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Pedro Parente detalha estratégia para recuperar a Petrobras

Pedro Parente detalha estratégia para recuperar a Petrobras

Estatal pensa em encaminhar proposta de IPO da BR Distribuidora ao conselho

“A Petrobras foi vítima de um esquema de corrupção que se instalou e não teve qualquer benefício.” Focado em mostrar o processo de transformação e os desafios que a Petrobras enfrenta desde que assumiu a gestão da estatal, o presidente Pedro Parente apresentou as medidas para reduzir o endividamento e reiterou a importância de que a Petrobras tenha uma estrutura de governança corporativa. Esses temas foram abordados no encerramento do 19º Encontro Internacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, promovido em São Paulo.

Segundo Parente, a empresa pensa em fazer o IPO da BR Distribuidora. “A diretoria concluiu que o melhor encaminhamento é propor ao conselho o aprofundamento dos estudos em relação ao tema”, disse. A abertura de capital depende do sinal verde do Conselho de Administração e o assunto deve ser discutido a partir de julho.

Em sua apresentação, Parente apontou os outros problemas que, além da corrupção, contribuíram para que a estatal tivesse uma relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em português) superior a 5 vezes no final de 2015.

“Além da corrupção, a política de preços abaixo da paridade nacional e decisões erradas de investimentos agravaram a situação”, acrescentou Parente. Essa relação tem caído e chegou a 3,5x no terceiro trimestre de 2016 e a meta é manter em queda a alavancagem chegando a 2,5 vezes em 2018. “Minha visão pessoal é que a relação não seja superior a 1,5x.”

Foco em óleo e gás

Para corrigir a rota da companhia, Parente disse que foi necessário “revisitar a visão da empresa” e focar na produção de óleo e gás nos próximos cinco anos. “Assim a empresa terá condições de gerar valor para os acionistas, stakeholders e garantir sua sustentabilidade.” Ela concentrou-se no seu know how reconhecido que é o de extração de petróleo em águas profundas. Para atingir as camadas do pré-sal, os poços já têm 5 mil metros de profundidade.

De outro lado, o comando da estatal está atento às metas de redução de emissões e a busca pela eficiência energética propostas na Conferência de Paris. “Vamos apostar em outras fontes de energia. É nosso dever de casa, mas isso está previsto após os cinco anos”, explicou.

A segurança com as pessoas também foi enfatizada no seu planejamento estratégico, além das métricas financeiras. A estatal já alcançou o índice de 1,09 de acidentados por milhão de horas trabalhadas.

As dívidas da companhia geram também uma conta alta com o pagamento de juros, que superam os US$ 6 bilhões. “O valor é equivalente ao custo de uma plataforma completa do pré-sal para a extração de 150 mil barris/dia”, comparou Parente.

Desde outubro passado, a Petrobras adotou nova política de preços que prevê a revisão mensal. Mas, um dos desafios das commodities é conciliar a equação que combina a oscilação cambial e a variação dos preços internacionais. Por isso, a Petrobras avalia aumentar a frequência dos ajustes nos preços dos combustíveis.

Governança em alta

O processo de recuperação envolveu a redução de gastos operacionais, reorganização de processos e a reestruturação organizacional que, segundo Parente, culminou com a redução de mais de 50% dos colaboradores e terceirizados, que já chegou a 400 mil.

O programa de parcerias e desinvestimentos chegou a US$ 13,6 bilhões no biênio 2015-2016. “Tivemos de interromper por discussões tributárias com o Tribunal de Contas da União. O programa está a pleno vapor para 2017-2018, quando totalizará US$ 21 bilhões”.

Em maio, a produção média de petróleo e gás foi superior a 2,8 milhões de barris, conferindo ao Brasil a liderança na América Latina. “A produção do pré-sal é um recorde, totalizando 1 bilhão de barris em seis anos”, comemora.

Ele destacou ainda o esforço da Petrobras em adotar regras de compliance para que ela venha a ser reconhecida como referência ética. Além de enfatizar o respeito aos minoritários, ele lembrou que os membros do conselho são 100% independentes. Entre outras medidas, nenhum diretor tem o poder de decidir de forma isolada e hoje é feita a verificação de fornecedores.

“Buscamos mecanismos de blindagem da estatal para evitar fatos lamentáveis do passado”, ressaltou. Outro objetivo é que a empresa esteja adequada ao nível 2 de governança. “Temos de lembrar que determinadas situações nenhuma empresa consegue evitar. O importante é ter mecanismos internos que ajudem a identificá-las”, disse Parente.

Como exemplo, ele mencionou o canal independente de denúncias que, hoje, é realmente reconhecido como independente. Quando questionado se a privatização não seria uma saída, Pedro Parente foi enfático. “A privatização não é o melhor caminho. Trata-se de um tema passional e que não atende o interesse da empresa no momento.”

 

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