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Usuários controlam identidade digital com solução baseada em blockchain

Usuários controlam identidade digital com solução baseada em blockchain

Gemalto lança o Trust ID Network, solução de autenticação integrada à plataforma de blockchain Corda, desenvolvida pela R3. A ferramenta facilita a identificação de clientes junto a provedores de serviços, como as instituições financeiras.

Para reforçar a segurança dos dados e conferir autonomia aos usuários no uso de suas informações pessoais, aliando recursos de autenticação forte com os avanços da tecnologia blockchain, está sendo lançada no mercado a solução Trust ID Network, desenvolvida pela Gemalto em cima da plataforma de blockchain Corda, projetada pela R3.

A solução propicia a identificação inequívoca dos usuários de serviços digitais prestados por instituições financeiras, e-commerces, órgãos do governo (e-government) ou operadoras de telecom, entre outros possíveis players. Ao mesmo tempo, ela permite aos indivíduos determinarem quais dados pessoais serão compartilhados e com quem.

A meta, nesse sentido, é suportar, segundo define a Gemalto, a “autossoberania” das identidades. Ou seja, trata-se de possibilitar que o usuário crie e monitore seu próprio programa de ID Digital, detendo o controle absoluto de seus dados.

A tecnologia blockchain, neste desenho, viabiliza uma abordagem distribuída, apoiando o acesso a serviços digitais com base em identificações verificáveis e confiáveis, sem expor dados sensíveis à ação de hackers e outras ameaças cibernéticas.

Mais detalhadamente, a Trust ID Network cria uma Carteira Digital de ID (ID Wallet), na forma de um aplicativo móvel, que facilita o gerenciamento dos dados por parte do usuário, atribuindo-lhe assim a referida “autossoberania”.

Cenário digital complexo

Situando as premissas desta oferta, Gustavo Menezes, diretor comercial da Gemalto, destaca que a complexidade do cenário digital de hoje – com muitas redes e dados dispersos por vários pontos – requeria o desenho de uma solução que contemplasse simultaneamente duas demandas críticas: autenticação reforçada de cada pessoa e proteção dos dados.

“A ID Wallet garante a autenticação plena de um usuário, assegurando que ele é efetivamente quem diz ser. E proporciona o controle total de que informações ele vai compartilhar”, frisa o entrevistado.

Na prática, a ferramenta possibilita que os indivíduos, ao se cadastrarem junto aos prestadores de serviços digitais, não tenham que passar por processos repetidos de due diligence para cada um deles. Desta maneira, torna-se desnecessário entregar documentos separadamente para um banco, uma seguradora ou uma telco, entre outros fornecedores.

Segundo Menezes, o Trust ID Network, ao se basear em uma rede distribuída e segura de validação, faz com que a comprovação não mais se efetive a partir de entes separados, como por exemplo Secretaria da Segurança Pública e Receita Federal, que constituem silos isolados de informação.

Os consumidores podem acrescentar dados pessoais às suas identidades digitais, receber a certificação destas informações e dar consentimento para compartilhar as mesmas com provedores dos serviços selecionados. Apenas “atestados” emitidos por parceiros confiáveis são armazenados no serviço de blockchain, mantendo os dados pessoais sob domínio exclusivo dos usuários.

“O banco ou provedor podem atestar que uma rede de prestadores já comprovou a identidade de um cliente. O ecossistema criado é que realiza a validação, reforçando a confiança de todos os participantes”, resume o executivo da Gemalto.

Pela natureza de seus negócios, os bancos são apontados como os grandes impulsionadores potenciais destes ecossistemas de ID Digital Autossoberana, abrindo espaço para a disseminação de identificações universais certificadas por entes com credibilidade. A expectativa, aliás, é de que se possam compartilhar os custos com a gestão das identidades e ampliar cada vez mais os casos de uso.

Os benefícios trazidos para as instituições financeiras serão expressivos, nota Keiji Sakai, country head da R3. “Com informações mais acuradas e confiáveis, há economia de recursos e melhor eficiência operacional, com a mitigação de riscos e redução de perdas. O banco recebe os dados de um cliente já verificados por outra instituição. E, se um correntista mudar de endereço, não precisa apresentar sua conta de luz”, ilustra ele.

Maturidade da tecnologia blockchain

A condição para que esta ferramenta estivesse à disposição hoje, assinala Sakai, foi a própria maturidade alcançada pela tecnologia de blockchain: “Se antes havia mais expectativas do que realizações na área de blockchain, agora já se pode afirmar que a tecnologia está pronta para produção, com numerosos cases concretos de aplicação no mercado, em várias indústrias, com destaque para a financeira”, salienta ele.

Desenvolvida pela R3 e por um consórcio de mais de 200 organizações de todo mundo (entre as quais mais de 80 bancos), a plataforma open source Corda está em sua versão 3.2, servindo de base para a implementação da solução de segurança concebida pela Gemalto.

Na verdade, enfatiza Gustavo Menezes, a solução Trust ID Network é lançada em um momento particularmente favorável, em razão da entrada em vigor da GDPR (General Data Protection Regulation - Regulamentação Geral da Proteção de Dados) na União Europeia e da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP) no Brasil.

Ambos os dispositivos, em linhas gerais, buscam normatizar a utilização, o armazenamento, a proteção e a transferência de dados por parte das organizações. Daqui por diante, o mundo corporativo terá de redobrar esforços para resguardar as informações sob seu controle, ainda mais agora que casos graves de vazamentos estão vindo à tona.

“Normalmente, as leis vêm depois dos avanços tecnológicos. A Gemalto sempre procurou desenhar soluções independentemente das legislações. Assim, a Trust ID Network foi desenvolvida antes da GDPR”, pondera Menezes.

Complementando, Keiji Sakai nota que atender às normas europeias de proteção foi um importante desafio vencido pela tecnologia blockchain materializada na plataforma Corda: “Na concepção do Trust ID Network, os dados só são repassados para os nós autorizados, impedindo que eles fiquem amplamente dispersos, o que mostra que a Corda tem uma abordagem mais avançada do que outras tecnologias de blockchain”.

Tendo sido exposta e demonstrada na última edição do Ciab (feira de tecnologia bancária realizada pele Febraban), a solução da Gemalto/R3 deverá passar por pilotos ainda neste ano no Brasil e em outros países, em conjunto com vários parceiros.

As perspectivas de adesão, garante Gustavo Menezes, são bastante promissoras. “Ao proporcionar maior segurança das informações com autossoberania, o Trust ID Network vai melhorar a experiência dos clientes, uma preocupação central das empresas hoje”, conclui.

Gustavo Menezes, diretor comercial da Gemalto

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