Menu

Quem vai levar a bandeira das reformas?

Quem vai levar a bandeira das reformas?

O PSDB só cometeu erros políticos desde o impeachment, além dos desvios éticos que já vinham de longe. Aécio é hoje uma ferida aberta na imagem do partido.

Pelo seu tamanho e importância no período pós-democratização, o PSDB deveria ter maior protagonismo e ocupar naturalmente o espaço de centro no espectro político nacional.  Mas, como acontece com todo partido que incha, os tucanos se perderam pelo caminho ao assimilar gente sem o perfil e folha corrida adequados.  

E não só isso, alguns de seus principais líderes mostraram sua verdadeira face, como o senador Aécio Neves, que não deve ter espaço nem mesmo no lançamento do candidato do partido à Presidência da República nas próximas eleições.  Aécio é hoje uma ferida aberta na imagem do partido, que não sabe como administrar a sua presença. 

O PSDB foi fundado em 25 de junho de 1988, em plena Assembleia Nacional Constituinte, por um grupo de parlamentares paulistas que não aceitavam mais conviver no PMDB do estado com a liderança do então governador Orestes Quércia:  Mário Covas, a principal liderança, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e André Franco Montoro. 

A principal razão do rompimento com Quércia eram as acusações de corrupção contra o governador, o mau relacionamento que o grupo tinha com ele.  Covas, FHC, Serra e Montoro tinham um perfil ético e programático, de defesa do sistema parlamentarista, de soluções técnicas para os problemas nacionais, de combate ao patrimonialismo e ao fisiologismo. 

Eram de origens distintas. O respeitado ex-governador Franco Montoro era do Partido Democrata Cristão antes do golpe de 1964, e havia feito um ótimo trabalho na administração do estado, depois de eleito em 1982.  

José Serra era um economista da linha da CEPAL, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe, de linha desenvolvimentista, que defendia a industrialização e criticava o que chamava de “divisão internacional do trabalho”, que relegava os países latino-americanos à condição de produtores e exportadores agrícolas.  

Vigorosa liderança

Mário Covas era um engenheiro de discurso cartesiano, com vigorosa liderança, social-democrata, líder do MDB em 1968, e que vencera a eleição para líder do PMDB na Constituinte com grande imposição. FHC era um sociólogo com prestígio acadêmico, social-democrata.  Foram todos derrotados por Quércia na luta interna do PMDB. 

Parecia um caminho natural a chegada do partido ao poder. Covas disputou a presidência da República em 1989 e, depois de uma longa conversa com o empresário Roberto Marinho, fez um discurso em que pregou “um choque de capitalismo” no país. Um governo com viés liberal, privatizante. O próprio Covas não pareceu acreditar muito na proposta e, a partir dali, murchou como candidato, passou a omitir-se nos debates. 

O mundo vivia os últimos dias de guerra fria, e o empuxo posterior à Constituinte e ao governo Sarney levou quase automaticamente a uma polarização entre Collor e Lula. O PSDB seria, porém, a bola da vez em 1994, com o então ministro da Fazenda de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, selando um pragmático e eficaz acordo com o PFL. 

Depois de oito anos, o governo FHC deixou como herança uma transição pacífica e digna de governo, uma Lei de Responsabilidade Fiscal, um perfil modernizante, uma moeda forte e um tripé macroeconômico. Mas se perdeu pelo caminho, com algumas lideranças, como Aécio Neves, adotando as mesmas práticas que o partido renegara em Orestes Quercia.  

O momento para chegar mais uma vez competitivo à eleição era este. Mas o partido só cometeu erros políticos desde o impeachment, além dos desvios éticos que já vinham de longe. O debate sobre permanecer ou sair do governo é vazio, porque votar a favor de uma agenda de ajuste fiscal não depende de ter ministérios ou cargos.

O espaço de centro nas próximas eleições continua vago.

 

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

voltar ao topo
Info for bonus Review William Hill here.

Finanças

TI

Canais

Executivos Financeiros

EF nas Redes