como as prioridades principais e não apenas como "outro projeto de TI". 

Mudança adiante

A transformação digital mudará as exigências de TI de três principais maneiras: a tecnologia cada vez mais sofisticada precisará melhorar as operações e as interações das empresas com consumidores e clientes.

Os exemplos incluem o sistema de recomendação da Netflix e o sistema proprietário de buscas e caching do Booking.com. Anteriormente, a eficiência era o indicador de desempenho mais importante da TI. Agora, tudo importa: tempo para o lançamento no mercado, confiabilidade, segurança e, especialmente, escalabilidade. A incapacidade de ampliar rapidamente dificulta o atendimento às novas demandas da empresa. 

A gerência insistirá em um engajamento e supervisão de negócios muito maiores dos departamentos de TI. Afinal, o valor da digitalização da TI será muito maior do que antes: até 40% da receita, 20% dos custos e, às vezes, a própria sobrevivência do negócio. 

Preparação para a mudança

Durante as mudanças tecnológicas anteriores, como de mainframes para minicomputadores e, em seguida, para clientes/servidores, as organizações especializadas em TI precisaram decidir entre a tecnologia e os negócios para fornecer e suportar soluções. Hoje, os “millennials” são muito mais tecnológicos, já que cresceram entre computadores.

A combinação de usuários experientes em tecnologia com ofertas de tudo como serviço (XaaS) agora permite que as empresas adquiram e forneçam soluções habilitadas para a tecnologia sem o envolvimento da equipe técnica de TI.

Os gerentes de negócios também possuem maiores expectativas como resultado de suas próprias experiências com tecnologias pessoais. Eles buscam o mesmo tipo de experiência no trabalho, esperam conseguir ajuda imediata ao realizar um chat em tempo real com um especialista em suporte ao cliente e compartilham suas experiências – boas e más – na mídia social. Por isso, as empresas digitais estão prontas para colocar o cliente em primeiro lugar a qualquer hora e em qualquer lugar, com base nas expectativas do cliente. 

O que está errado com a TI tradicional?

As operações de TI antigas geralmente não possuem a agilidade, a flexibilidade e a velocidade necessárias para oferecer soluções de alta qualidade a fim de suportar a transformação digital. Uma pesquisa recente da KPMG, que entrevistou mais de 600 líderes de TI, descobriu que problemas nos sistemas são o principal motivo para a falta de inovação em TI, com 66% dos entrevistados citando ambiente ou estrutura, processos e padrões como as principais causas.

A transformação digital requer novas habilidades, mas a experiência do usuário, design, segurança, mobilidade, nuvem e outras habilidades estão em falta. Além disso, certos novos papéis, como corretores de soluções, gerentes de produtos e gerentes de serviços, exigem habilidades que podem não existir nas atuais organizações de TI. 

A transformação digital demanda novas capacidades de TI, como uma infraestrutura escalável e baseada na nuvem. A TI tradicional é usada principalmente para manter sistemas de registro: aplicações estáveis, confiáveis e orientadas a transações que operam no núcleo do negócio.

No novo mundo digital, o foco está em sistemas voltados para clientes e funcionários, nos quais a experiência do usuário é de grande importância e os novos lançamentos tendem a ser medidos em semanas, até dias. Esses sistemas são resultado de uma estreita colaboração entre TI e usuários e fruto de ciclos iterativos e rápidos de desenvolvimento. 

Criando novos ambientes de TI

Os CIOs precisam criar ou atualizar funções de P&D para fornecerem um ambiente onde a TI, os usuários empresariais e os clientes externos possam explorar e refinar novas soluções digitais. De acordo com a pesquisa da KPMG, 34% das organizações possuem uma função de P&D dentro do departamento de TI ou TI e negócios.

Um dos desafios dos CIOs é que os projetos para resolver problemas de back-office antigos recebem prioridade sobre os avanços na estratégia digital. Isso dificulta a “disseminação” do valor comercial da TI. Como resultado, alguns CIOs escolhem um braço direito para gerenciar os problemas operacionais. 

O futuro com a transformação digital

O efeito positivo da transformação digital para as operadoras deve ser a capacidade de produzir mais fluxos de receita. As empresas podem esperar um crescimento mais lucrativo e sustentado nos principais mercados verticais, como cidades inteligentes, energia e finanças.

O sucesso das empresas orientadas ao consumidor exigirá um investimento contínuo em Inteligência Artificial (AI), interfaces homem-máquina, Big Data e outras tecnologias de ponta a fim de acompanhar o ritmo da demanda dos clientes por dispositivos mais inteligentes.

A visão da Huawei é criar um modelo de desenvolvimento conjunto no qual a nossa empresa, os nossos clientes e os nossos parceiros cresçam juntos durante a jornada de transformação digital. 

