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Crise da carne abala confiança na recuperação da economia

Crise da carne abala confiança na recuperação da economia

Estardalhaço do noticiário colocou em xeque a atividade de exportação de proteína animal

A confiança de recuperação da economia, que tinha como um dos fatores de impulso a extraordinária supersafra agrícola – que está derrubando os preços da alimentação e dos serviços e seria um trunfo para o incremento das exportações de carnes de frango, suína e bovina (pelo baixo custo das rações animais) – foi abalada pela estabanada divulgação da operação da Polícia Federal sobre os frigoríficos brasileiros, na manhã de sexta-feira.

Das 4.850 unidades investigadas nos últimos dois anos, só 18 ou 19 apresentaram irregularidades consistentes e apenas uma unidade estava envolvida com a exportação. Mas o estardalhaço do noticiário – mal abordado pela mídia em geral, que não se aprofundou na apuração além dos fatos revelados pela PF – pôs em xeque a atividade de exportação de proteína animal, que rendeu US$ 14 bilhões na venda a 160 países em 2016 (excluídos peixes e crustáceos). Além de R$ 3,2 bilhões da exportação de couros, calçados e partes. Um duro esforço de conquista de mercados pode ser abalado.

Nos últimos 10 anos, o Brasil teve de comprovar que tinha erradicado a febre aftosa (ainda presente em áreas do NO, que não abatem gado para exportação) e atestar a sanidade do gado bovino, suíno e aves. O sucesso foi tal que no começo de 2016 os EUA liberaram a entrada da carne bovina in natura brasileira, passando a aceitar a carne oriunda de regiões onde o gado é vacinado contra a febre aftosa. Antes, só eram aceitas carnes de Santa Catarina, Estado considerado livre da doença sem vacinação. O mercado americano impõe cotas restritas, mas o selo sanitário era um trunfo, que poderia permitir a liberação da carne brasileira para outros países como Coreia do Sul, Canadá, Japão e México. A China abriu as portas em julho último.

O abalo da confiança já motivou medidas cautelares de vários países que suspenderam embarques de frango e carnes em geral, como Coréia do Sul, China e Chile. A União Europeia pediu explicações detalhadas sobre eventuais irregularidades nas empresas que exportam carnes para o continente europeu.

O trabalho de relações públicas e esclarecimento do presidente Temer – que ontem deu explicações diretas, acompanhado de vários ministros, aos embaixadores dos principais países importadores, aos quais convidou para saborear um churrasco de carnes brasileiras – terá de ser intensificado.

Pois é inevitável que a competição com os produtores dos EUA, França, Austrália, Argentina, Irã, México e Espanha – os maiores concorrentes do Brasil, que se apresenta como o maior exportador de carnes de aves e bovinos do mundo e o quarto no ranking das exportações de carne de porco – coloque em dúvida a qualidade das carnes brasileiras. No agronegócio, invocar questões sanitárias é um subterfúgio para não ferir as regras de livre concorrência da OMC.

Será uma pena se a confiança for abalada em pleno voo. O complexo das carnes foi a segunda fonte de receita cambial do Brasil em 2016, só perdendo para os US$ 24 bilhões do complexo soja e à frente dos US$ 13,3 bilhões do minério de ferro e concentrados, gerando bem mais empregos na cadeia produtiva.

Mas a semana ainda terá outras surpresas – independentemente das revelações da Lava Jato e das discussões de reformas, como a da Previdência, no Congresso. Na 4ª feira será divulgado o Relatório Bimestral de Avaliação de Despesas e Receitas Primárias, que trará as estimativas do governo para este ano. Também esta semana serão revelados os dados de arrecadação de impostos e contribuições de fevereiro. Tanto Bradesco como Itaú apostam numa arrecadação na casa de R$ 93,0 bilhões, o que representaria um crescimento real de 0,8% em relação ao mesmo mês de 2016. 

Na sexta-feira, o Banco Central divulgará a nota do setor externo de fevereiro. O Bradesco estima que a forte entrada de Investimento Direto no País (US$ 4,5 bilhões, segundo o Itaú) continuará compensando o déficit em conta corrente. Mas o Itaú é mais otimista e prevê superávit de US$ 400 milhões, contra déficit de US$ 1,9 bilhão em fevereiro de 2016. Uma boa notícia para compensar os dissabores da carne.

 

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