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O fantasma da Grécia gigante

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil

A eleição do ano que vem será decisiva para o futuro imediato e estratégico do Brasil, que vive à beira do abismo

Geraldo Alckmin conseguiu em 2006, quando disputou a eleição presidencial, uma proeza quase inédita:  teve menos votos no segundo turno (37,5 milhões) do que no primeiro (39,9 milhões). Foi derrotado no segundo escrutínio por um Lula que vinha de um quase massacre público pelo escândalo do Mensalão. 

Naquela eleição, o PSDB foi impedido de lutar pelo impeachment de Lula por Fernando Henrique Cardoso – em parte porque realmente sempre teve simpatia por Lula, em parte porque apostava que o petista seria facilmente batido nas urnas –, a ideia era deixá-lo “sangrar até o fim”. 

Para 2018, Alckmin patina em meros 6% de intenções de votos, embora a campanha para valer esteja longe de começar – por enquanto, é só um ensaio.  E o PSDB faz o possível para cometer o máximo de erros neste momento complicado do país. O mais provável hoje é que Luiz Inácio Lula da Silva não possa concorrer, o que terá desdobramentos em uma batalha judicial. 

Sem Lula, o quadro torna-se ainda mais imprevisível, porque se avalia que Jair Bolsonaro poderá ser esvaziado como o “candidato anti-Lula”.  Sem o petista, o seu antídoto torna-se desnecessário, embora haja muitos grupos realmente convencidos em favor do ex-militar.  Outra incógnita é sobre a capacidade arregimentadora dos candidatos nanicos. 

O nanico da vez é o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que atropelou o processo ao descartar o PSDB e Geraldo Alckmin, mesmo precisando deles para aprovar a reforma da Previdência.  Foi um erro crasso, forçado pela precipitação e ansiedade. Meirelles tem pouquíssimas chances, até porque seu próprio partido renega a reforma da Previdência.  

Marina Silva não pode exatamente ser chamada de nanica, devido à grande votação que teve em 2014.  Foram mais de 21 milhões de votos, dois milhões a mais do que em 2010, um total de 19%.  Marina chegou a empatar com Dilma Rousseff em pesquisas, até sofrer um ataque brutal da petista, à base de mentiras e calúnias. Resta avaliar se a candidata da Rede manterá o desempenho ascendente da eleição anterior.  

Outros dois candidatos nanicos até agora têm suas pré-candidaturas desconhecidas pelos brasileiros comuns:  o veterano senador e ex-governador do Paraná, e desertor do tucanato, Álvaro Dias, hoje filiado ao Partido Verde; e o presidente do BNDES, o economista liberal Paulo Rabello de Castro, ligado ao PR.  Não poderão contar com a capilaridade de seus partidos, praticamente nula, apenas com seu desempenho na tevê e nos debates. 

Ciro Gomes, pelo PDT, é um nanico graduado, pela sua experiência como ex-candidato e pelo barulho que é capaz de fazer. Ciro chegou a fazer um bom papel inicial nas pesquisas para a eleição de 1998, mas destruiu-se a si próprio em entrevistas e declarações desastradas. 

É uma eleição decisiva para o futuro imediato e estratégico do Brasil, que vive à beira do abismo. No auge da crise da dívida externa brasileira, em 1982, o então czar da economia Delfim Netto dizia que “o Brasil não cairá no abismo, porque é maior do que o abismo”.  

Hoje, não temos o problema da dívida externa e a questão inflacionária está bem encaminhada. Mas corremos o risco de nos tornarmos uma Grécia gigante, com todos os danos sociais e estruturais que isso poderá trazer.

 

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