(*) CIO e Marketing da América Latina, do Carrier Business Group da Huawei

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Artigo Wed, 08 Nov 2017 00:00:00 +0000
O Brasil caminha para a desbancarização http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6098-o-brasil-caminha-para-a-desbancarizacao http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6098-o-brasil-caminha-para-a-desbancarizacao Piero Contezini, CEO e cofundador do ASAAS

O BC está dando ao mercado a possibilidade de fazer o que há anos vem tentando: tirar o poder dos cinco maiores bancos do país e democratizar o acesso ao sistema financeiro nacional

Piero Contezini (*) 

A tecnologia está colocando o mercado de cabeça para baixo. Hotéis e táxis foram apenas as primeiras atividades econômicas a sentir o impacto dos smartphones de cada pessoa, conectados o tempo inteiro com a Internet e a um bolso de distância.

Até pouco tempo, o uso pessoal de computadores por mim e por alguns colegas, por exemplo, era quase exclusivo para a realização de atividades relacionadas às faculdades de Tecnologia da Informação — nome, aliás, que hoje soa engraçado. Nós nos sentávamos na frente de uma dessas máquinas para digitar textos, acessar páginas com informações, conversar com pessoas a longas distâncias ou jogar.

Com o surgimento dos dispositivos móveis, percebi uma mudança significativa: a interação com a computação deixou de ser uma atividade-fim e passou a ser um meio. Um botão (ainda que virtual)  apertado no telefone hoje pode chamar um helicóptero! Quem imaginou que isso seria possível tão cedo?

No setor financeiro, essa transformação já começou. Ainda estamos no começo, é verdade, mas a necessidade de ir a um banco para fazer algo relativamente simples como guardar o seu dinheiro já é parte integrante do nosso passado. Dentre as centenas de serviços que uma instituição dessas poderia oferecer, o mais importante era que o seu dinheiro estivesse seguro e acessível a todo tempo.

Com a evolução da tecnologia, guardar o dinheiro perdeu relevância, se tornou uma commodity. Hoje você se preocupa muito mais com a possibilidade de pagar qualquer coisa com um cartão de crédito ou débito, sem precisar tirar o dinheiro do banco. Isso pode tornar esse tipo de instituição desnecessária — veja que o Nubank presta um serviço que antes era exclusivo dos bancos sem exigir que o cliente tenha sequer uma conta corrente.

O que as pessoas começaram a perceber é que o serviço entregue pelos bancos não atende mais às suas necessidades. Agora são as empresas que estão enxergando isso, e a cada dia caminham em direção a mudança das suas operações de envio e recebimento de dinheiro dos bancos para outras instituições.

No mundo, uma categoria completamente inovadora de serviços financeiros foi batizada de payment banking. Esse tipo de empresa presta serviços muitos similares aos dos bancos, porém não são instituições financeiras de fato, e sim intermediadoras de pagamento. Alguns exemplos são o PayTM e o AirTel, dois unicórnios asiáticos que resolveram problemas tão grandes na Ásia a ponto de criarem sua própria categoria de serviços financeiros.

No Brasil, estamos caminhando para um ambiente de desbancarização total dos serviços financeiros. Com a regulamentação dos arranjos de pagamento pelo Banco Central e o entendimento das competências das instituições desse tipo, o BC está dando ao mercado a possibilidade de fazer o que há anos vem tentando: tirar o poder dos cinco maiores bancos do país e democratizar o acesso ao sistema financeiro nacional.

As vantagens são óbvias, e uma delas é a inovação: empresas com a minha (disclaimer: sou um payment banking focado em ajudar o empreendedor individual a receber e enviar dinheiro) ajudam o mercado a balizar o valor dos serviços financeiros, além de proverem acesso a pessoas que antes não teriam condições financeiras para contratar estes serviços — até porque quase todo banco cobra uma mensalidade relativamente alta para guardar seu dinheiro.

Historicamente temos as maiores taxas do mundo e um dos piores níveis de atendimento ao cliente quando se fala de finanças. Como disse Jeff Bezos, "sua margem de lucro é a minha oportunidade".

Cada linha de receita dos bancos tradicionais deverá dar origem a um unicórnio que irá transformar completamente o mercado, alterando a percepção de valor entregue pelo tipo de produto. O que nós conhecemos por banco também tende a mudar — vide a iniciativa do pessoal da SuperLógica com o PJBank. Eles estão criando uma organização que entrará na regra de negócio de empresas de pequeno e médio porte, criando soluções de valor agregado não somente para guardar dinheiro, mas para enviá-lo e manipulá-lo de formas completamente inovadoras.

Há uma centena de instituições de pagamentos prontinhas para arrancar clientes dos bancos, e isso tem gerado diversas iniciativas por parte deles para tentarem reverter a tendência de desbancarização. Todas tiveram pouco sucesso até agora.

De bancos para millennials a compras de empresas enormes, os grandes irão tentar impedir essa tendência de qualquer forma, mas, assim como é impossível lutar contra a propagação da informação, acredito que a desbancarização também seja algo que fuja do controle de qualquer entidade.

Basta ver que existem blockchains e redes de transferência de dinheiro peer to peer, e em alguns anos até os sistemas financeiros dos países poderão entrar em colapso, dando origem a uma pseudo-anarquia financeira controlada pelo consenso entre as partes envolvidas. Quem ganhará será o usuário, que terá cada vez mais acesso a serviços pagando menos. Que tempo para se viver! 

