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Brasileiro está mais disposto a tomar crédito, mostra pesquisa

Brasileiro está mais disposto a tomar crédito, mostra pesquisa

Para a Acrefi, dados levantados podem indicar retomada e maior estabilidade na economia

Pesquisa realizada pela Acrefi em conjunto com a Kantar TNS mostra que cresce o percentual de brasileiros dispostos a tomar crédito: 20% dizem estar propensos a fazê-lo. Esse índice chegava a 18% em outubro de 2015 e a 13% em abril deste ano. A propensão a consumir do cidadão impacta no sistema como um todo, que ao ficar travado acaba elevando o custo do dinheiro.

Em relação ao tipo de crédito que o consumidor está disposto a tomar, o financiamento de automóveis subiu de 31% em abril para 37% em junho. No mesmo período, a opção de crédito direcionado à compra de imóveis aumentou de 27% para 36%. “Isso significa, felizmente, que a economia está em melhores condições, com cenário positivo no longo prazo”, resume Hilgo Gonçalves, presidente da Acrefi.

Sobre o endividamento do consumidor, nos três últimos levantamentos desde abril de 2015, o índice ficou acima dos 30% para os que estão com as contas em dia. É um número positivo, em relação ao período de abril de 2015 a junho de 2016.

Denominada Perspectivas, a pesquisa trimestral revela que o brasileiro ainda está bastante inseguro sobre a conjuntura do País. No que diz respeito aos investimentos e às contas pessoais, há melhora no ânimo da população: 47% dos respondentes manifestam crença na retomada da economia a partir de 2018. Outros 47% disseram não saber. Porém, 6% confiam que a situação no País pode melhorar ainda no segundo semestre deste ano.

Entre os entrevistados, 38% afirmaram que situação do Brasil está péssima nesta nona edição (onda), contra 41% na oitava onda e 43% em julho do ano passado. A situação está boa para 17% em junho deste ano, contra 20% em abril e 16% em julho de 2016. Para 32%, o Brasil caminha na direção errada, outros 20% a consideram certa e 48% não sabem. Em abril, os percentuais foram de 33%, 22% e 46%, respectivamente.

Otimismo e pessimismo

Sobre o que as pessoas pensam da situação do Brasil, o índice de otimismo, apontando para melhora, é maior entre os homens, nas faixas entre 35 e 45 anos e 46 e 55 anos. Por outro lado, o índice de pessimismo, indicando piora, é maior entre as mulheres, na faixa entre 56 e 65 anos. Essa tendência não muda ao longo dos períodos. A percepção de estabilidade no consumo das famílias mostrou alguma recuperação, indicada por 30% dos respondentes, contra 26% do levantamento de abril deste ano.

Na pesquisa, 30% dos entrevistados considera que o consumo das famílias se encontra em um nível igual, contra 26% da amostra anterior.  Outros 18% indicam que vai melhorar e 51% que vai piorar. Sobre o emprego, 67% não estão seguros quanto à sua manutenção, contra 61% em outubro e 64% em abril deste ano. Para 72%, o desemprego vai aumentar, quando em março deste ano esse índice chegava a 84%.

Nicola Tingas, economista da Acrefi, considera que a recessão foi brutal, com longo e pesado impacto: "A desalavancagem das famílias tem sido um processo difícil e doloroso, mas elas têm andado na frente". Para ele, com o afastamento de Dilma e o começo do governo Temer, a política econômica se mostra mais consistente, pois anteriormente havia muita insegurança na área.

Sobre a vitória de Temer na Câmara (no primeiro processo movido pela Procuradora Geral da República), Tingas considera que o mercado tem monitorado, desde a crise de 17 de maio, o quanto a política econômica se mantém intacta no sentido de fixar a prioridade na política fiscal.

“Se estamos tentando solucionar ou adequar ao longo do tempo o problema fiscal, estamos em uma direção correta. Ajustando as expectativas em relação à dívida pública e contas fiscais ao longo do tempo, conseguimos atrair os capitais estrangeiros e, com o governo anunciando a retomada de algumas concessões, começamos a retomar uma agenda de infraestrutura”, comenta.

Outras medidas microeconômicas, lembra ainda o economista, devem começar a surgir. “Devemos condicionar o ambiente para que os negócios e a intenção de investimento voltem e isso começa a alavancar a economia. Esse processo vai permitindo essa retomada”, acrescenta.

Padrão de comportamento

As famílias, analisa a Acrefi, têm mostrado um padrão correto de comportamento, buscando usar de cautela, cuidar do dinheiro e sanear a vida financeira. Há consistência no crédito para PF e para pequenas e médias empresas. Nas famílias, há pequenos sinais de  saneamento no orçamento, com a intenção de adquirir bens duráveis.  “A expectativa é  favorável para a retomada de crédito, mesmo gradual, se tivermos ambiente político com menor espaço para incerteza”, enfatiza Tingas, dizendo que estamos no limiar do que se espera ser um ciclo.

Para o economista, está em curso o maior esforço geral para ajustar as finanças desde 2013: "O sistema e o consumidor passaram a ter mais cautela. Vemos uma queda consistente no endividamento das famílias e um movimento rumo a um orçamento mais sadio. O consumo de coisas básicas mostra expectativa de melhora”.

A inflação, que tem impactado no consumo de 96% dos entrevistados, também deve arrefecer nos próximos meses, segundo Hilgo Gonçalves. “A inflação já atingiu patamares inferiores a 4,5%, criando boas condições para a manutenção da queda da taxa de juros. São dados positivos que sinalizam que a economia começa, aos poucos, a se descolar dos acontecimentos políticos”, ponderou o presidente da Acrefi.

Quando os entrevistados foram questionados sobre o que é importante para uma melhora de sua situação financeira, as alternativas de conseguir um emprego e melhorar o orçamento empatam em 12%, entre as dez opções sugeridas na pesquisa. “Isso nos permite inferir que o posicionamento das ações da Acrefi segue na direção correta, pois estamos focados em iniciativas em favor da sustentabilidade de crédito e da educação financeira”, frisa o presidente.

A respeito do cadastro positivo, o dirigente observa que a expectativa é de que, quando o sistema for implantado para suportar a tomada de decisões, haverá maior previsibilidade, com uma inadimplência menor, prazos mais longos e spreads ou taxas menores. “Será o crédito com mais um viés, diminuindo a fatia do risco. Um dos principais componentes do custo ainda é a inadimplência”, conclui.

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