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Atacado se beneficia da alta na busca por crédito e queda na inadimplência dos varejistas

Victor Loyola, vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian Victor Loyola, vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian

De acordo com a Serasa, 1º semestre de 2017 indica aumento de 5,5% sobre o mesmo período do ano anterior

A procura por crédito dos varejistas junto ao atacado cresceu 5,5% no primeiro semestre de 2017, em relação ao mesmo período do ano passado. Para se ter um parâmetro de comparação, a demanda das empresas em geral por crédito caiu 4,5% no primeiro semestre de 2017, vis-à-vis o primeiro semestre do ano passado. Na comparação do ano de 2016 com 2015, o setor atacadista enfrentou o recuo de 13,8% da demanda gerada pelo varejista brasileiro. Os dados foram apresentados hoje, com exclusividade, no maior encontro da cadeia de abastecimento, realizado pela Abad – Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados.

Para o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian, Victor Loyola, diante da retração geral da demanda empresarial por crédito, ainda decorrente do desempenho da economia - com vendas e produção estagnadas e consequente diminuição na necessidade de capital de giro para a produção - os números captados pelo atacado podem ser comemorados. “O crescimento da demanda do setor sinaliza que a necessidade de abastecimento do varejo, principal cliente do atacado, está sendo retomada, com expectativa de melhoria no faturamento, volume e rentabilidade dos agentes de distribuição”, diz Loyola.

Entre as regiões do país, a Centro-Oeste foi a que mais evidenciou essa retomada, com crescimento de 27,4% no primeiro semestre de 2017, em relação ao primeiro semestre de 2016. Na comparação 2016 com 2015 registrou-se retração de 1,9% naquela região. No Sul, o aumento da demanda foi de 11,1% no primeiro semestre de 2017. A região havia apresentado desempenho negativo de 13,6% em 2016. “O desempenho de ambas as regiões pode ser atribuído à atividade agrícola, incrementada nos últimos meses em alguns Estados produtores”, assinala o executivo.

O Sudeste, responsável por metade da demanda por crédito dos varejistas junto ao atacado, também avançou 1,5% no primeiro semestre de 2017 sobre o mesmo período do ano anterior. Entre os anos de 2015 e 2016, a demanda por crédito na região foi 15,6% negativa.

No Nordeste, o aumento ficou em 1,4% na comparação semestral 2016/2017. Já na comparação 2015/2016, a demanda por crédito havia ficado no vermelho, em 16,1%. A região Norte foi a única que manteve o desempenho negativo no primeiro semestre de 2017, com 4,8% de retração. Entre 2015 e 2016 a queda ficou em 8,8%.

Os Estados de Goiás (48,6%) e Mato Grosso (31,6%) apresentaram as maiores expansões na demanda por crédito no primeiro semestre de 2017. “O incremento da renda local, devido o avanço da agropecuária, é um dos fatores que impulsionaram o aumento mais significativo nesses Estados”, explica Loyola.

Já na contramão da recuperação da demanda nacional, os Estados de Rondônia (-39,0%), Amapá (-36,2%), Maranhão (-23,4%), Acre (-19,0%), Piauí (-18,9%), Minas Gerais (-8,9%), Pernambuco (-8,6%) e Amazonas (-0,2%) retrocederam na busca por crédito nos primeiros seis meses deste ano.

Cenário mais otimista

Com a queda da inflação, gerando maior poder de compra dos consumidores de baixa renda, o varejo reativou sua demanda junto a seus fornecedores e, consequentemente, possibilitou o pagamento de dívidas em atraso. A inadimplência varejista recuou 7,2% entre janeiro e junho de 2017 em relação a igual período do ano passado.

O declínio foi mais expressivo que o recuo da inadimplência da economia em geral, de 6,4%. Em relação às regiões, a inadimplência do varejo registrou queda no período em todas: -5,3% no Sudeste, -11,2% no Sul, -10,3% no Nordeste, -1,1% no Norte e - 10,8% no Centro-Oeste.

Entretanto, mesmo com a recuperação da atividade, o cenário de inadimplência e risco de não pagar as contas em dia continua crítico para os atacadistas. O percentual de empresas do atacado inadimplentes subiu de 14,3%, em junho/2016 para 19,2% em junho/2017. Os atacadistas com alta probabilidade de inadimplência nos próximos seis meses representavam 27,2% em junho de 2016 e passaram para 26,7% em junho de 2017.

“O crescimento interanual do grupo de atacadistas em situação de inadimplência ganhou espaço sobre as demais categorias de risco. Um semestre de recuperação moderada não foi suficiente para reverter todo o impacto gerado na cadeia de abastecimento ao longo dos últimos dois anos de crise no consumo doméstico”, constata o vice-presidente da Serasa Experian.

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