(*) CEO e cofundador do ASAAS

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Artigo Mon, 06 Nov 2017 00:00:00 +0000
Empresas brasileiras devem investir em proteção para atender GDPR http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6079-empresas-brasileiras-devem-investir-em-protecao-para-atender-gdpr http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6079-empresas-brasileiras-devem-investir-em-protecao-para-atender-gdpr Carlos Rodrigues, vice-presidente da Varonis para a América Latina

A situação da segurança da informação também é crítica no Brasil. Esse cenário vai ter de ser revertido de forma drástica, principalmente no que se refere à forma de coletar e gerenciar os dados da Internet.

Carlos Rodrigues (*) 

Desde a aprovação do Marco Civil da Internet, em 2014, a palavra “privacidade” vem ganhando força em tudo que se refere à Internet no Brasil, tanto no uso pessoal quanto no uso corporativo. Mas, ainda assim, a falta de aplicação das normas regulamentadoras predomina, principalmente quando o assunto é segurança. Afinal de contas, segurança requer tempo, investimentos contínuos e recursos (humanos e materiais) para as empresas. E algumas delas relutam em se conscientizar da importância de tudo isso, mesmo tendo exemplos negativos de problemas de vazamento de dados (vide o caso da “Operação Lava Jato”). 

De acordo com a pesquisa global divulgada este ano pela Varonis, intitulada Data Risk Report, 47% das empresas de todo o mundo têm mais de mil arquivos sensíveis que ficam expostos a todos os funcionários, enquanto 22% das empresas têm mais de 12 mil arquivos nessa mesma situação. Além disso, 59% não empregam um programa de proteção de acesso aos dados, 62% têm acesso a dados corporativos que não deveriam ser vistos publicamente e 62% não fazem auditoria sobre o uso dos dados e nem têm alertas sobre abuso. 

Ao analisarmos o Brasil no contexto da pesquisa, vemos que a situação da segurança de dados também é crítica. Esse cenário vai ter de ser revertido de forma drástica, principalmente no que se refere à forma de coletar e gerenciar os dados da Internet, estejam estes armazenados em ambientes físicos ou virtuais. 

Essa reversão, que não aconteceu nos últimos quatro anos, vai precisar acontecer em pouquíssimo tempo, pois em 25 de maio de 2018 entra em vigor a Regulamentação Geral da Proteção de Dados (ou GPDR - General Data Protection Regulation), que vai valer mundialmente para todas as empresas que processam dados de pessoas e serviços na União Europeia (UE). 

Trazendo a situação para o nosso mercado, significa que todas as empresas brasileiras que lidam com dados de qualquer um dos 28 países da UE vão ter obrigação de se adequar à GDPR, estando sujeitas a multas de até 4% do seu faturamento global anual ou € 20 milhões (aproximadamente R$ 83 milhões) em caso de não cumprimento. 

Para a mudança de cenário visando a GDPR, o conjunto “avaliar, proteger e monitorar dados” é o melhor começo para qualquer perfil de empresa. Para isso, deve-se cuidar das informações pessoalmente identificáveis (ou Personally Identifiable Information - PII) que estejam armazenadas em ambiente corporativo, tais como números de CPF e cartão de crédito, entre outros documentos e dados. 

O ideal é manter a menor quantidade possível de PIIs, apenas as que forem realmente necessárias para a empresa e, ainda assim, com acesso seguro e restrito às pessoas mais indicadas para fazer uso dos dados. Em caso de PIIs totalmente desnecessárias, o ideal é eliminá-las. 

Estratégia de proteção das informações 

O passo seguinte é o mais difícil de ser executado, porém o mais importante para a adaptação à GDPR: identificação dos dados sensíveis armazenados no ambiente corporativo e definição da estratégia de proteção dessas informações. 

Como a GDPR também permite que os cidadãos “desautorizem” o uso dos dados fornecidos (por exemplo, em uma compra em loja ou cadastro em site), deve-se garantir a privacidade de todos os dados e das pessoas, sem que haja vazamentos causados por problemas em sistemas internos ou por ação maliciosa de hackers, que estão cada vez mais “inovadores” na forma de atacar as redes empresariais. 

É impossível se precaver contra todas as formas possíveis de violação de privacidade para que os negócios não sejam afetados negativamente. No entanto, é possível evitar boa parte das ameaças identificando e classificando dados para, posteriormente, estabelecer controle de acessos, criar políticas de proteção e, inclusive, gerar alertas para vulnerabilidades ou atividades suspeitas. 

E não dá pra fazer isso com aplicativos internos criados para situações pontuais (como a necessidade de se adequar a uma nova regulamentação). É fundamental ter uma estratégia minuciosamente desenvolvida e que esteja habilitada para tratar os seus negócios e a questão da privacidade de forma total, não parcial.

Exemplo: no caso das empresas que atuam em diversos países da Europa, é preciso contar com plataformas capazes de lidar com todas as peculiaridades que compõem uma UE muito heterogênea, uma vez que os países têm muitas diferenças nos padrões de documentos, finanças, impostos e leis de gestão empresarial, entre outros, além da GDPR. 

