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Um país sem rumo

O Brasil está encolhendo, como mostra o Orçamento Geral da União encaminhado hoje ao Congresso Nacional. Pela primeira vez na história contemporânea, o orçamento é deficitário, demonstrando agora de forma oficial que as contas do governo não fecham e o ministro Joaquim Levy fracassou em sua tarefa de realizar um ajuste fiscal. O ajuste terá que ser feito na marra, uma troca de pneus com o carro em movimento, e não só o governo, mas também empresas e famílias vão precisar adaptar-se a um país mais pobre e reduzir suas perspectivas. Resta esperar para ver o Plano Plurianual de Investimentos, que prevê o que acontecerá com o Brasil entre 2016 e 2019, na visão do governo.

Todo o quadro nacional mostra como é estranho o Brasil: elegemos uma presidente da República que disse durante toda a campanha que não havia crise nenhuma e que acusou todo o tempo a oposição de pretender fazer justamente o que ela tenta, mas não consegue. Uma campanha recheada de mentiras, e tudo prossegue normalmente, apesar da crise política e de governabilidade instalada e que paralisa todo o país. Afinal, quem investiria em um cenário como o atual, em que ninguém sabe o que acontecerá nos próximos três meses?

O Brasil precisa se reinventar, não só estrategicamente, como país, em sua economia, em sua política externa, em seus objetivos nacionais, mas também politicamente. Não é possível que o atual presidencialismo de coalização, com quase 30 partidos, permaneça vigorando. A disfuncionalidade é evidente, já foi diagnosticada desde o início dos anos 90, mas não conseguimos consenso sobre um modelo mais adequado. É evidente também que a qualidade dos políticos brasileiros piorou muito ao longo desses últimos 25 anos, até chegarmos à tragédia recente que se abateu sobre o país. Os que descartam o parlamentarismo argumentam que nossos parlamentares e partidos são muito ruins para que se institua um sistema parlamentar de governo.

Continuar como está, porém, é insistir na doença. Toda vez que elegermos um presidente da República ruim, teremos que esperar quatro anos para corrigir o rumo. E seremos obrigados a conviver com maiorias parlamentares obtidas à base de verbas públicas, chantagens com o uso das emendas parlamentares ao orçamento e ministros de estado absurdamente incapazes para as tarefas que lhes cabem. Claro que a mudança do sistema terá que vir acoplada a uma reforma que reduza consideravelmente o número de partidos.

Chegamos a um ponto em que não há uma força política visível com um projeto nacional e, típico paradoxo brasileiro, é justamente esse vazio que vem garantindo o mandato da presidente Dilma Rousseff. Se vier o impeachment, ninguém aparentemente saberá o que fazer do espólio. Nossa cultura é a da busca permanente por um messias, e uma evidência dessa característica foi a passagem pelo Rio de Janeiro do ex-presidente uruguaio José Pepe Mujica, tratado por acadêmicos, classe média e políticos como um mensageiro divino. A explicação mais óbvia é a carência nacional por políticos éticos, honestos, confiáveis e desprendidos pessoalmente, que não façam uso do Estado em proveito próprio. Outra explicação pode ser a legalização do consumo de maconha. Mas talvez a principal causa da idolatria a Mujica seja a orfandade brasileira por um grande líder populista, depois do ocaso de Lula.

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