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De volta ao passado?

De volta ao passado?

Teremos então um quadro que já vem sendo comparado ao último ano do governo de José Sarney, em 1989. É a “sarneyzação” do governo, que os norte-americanos chamam de lame duck

Os economistas têm dito que Michel Temer já foi “precificado” pelo mercado – ou seja, como ele deve mesmo ficar, a tendência é que a economia continue a crescer com números medíocres até a próxima eleição.  A menos, claro, que um fato novo surja, e os fatos novos surgem em velocidade cada vez maior.

 Está mais ou menos evidente que teremos até o fim de 2018 crescimento de 1 ou 2% por ano, o que está muito longe de significar recuperação de empregos  ou crescimento sustentável. A reforma trabalhista deve ser aprovada ainda neste ano, mas a da Previdência subiu no muro, e tudo indica que irá se resumir à implantação da idade mínima de 65 para as aposentadorias.

 O procurador geral da República, Rodrigo Janot, pode correr, mas não conseguirá os 342 votos de que precisa para que a Câmara dos Deputados autorize a abertura de processo contra o presidente da República pelo Supremo Tribunal Federal.  Teremos então um quadro que já vem sendo comparado ao último ano do governo de José Sarney, em 1989. É a “sarneyzação” do governo, que os norte-americanos chamam de lame duck, ou pato manco.

 Consiste a sarneyzação em um presidente da República praticamente sem capacidade de ação, desmoralizado no cargo e com imensas dificuldades para montar um ministério. Sarney teve que recorrer a amigos ou deputados de segunda linha. O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, um funcionário de carreira do Banco do Brasil, criou o chamado “Plano Verão” para empurrar o país com a barriga até a posse do futuro presidente, com salários indexados a uma inflação de 84% ao mês. A política que Maílson chamou de “feijão com arroz”.

 Com Michel Temer não haverá o problema da inflação.  A estagnação econômica impede a alta de preços, e abre caminho para a baixa acelerada de juros – estima-se que em julho haverá nova redução de 1%.  Mas reformas mesmo, para valer, apenas com um novo governo, com maioria sólida no Congresso Nacional.

 Os investimentos externos maciços em infraestrutura, portos, aeroportos, saneamento básico, ferrovias, só virão quando ficar claro o quadro sucessório no Brasil, e se houver a chance de vitória de um grupamento político realmente comprometido com as reformas modernizantes. Um candidato a presidente que compreenda a natureza da crise e que consiga uma maioria parlamentar sólida.

 Nada impede, porém, que um projeto populista e demagógico de poder consiga deslanchar, e aí o caminho seria o aeroporto.  Ou algo como a atual correlação de forças, de manutenção do status quo, do capitalismo de compadres, de subsídios e favores – enfim, o que levou o Brasil à atual situação.

 O drama brasileiro é que a esmagadora maioria do eleitorado não vota de forma estratégica, não tem informações suficientes para analisar o que é melhor para si próprio ou para o país.  A visão ainda é imediatista e sujeita a manipulações populistas, de falsas promessas e moralismo rasteiro.

 A moda agora é crucificar o PSDB, à base de velhos clichês, como o do partido “indeciso”, “em cima do muro”.  Mas não parece haver hoje outro partido político com capacidade de arregimentar quadros técnicos e esboçar um projeto nacional, inclusive na base da aliança com outros partidos.  Mas é cedo para qualquer análise de futuro.

 

 

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