Os benefícios imediatos são a prevenção contra fraudes, perdas de dados e erros de manuseio. Consequentemente, isso facilita a tomada de decisões de negócios, sejam estas internas (relacionadas à administração) ou externas (relacionadas aos fornecedores e clientes). 

(*) Vice-presidente da Varonis para a América Latina

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Artigo Sun, 29 Oct 2017 00:00:00 +0000
Profissionalizar a gestão, o grande desafio para pequenas e médias empresas http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6078-profissionalizar-a-gestao-o-grande-desafio-para-pequenas-e-medias-empresas http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6078-profissionalizar-a-gestao-o-grande-desafio-para-pequenas-e-medias-empresas Marcello Lopes, sócio da LCC Auditores e Consultores e mestre em Contabilidade pela PUC-SP

O enfrentamento da corrupção por parte das autoridades, nas sucessivas fases da Operação Lava Jato, impulsiona a implantação da Lei Anticorrupção brasileira

Marcello Lopes (*) 

O ambiente corporativo nas milhares de empresas que lidam de forma direta e indireta com o poder público passa por fortes mudanças. Entre os motivos que conduzem o novo cenário está o esforço das autoridades policiais e judiciárias nas investigações de enfrentamento à corrupção, como as sucessivas fases da Operação Lava Jato. O empenho tem forte influência no âmbito empresarial em virtude do impulso que oferece para a implantação da Lei Anticorrupção brasileira. O cenário não atinge somente as grandes empresas investigadas, mas engloba integralmente a rede de fornecedores e prestadores de serviços das empresas de todos os portes e ramos de atividade.  

A Lei Anticorrupção responsabiliza as entidades jurídicas, não excluindo a responsabilidade civil de seus dirigentes ou administradores ou qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito à administração pública. A lei visa fortificar os mecanismos que as empresas possuem sobre suas operações em torno do cumprimento da legislação nacional e das regulamentações específicas de cada setor da economia. Estas ferramentas de controle são nominadas mundialmente como programas de compliance, ou seja, de conformidade com as leis.

A instituição dos programas de conformidade com a lei não é novidade entre as empresas. A própria Lava Jato atinge grandes companhias brasileiras que já tinham um código de ética e programa de compliance bem elaborados. O fato conduz ao entendimento de que a devida eficácia da Lei Anticorrupção estará comprometida se as condutas dos principais gestores da empresa não convergirem para o respeito das leis. 

A regulamentação para que a Lei Anticorrupção seja aplicada impõe o modo como uma empresa deve se preparar para empreender as atividades junto a qualquer esfera da administração pública. A lei pretende o fortalecimento de punições mais rigorosas aos comprovadamente partícipes em escândalos. Mas o sucesso e a eficácia dos mecanismos de combate à corrupção e o controle maior de atos ilícitos dependem da postura ética de seus executivos. 

Programa corporativo de integridade

A referida lei define o programa corporativo de integridade, descreve os requisitos mínimos a serem observados em sua elaboração e quais devem ser os mecanismos e procedimentos internos de integridade, bem como o incentivo à denúncia de irregularidades, aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta, políticas e diretrizes com o objetivo de detectar desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos praticados contra a administração pública, nacional ou estrangeira. 

A Lei Anticorrupção tem de ser aplicada a todas as entidades jurídicas, independentemente de sua forma societária, faturamento, tamanho etc. A dimensão do impacto da legislação está eclipsada na medida em que o tema tem sido quase sempre relacionado às grandes corporações. Estas já possuem muitos procedimentos e controles que atendem as exigências da Lei, podendo existir algumas implementações ou melhorias para se adaptarem. Nas maiores companhias, o sistema de procedimentos e controles passa por constante atualização, além de contar com auditoria interna, auditoria externa, governança corporativa e outros mecanismos para prevenção e detecção de irregularidades. 

O maior desafio é sua adoção por pequenas e médias empresas, cuja parcela significativa não possui procedimentos e controle formalizados. Cenário visto principalmente nos negócios não profissionalizados, que estão sob gerência de grupos familiares. Todo o circuito que abrange uma grande empresa, com seus fornecedores, pode atingir pequenos e médios negócios. Portanto, é imprescindível para este setor ter seus procedimentos e controles internos formalizados e bem sedimentados. Se uma indústria gigantesca implanta procedimentos de compliance, os fornecedores da sua cadeia produtiva, consequentemente, terão que adotar medidas de conformidade com a lei. 

A implantação do programa de compliance passa, obrigatoriamente, pela elaboração de procedimentos de controle que garantam a integridade das informações. É necessária a manutenção de profissionais capacitados para implantar os mecanismos, gerenciar informações de forma adequada e consciente da relevância destes dados apresentados nas demonstrações financeiras. Este é um momento que possibilita às empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, se estruturarem para que o país cresça e alavanque a economia. Quem não se adequar a esta realidade não sobrevirá às exigências do mercado. 

