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Um cenário em que tudo é possível

Um cenário em que tudo é possível

Espaço de manobra do governo é cada vez menor, e várias decisões fundamentais para o ajuste do Estado brasileiro ficam mais e mais comprometidas

O resultado da votação sobre a segunda denúncia do ex-procurador Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer já pode ser antecipado:  será pelo arquivamento, como já aconteceu com a primeira. É possível que o resultado seja mais apertado, que indique uma base parlamentar menos sólida do presidente, mas não deverá haver surpresas. 

O problema é que o espaço de manobra do governo é cada vez menor, e várias decisões fundamentais para o ajuste e pela sustentabilidade do Estado brasileiro no futuro ficam mais e mais comprometidas. Por exemplo: quando apresentou o aumento do rombo nas contas públicas para 2017 e 2018, o governo anunciou também 11 medidas para controlar gastos. 

Entre essas medidas, estavam o congelamento dos salários do funcionalismo público e o aumento das contribuições previdenciárias dos servidores. Pois bem, nenhuma delas foi encaminhada ao Congresso até agora. É provável que Michel Temer esteja esperando o arquivamento da denúncia, uma forma de evitar marolas políticas neste momento político delicado. 

As despesas com pessoal cresceram 10,7% acima da inflação de janeiro a agosto, enquanto os gastos com Previdência Social subiram 6,7% no período. A dívida pública acompanha o rombo, e já há economistas prevendo que chegará a 100% do Produto Interno Bruto até 2020, se não houver uma reforma da previdência, mesmo paliativa, e um controle mais rigoroso dos gastos. 

Ninguém aposta mais na votação do texto original da reforma da previdência, mas é possível ainda aprovar a idade mínima, tão logo se desfaça o nó contra Temer e a crise Senado versus STF. Há uma força-tarefa, composta por economistas, consultores legislativos e parlamentares governistas, empenhada em definir uma versão menos ousada, com o aumento da idade para aposentadoria até 62 anos para mulheres e 65 para os homens.

O rombo nas contas públicas é a principal ameaça contra a mais do que possível aceleração do crescimento econômico do Brasil, como previsto pelo Banco Mundial. Há um grande espaço a ser ocupado com a capacidade ociosa deixada pela prolongada recessão. Além disso, a economia mundial está decolando, um novo ciclo sustentado de crescimento. 

Resta saber se o Congresso brasileiro levará tudo isso em conta, ou estará fixado apenas nas próximas eleições. O ideal seria que o próximo governo, a ser eleito em 2018, encontrasse um terreno mais propício, apesar do risco da vitória de um populista que desfizesse tudo. Por enquanto, o quadro é absolutamente nebuloso, imprevisível – ou seja, tudo é possível. 

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