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Itaú BBA prevê duas quedas seguidas de 1.p.p. na Selic até 8,25%

Janet Yellen, presidente do Fed Janet Yellen, presidente do Fed

Sinalização do Fed de que vai elevar gradualmente os juros nos EUA traz alívio para os mercados

Havia muita expectativa no Brasil (desde o final de 2015) sobre o processo de alta dos juros nos Estados Unidos. Pois ontem o Federal Reserve anunciou o aumento de 0,25% ao ano para o intervalo de 0,75% para 1,00% ao ano dos Fed Funds, sugerindo ajuste gradual das taxas, com duas altas, em vez de quatro. Foi o suficiente para os mercados globais respirarem aliviados. Não haverá aumento brusco e contínuo dos juros que poderia sugar capitais para os Estados Unidos e fortalecer o dólar em excesso. Por isso, as bolsas subiram, como a Bovespa ontem e as asiáticas e europeias hoje, além de boa evolução nos preços das commodities e tranquilidade nos juros futuros e a maior queda do dólar ante o real em seis meses. Em outras palavras: não será o cenário externo que vai limitar o Copom no corte dos juros aqui.

Por isso, transcrevo aos leitores a publicação do Itaú BBA, de 14 de março (antes do anúncio do Fed):

“Na ata da última reunião do Copom, o BC sinalizou que uma possível intensificação da flexibilização dependeria da extensão do ciclo, que depende da ‘taxa de juros estrutural’ da economia brasileira, do comportamento da atividade econômica, dos fatores de risco (ambiente externo, choque dos preços de alimentos e recessão prolongada) e das projeções e expectativas de inflação.

Temos enfatizado que a autoridade monetária estava aberta à ideia de acelerar o ritmo de flexibilização para além dos 0,75 p.p. atuais, mas ainda precisava se convencer disso. O risco estava mais inclinado para um ritmo mais acelerado do corte de juros, em particular se o cenário externo se mantivesse benigno e os dados domésticos apontassem para um processo desinflacionário mais rápido e intenso.

Na última sexta-feira, a divulgação do IPCA de fevereiro, bem abaixo das nossas expectativas e do mercado, reforçou a forte tendência de queda da inflação. Ainda que sujeito a incertezas e erros de medida, o hiato do produto em terreno negativo tem aberto espaço para uma desinflação mais rápida dos preços livres, especialmente dos serviços e produtos industriais.

A queda maior do que esperada — e, especialmente, mais difundida — da inflação corrente teve impacto sobre as expectativas de inflação em 2017, que recuaram de 4,36% há uma semana para 4,19% na última divulgação do relatório Focus. Esta dinâmica inflacionária mais benigna deve ter impacto relevante sobre as projeções de inflação do Copom, sugerindo a possibilidade de um corte mais agressivo já na próxima reunião.

Diante da sinalização do BC de possível intensificação no grau de antecipação do ciclo de corte de juros, do quadro desinflacionário e da queda das expectativas, projetamos agora dois cortes de 1,00 p.p. (nas reuniões de abril e maio), dois movimentos de 0,75 p.p. (julho e setembro) e um de 0,50 p.p. (outubro).

Mantemos, no entanto, a nossa visão de que a taxa Selic deve terminar 2017 e 2018 em 8,25%. Os riscos para essa projeção são os mesmos que vislumbramos para a trajetória inflacionária, e parecem ser simétricos. Por um lado, o hiato do produto pode vir a se mostrar mais desinflacionário do que antecipamos atualmente. Por outro, um eventual aperto monetário nos EUA, caso seja mais agressivo do que o esperado, poderia ensejar depreciação cambial e, com isso, levar a uma piora do cenário inflacionário prospectivo.”

E a visão otimista do Bradesco, após o Fed elevar os juros de 0,25% para a faixa de 0,75% a 1,00%:

“Conforme o esperado por nós e pelos analistas de mercado, o Fed (banco central dos EUA) elevou a taxa de juros norte-americana em 0,25 p.p., levando-a ao intervalo de 0,75% a 1,00%, em reunião de política monetária realizada ontem (15.03). No comunicado, o Fed reconheceu que a inflação tem acelerado nos últimos trimestres, para variações próximas à meta de 2,0%. Entretanto, o núcleo da inflação, que exclui os preços da energia e da alimentação, mostrou pouca alteração e permaneceu abaixo da meta estipulada.

Nesse sentido, a inflação deve estar consistentemente acima da meta para requerer revisão de risco simétrico, o que demanda tempo. Além disso, a atividade econômica continua crescendo em ritmo moderado, e o mercado de trabalho seguiu se fortalecendo. Ademais, o documento reafirmou que a velocidade de normalização da política monetária irá depender do desempenho da economia. As projeções de PIB, inflação e taxa de juros do comitê permaneceram praticamente inalteradas, com ligeiras mudanças apenas em 2019 e no longo prazo.

Quanto à possibilidade de estímulos fiscais e da elevação das tarifas de importação dos EUA, a presidente do Fed, Janet Yellen, afirmou que a autoridade monetária aguardará a materialização de tais impactos sobre a atividade e sobre os preços.

Diante da expectativa de continuidade do ritmo mais gradual de normalização da política monetária, mantemos nossa projeção de mais duas elevações dos juros norte-americanos neste ano.”

Reação positiva das bolsas no mundo

Hoje, como assinalou o Boletim Diário do Departamento Econômico do Bradesco, “os mercados operam com tendência de alta nesta quinta-feira, após o Fed sinalizar que o ajuste das taxas de juros norte-americanas deve ser gradual. (...) O comunicado da decisão e a evolução das projeções dos membros do FOMC reduziram a preocupação do mercado com a possibilidade de uma alta mais rápida das taxas de juros nos Estados Unidos. Com isso, os mercados acionários asiáticos fecharam o pregão com ganhos, com destaque para a alta de 2,1% em Hong Kong”.

Na Europa, as principais bolsas operaram no campo positivo, enquanto os índices futuros indicam que as bolsas norte-americanas devem seguir a mesma tendência de valorização. O dólar aprecia ante as principais moedas dos países desenvolvidos, ao passo que as moedas dos países emergentes têm tendência de valorização (com destaque para o real). Esse cenário também impulsiona as cotações das commodities agrícolas e das metálicas industriais, que operam em alta. Os preços do petróleo, por sua vez, continuam subindo, após os dados oficiais confirmarem uma redução dos estoques norte-americanos na última semana.

No Brasil, em dia sem divulgação de indicadores domésticos relevantes, o mercado tende a seguir o movimento externo, com a valorização do real. Vale destacar que ontem o Banco Central anunciou a retomada dos leilões de rolagem dos swaps cambiais que vencem em abril. Por fim, o mercado de juros futuros deve continuar a refletir a decisão do Fed e permanecer atento ao cenário político. Ou seja, o cenário externo não vai impedir o forte corte dos juros.

Mãos à obra, Copom. Abril lhe espera.

P.S. Podia ter iniciado o processo com mais força em novembro, para não correr atrás do prejuízo (ou da inflação).

 

 

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