(*) Sócio da LCC Auditores e Consultores e mestre em Contabilidade pela PUC-SP

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Artigo Sun, 29 Oct 2017 00:00:00 +0000
Economia da Experiência: é participar ou perder http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6069-economia-da-experiencia-e-participar-ou-perder http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6069-economia-da-experiencia-e-participar-ou-perder Donald Reis, vice-presidente e diretor de Marketing do Seprorgs

É uma onda que exige das empresas olho ainda mais vivo no perfil de seus mercados consumidores para atraí-los, conquistá-los e fidelizá-los

Donald Reis (*)

Economia da Experiência. Não é mais um termo da moda: é o nome de um movimento que o próprio mercado criou, partindo da abundância de informações e possibilidades de escolha a que o consumidor atual tem acesso, para definir a nova forma de produzir, ofertar, vender e comprar.

Como o próprio nome entrega, a Economia da Experiência é pautada no que o consumidor vivencia em seu contato com o produto, serviço ou fornecedor. Logo, é uma onda que exige das empresas olho ainda mais vivo no perfil de seus mercados consumidores para atraí-los, conquistá-los e fidelizá-los.

A qualidade da experiência está acima da qualidade do produto. Está acima do preço. Está acima de todo o resto: é ela, por si só, que definirá se um visitante se tornará comprador, comprador assíduo ou, o melhor de tudo, um influenciador de novos compradores.

Isso passa pelo conceito de Omnichannel. O consumidor atual tem a loja física, a virtual e todos os fóruns do mundo à sua disposição para decidir ou não por uma compra. Literalmente: basta um Google ou uma rede social para que ele obtenha informações, opiniões e comparações de todos os cantos sobre o item que está buscando.

Tanto é assim que pesquisas como a do SPC Brasil mostram que 47% das pessoas que compraram em lojas físicas nos últimos meses pesquisaram antes na Internet sobre o que iam adquirir, e que 9 em cada 10 consumidores vasculharam seus interesses na web antes de comprar em canais virtuais.

Melhorar a experiência de compra é mandatório para manter-se competitivo. É o diferencial que tem de ser buscado para qualquer negócio que deseje sobreviver à era da Transformação Digital e sair vencedor.

E construir uma boa experiência, que deixará no consumidor uma percepção satisfatória sobre determinada marca, passa pelos produtos, serviços, formato das ofertas, preços, qualidade da entrega e atendimento. Cada item é fundamental na estratégia que determinará se uma empresa estará ou não inserida positivamente na Economia da Experiência.

É um caminho sem volta. Um estudo da IFS Digital Change Survey, por exemplo, mostra que, de 750 gestores corporativos de 16 países, 90% já destinam recursos financeiros para tecnologias disruptivas, tendo como objetivo o ganho de competitividade baseado na melhoria da experiência do consumidor.

O mundo está caminhando neste sentido. Não é o futuro, é o agora. Não participar disso significará, inevitavelmente, ficar para trás.

(*) Vice-presidente e diretor de Marketing do Seprorgs

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Artigo Fri, 20 Oct 2017 00:00:00 +0000
Será mesmo que sua empresa está segura? http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6046-sera-mesmo-que-sua-empresa-esta-segura http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6046-sera-mesmo-que-sua-empresa-esta-segura Daniel Lemos, CEO da Real Protect

A realidade das equipes de segurança hoje é que falta gente capacitada. Contratar e treinar novos profi­ssionais são processos caros e demorados.

Daniel Lemos (*)

O cibercrime está tomando proporções sem precedentes no mundo e tem causado prejuízos milionários às empresas. Como disse Robert Mueller, ex-diretor do FBI, “Existem dois tipos de empresas: as que já foram hackeadas e as que ainda não sabem que foram”. Em qual situação se encontra a sua empresa?

Companhias dos mais diversos portes e segmentos têm investido cada vez mais em Segurança da Informação – em média, cerca de 6% a 8% do orçamento de TI de uma empresa. Porém, nem todo esse dinheiro é aplicado da maneira correta. A simples aquisição de um produto de segurança (hardware ou software) não será traduzida imediatamente na segurança esperada.

A proteção de fato só virá com a correta administração dos ativos presentes no ambiente. De nada adianta investir na aquisição do melhor software disponível no mercado, se a equipe que administra a solução não conhece e não utiliza corretamente as funções disponíveis. Além disso, como na saúde, a prevenção ainda é o melhor remédio.

O processo de segurança vai muito além, pois é necessária dedicação full time de profissionais capacitados, monitoramento contínuo, atualizações constantes e ações imediatas. E aqui temos um grande problema!  A realidade das equipes de segurança hoje é que falta gente capacitada. Contratar e treinar novos profi­ssionais são processos caros e demorados. Pense no custo de ter uma equipe bem capacitada e treinada operando em regime 24×7. Para algumas empresas o custo chega a ser proibitivo ou não é uma prioridade na visão dos executivos.

Por isso, contratar empresas especializadas em Segurança da Informação tem sido o caminho escolhido cada vez mais por companhias, no Brasil e no exterior. O próprio Gartner aponta que até 2020 mais de 50% das operações de segurança ocorrerão de forma terceirizada, seja parcial ou completa.

