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Tempos difíceis de transição

Michel Temer, presidente da República Michel Temer, presidente da República

O ódio, o preconceito e a irracionalidade se sobrepõem ao debate produtivo ou antagônico de ideias e ao respeito individual e coletivo

O ambiente político e nas redes sociais está quase irrespirável no Brasil, com radicalização, intolerância, rompimento de relações de amizade cultivadas por décadas e um nível baixo de debates.  Uma leitura diária dos jornais brasileiros e internacionais mostra que o problema não é apenas brasileiro. 

Um fenômeno como Donald Trump nos Estados Unidos é resultado do mesmo estado de coisas, em que o ódio, o preconceito, a irracionalidade, e as reações contrárias a tudo isso, se sobrepõem ao debate produtivo ou antagônico de ideias e ao respeito individual e coletivo. 

No caso brasileiro, as eleições do próximo ano podem ser um atenuante ou um agravante, a depender do tom da campanha. Uma simples data redonda, os 50 anos da morte de Che Guevara, deflagrou uma guerra virtual pela Internet. As pessoas se esqueceram de pensar e se movem por paixões e estereótipos ideológicos, à esquerda e à direita. 

O alinhamento é automático de acordo com os signos, não importa se a realidade é mais complexa do que apenas slogans e velhos chavões, nem se existem nuances e semitons. A classe política brasileira segue o mesmo rumo, com um tom belicoso e pessoal. Há o caso de ambições pessoais desmedidas, como a do prefeito de São Paulo, João Dória. 

A uma crítica política do ex-governador e ex-deputado Alberto Goldman, um dos fundadores do PSDB, João Dória respondeu com uma agressividade inusitada e de ordem pessoal, que mostrou uma surpreendente dose de preconceito e incapacidade pública de convivência. Pode ser o desespero de ver sua popularidade cair prematuramente.

Do outro lado do espectro político, o PT está decidido a lançar Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, mesmo que esteja condenado em segunda instância ao longo da campanha. O objetivo é que, elegendo-o, seja criado um impasse institucional, dentro da ideia do quanto pior, melhor.  

A presença do STF como agente político não tem colaborado para a pacificação dos espíritos. Ao contrário, o excesso de entrevistas, declarações e ativismo de alguns dos ministros do Supremo apenas exacerba os ânimos e cria instabilidade.  Esta segunda-feira marca o início da contagem de sessões para que seja votado o pedido de abertura de inquérito contra Michel Temer. 

É preciso que se resolva isso de vez, para que o país volte a caminhar, ainda que claudicante, com ou sem Temer.  E, para as eleições, é preciso que o país volte a debater saídas, rumos, consensos, para que os eleitores médios tenham clareza sobre tudo o que está em questão.

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