Dentro desse cenário, os chamados Serviços Gerenciados de Segurança são uma excelente opção para que as empresas possam contornar os desafios impostos pela atual crise econômica atravessada pelo Brasil, ao mesmo tempo em que elevam o patamar da segurança e podem efetivamente se dedicar ao seu core business.

Há ainda outro ponto importante a ser lembrado: como a segurança da informação é abordada junto aos seus colaboradores? Eles são orientados em relação ao uso de seus dispositivos dentro e fora do ambiente de trabalho? Existem iniciativas preventivas, como treinamentos?

Com a democratização dos smartphones, ampliação do home office e migração para a nuvem, são muitas as brechas abertas, tornando a gestão da segurança algo cada vez mais complexo. Um clique em um link malicioso, um email suspeito aberto é o que pode levar à paralisação do negócio por conta de malwares.

Por isso, todo cuidado é pouco. Quanto antes você e sua empresa se prepararem, mais chance terão de sobreviver a um ataque.

(*) CEO da Real Protect

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Artigo Fri, 06 Oct 2017 00:00:00 +0000
Omnichannel como parte inerente da transformação digital http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6038-omnichannel-como-parte-inerente-da-transformacao-digital http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6038-omnichannel-como-parte-inerente-da-transformacao-digital Bension Waksman, engenheiro e diretor comercial da A5 Solutions

Conceito não é novo, mas hoje é um fundamento natural das empresas líderes em inovação, que estabelecem novos padrões de eficiência e qualidade em seus setores

Bension Waksman (*)

O que é inovador, fácil e muito útil rapidamente se torna óbvio. Há até pouco tempo parecia plausível que se esperasse uma fatura mensal para saber os gastos com cartão ou telefonia, ou circular malotes de fotocópias para concessão de crédito. Tais ineficiências foram definitivamente realçadas quando uma geração de empreendedores juntou o entendimento de velhas dores do consumidor e das novas oportunidades de endereçá-las. Infraestrutura em nuvem, analytics, front end adaptável e sistemas modulares e interconectáveis deram base a organizações concebidas para operar online, com informações em tempo real fluindo internamente e em seus ecossistemas. Essas “empresas 4.0” não precisam passar pela “transformação digital”. O jargão se refere mais às incumbentes, ou seja, às companhias fortemente estabelecidas no mercado, que se adaptam aos patamares de qualidade e eficiência (custos e margens) impostos pela evolução dos serviços.

Nas atividades de comunicação e relacionamento, a experiência omnichannel é um anseio claramente exposto pelo público de diversos ramos. A diferença entre “multichannel” e “omnichannel” também é, de certa forma, bem entendida pelo senso comum. Segundo um estudo da NewVoice Media, 60% dos consumidores alternam de canal conforme suas circunstâncias e, evidentemente, esperam uma experiência de complementaridade. A atratividade e satisfação/retenção de clientes, por si só, já dimensiona o retorno de estratégias ominichannel. Contudo, há razões de eficiência operacional, competitividade e reputação empresarial que também recomendam atenção aos serviços de comunicação. 

Do time to market ao time to sales

Em um mundo em que até as atividades de manufatura, com a Indústria 4.0, se sustentam em conectividade ampla e em tempo real, serviço e aplicação tendem a se tornar o mesmo conceito. A oportunidade de negócio e a solução tecnológica têm que vir juntas.

Configurar rapidamente produtos para responder à concorrência, lançar promoções para rentabilizar os clientes, ou estabelecer parcerias instantâneas para sinergia entre fornecedores dependem de um back end moderno e bem estruturado, com APIs, microsserviços e premissas de segurança comuns. Fazer isso tudo à força bruta, com integrações discretas, dificilmente caberia em prazos e orçamentos aceitáveis.

Os canais de comunicação e relacionamento são o meio em que a empresa expõe toda sua capacidade de entender o cliente, prover produtos de alta qualidade e customizados. Além disso, há motivações financeiras para o omnichannel, por sua capacidade intrínseca de maximizar o retorno de investimento nas iniciativas de desenvolvimento. Todo o esforço e competência dos times de produtos, engenharia e serviços ficam disponíveis e evidentes em todas as interfaces com o cliente. 

Atendimento humanizado e humano

A combinação de interfaces com linguagem natural – os chatbots ou as URAs com reconhecimento de fala – sistemas de big data, algoritmos de resposta e inteligência artificial já é realidade no dia a dia de várias organizações, embora os primeiros projetos tenham começado há cerca de três anos. No momento em que a empresa percebe a necessidade de simplificar, ou “humanizar”, as interações no autoatendimento, uma plataforma omnichannel bem estruturada é um facilitador decisivo, por permitir focar o trabalho e os investimentos na nova camada de interface.

Um caminho que maximiza enormemente o retorno de investimento em inovação surge quando todo o aparato tecnológico, do big data ao front end, é aplicado para apoiar o trabalho humano. É redundante lembrar que pessoas motivadas e qualificadas são a última linha de defesa a adversidades, como insatisfação ou evasão de clientes. Também são fundamentais para não se renunciar aos clientes que se perderam nos canais de autoatendimento. O desafio é que, diante de um interlocutor, o cliente espera todas as facilidades dos demais canais e mais alguma coisa.

Ao analisar as interações em múltiplos canais, do meio de pagamento preferencial aos comentários em redes sociais, a empresa dá a seu funcionário condições de um atendimento assertivo, em que possa focar sua autonomia e sensibilidade no algo a mais que o cliente espera.

(*) Engenheiro e diretor comercial da A5 Solutions

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Artigo Tue, 03 Oct 2017 00:00:00 +0000
Terremotos, furacões e violações gigantes de dados http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6023-terremotos-furacoes-e-violacoes-gigantes-de-dados http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6023-terremotos-furacoes-e-violacoes-gigantes-de-dados Rodrigo Fragola, CEO da Aker N-Stalker e diretor de Segurança e Defesa nas entidades Sinfor (Sindicato da Indústria da Informação) e Assespro-DF

De que modo o fiasco da Equifax pode nos orientar numa reflexão sobre a atual insegurança global diante da guerra e dos crimes virtuais?

Rodrigo Fragola (*)

Há muitos furacões e terremotos no noticiário das últimas semanas, mas vamos falar apenas do mundo cibernético. Refiro-me ao recente cataclisma que levou a pique o gigantesco transatlântico de dados da Equifax e comprometeu as informações de metade dos norte-americanos. 

A Equifax, todos sabemos, é uma das maiores custodiantes globais de dados críticos de terceiros, tais como registro social, dados bancários, números de cartões, seguro saúde, históricos de débitos, quitações e relacionamentos comerciais que permitem pintar um retrato detalhado do cidadão, seja para o bem ou para o mal. 

A Equifax não é só uma grande corporação para a qual o dado é algo estratégico; mas é, digamos, uma integrante do oligopólio mundial de dados econômicos do consumidor. E que, portanto, tem nos dados a essência do seu negócio, e não o meio.  

A Equifax, ainda assim, é a vítima recente de um fiasco cibernético cuja mácula irá marcar sua história e que, sem dúvida, irá lhe custar - de forma tangível ou intangível - algum valor na casa dos bilhões. E isto, é claro, sem falar nos inestimáveis prejuízos potenciais para aquela massa de cidadãos vazados. 

Mas como isto se passou? 

Vamos encarar esta questão apenas de raspão, já que o problema é colossal e a realidade ainda é nebulosa. 

O tipo de violação infligido à Equifax foi um abuso de backdoor, como o que já ocorreu em uma grande lista de outras tomadas de assalto em massa. Sabe-se que uma brecha em certa aplicação web baseada no código de engenharia Apache Stratos foi a porta de entrada para o invasor. 

Um dado assustador (embora não inédito ou raro) foi a demora de 70 dias para que as equipes de segurança da Equifax se dessem conta de algo estranho, enquanto o invasor fazia a festa. 

Uma vez detectado o ataque, apelou-se a uma empresa "White hat" para varrer as brechas, corrigi-las e destravar as armadilhas. Mas, até onde se sabe, esta renomada equipe contratada mais serviu para realizar a "autópsia", pouco restando para salvar após a exfiltração já feita. 

O que podemos apreender daí? 

Podemos presumir, por exemplo, que a aplicação do "patch de correção" no tal aplicativo escrito em Stratos poderia evitar novas invasões, mas não iria corrigir o estrago já infligido. 

É bem provável também que o time da Equifax não contasse com alguns novos requisitos estratégicos, como a reautenticação permanente dos acessantes (pessoas ou entidades lógicas), de preferência com múltiplos fatores e com capacidade analítica de contextos. 

É quase certo que tenha faltado à Equifax uma concepção "ecossistêmica" de segurança. Como bem observou o Gartner ao New York Times, a Equifax teria muito mais chance contra esta violação se possuísse uma segurança unificada em camadas. Em outras palavras, digo eu, abrangendo todos os sete níveis da estrutura, indo do firewall de perímetro às camadas de rede e de usuários; até o nível das aplicações, onde uma ferramenta WAF (Web Application Firewall) com inteligência artificial agiria de forma proativa para fazer a correção preventiva de brechas através de "patches virtuais".

Um forte indício de que nada disso existia é o de que a violação continuou operando por um bom tempo, mesmo após a intervenção dos técnicos. Para piorar, nem a equipe da Equifax nem sua empresa de apoio externo conseguiram determinar ao certo de onde ou de quem partiu o ataque. 

Pode ter sido apenas um hacker solitário que chegou àquela base de dados por acaso. Ou pode ter sido um desses grupos criminosos cada vez mais bem organizados e lastreados em boas estratégias. Um desses grupos, aliás, reivindicou o ataque e pediu um resgate em Bitcoins que não está claro se foi pago. 

Mas o ataque pode ter sido uma ação de estado - Coréia do Norte, Rússia, China, Irã... quem é que arrisca um palpite? Daí que uma outra conclusão do episódio é a que reforça a tese da insegurança estrutural no atual ambiente cibernético, onde ninguém mais é capaz de delimitar onde é que termina o crime e onde começa a guerra cibernética. 

Insegurança esta que se acentua com a existência dos Bitcoins (ou outras criptomoedas), esta moeda ainda tão pouco conhecida e pouco regulamentada, que vem legendada como coadjuvante na esmagadora maioria dos sequestros de dados atuais. 

(*) CEO da Aker N-Stalker e diretor de Segurança e Defesa nas entidades Sinfor (Sindicato da Indústria da Informação) e Assespro-DF

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Artigo Thu, 28 Sep 2017 00:00:00 +0000
BI não deixa varejo perder vendas http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6007-bi-nao-deixa-varejo-perder-vendas http://executivosfinanceiros.com.br/artigos/6007-bi-nao-deixa-varejo-perder-vendas Douglas Scheibler, CEO da BIMachine

Business Intelligence é a alavanca para pular de um cenário de dados aleatórios e mal acumulados para um patamar de utilização inteligente do conteúdo como ferramenta de gestão

Douglas Scheibler (*)

Ao não encontrar o produto que procura na gôndola do supermercado ou na prateleira da loja, 70% dos consumidores muda de marca ou de estabelecimento. O dado, de um estudo feito pela empresa Accera, evidencia uma realidade: indisponibilidade de produto é sinônimo de perda de vendas.  

No varejo, esta indisponibilidade é chamada de ruptura, e refere-se à falta de itens tanto em gôndola quanto em estoque. A mesma pesquisa citada acima indica, ainda, que 62,2% das rupturas são identificadas no próprio ponto de venda, associadas à falta de reposição ou a estoque virtual (produtos que estão estocados, mas não constam nos inventários, o que prejudica a reposição e, por consequência, a venda). 

Para evitar a ruptura e garantir a exposição do produto certo no lugar exato a todo o momento para o cliente que o procurar, a resposta é uma só: atenção permanente. Não disse constante, disse permanente. 100%. Nada menos. E isso não é humano: o fator humano, aliás, é um dos mais frequentes causadores de erros na reposição e estocagem de mercadorias; afinal, o cérebro ocupado com múltiplas tarefas não está imune ao esquecimento, a não perceber algum gargalo, a errar.  

Logo, a solução é reforçar o trabalho dos recursos humanos com tecnologia eficiente e de fácil uso, que permita ampliar a visibilidade dos estoques, gôndolas, inventários e produtos, bem como entregar análises que facilitem a orientação da exposição mais adequada para os itens segundo o perfil de cliente de cada estabelecimento.  

E este perfil nem sempre – aliás, quase nunca – é um só. Por isso, tais análises  precisam levar em conta horários, localização, comportamentos de consumo, preferências, tendências de mercado, preços e tickets de compra, entre muitas outras variáveis, para resultar em insights precisos e preciosos para guiar a tomada de decisões no ponto de venda.   

Tudo isso pode ser traduzido em uma sigla curtinha, mas muito eficaz: BI. A tecnologia de Business Intelligence, é capaz de analisar grandes volumes de dados do varejo e gerar comparações, análises, gráficos e outras ferramentas muito úteis para embasar gestores e pessoal de loja nos movimentos diários para melhorar as vendas.  

Saber, por exemplo, que tipo de consumidor consome mais qual produto, em qual das filiais, a qual horário, de qual dia da semana, é um dado valioso para evitar que este item jamais falte, certo? Ou então entender em quais períodos e locais a venda de tal mercadoria cai é outro fator para direcionar promoções, remanejar produtos, melhorar exposição ou combinar ofertas, entre tantas outras opções estratégicas.  

Coleta de dados de fontes diversas

O BI facilita todo esse trabalho. São soluções refinadas para coleta, organização e análise de dados, e quando falamos nisso estamos nos referindo a dados das fontes mais diversas: sistemas de ERP e CRM, bases de dados informatizadas e manuais, cadastros de compra e crediário, planilhas, leads gerados em promoções e sorteios e todas as demais frentes de coleta de informações sobre clientes e prospects que uma empresa pensa em gerar.  

As informações são a mina, o BI é o garimpo e o usuário do BI o feliz garimpeiro que encontra o ouro em meio ao vasto material no entorno. Informação ajuda a vender, e o BI é a alavanca para pular de um cenário de dados aleatórios e mal acumulados para um patamar de utilização inteligente do conteúdo como ferramenta de gestão.  

Voltemos aos estudos: uma pesquisa da NeoGrid indica que o varejo brasileiro teve cerca de 10% de ruptura em junho de 2017, dos quais 5% representaram vendas perdidas. Um dado inaceitável, especialmente em um momento de desaceleração econômica, em que o setor varejista amargou queda de 3% no primeiro trimestre deste ano e acumulou redução de 5,3% nas vendas nos últimos 12 meses, segundo o IBGE. 

Ninguém quer perder vendas, ninguém quer frear, cair, reduzir. E se crescer é a palavra de ordem, vender é o motor e o BI, o combustível. Abasteça-se.  

(*) CEO da BIMachine

 

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Artigo Sun, 24 Sep 2017 00:00:00 +0000