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Para crescer na área tecnológica, esqueça o Vale do Silício

Piero Contezini é CEO da ASAAS Piero Contezini é CEO da ASAAS

Se você quer fazer um negócio de impacto realmente grande, pense em algo que possa servir em diversos países

(*) Piero Contezini 

Visitar o Vale do Silício deve ser uma das experiências mais engrandecedoras para qualquer entusiasta da tecnologia. De carros elétricos a redes Wi-Fi públicas de alta velocidade, o lugar oferece uma estrutura que faz o visitante pensar que está em uma viagem ao futuro, principalmente se ele vem de terras tupiniquins.

 Neste ano tive a oportunidade de atender ao maior evento voltado para empresas que fornecem Software como Serviço (SaaS, na sigla em inglês). O SaaSTR aconteceu em São  Francisco, e a edição 2017 foi a maior da história: mais de 10 mil pessoas passaram por lá em três dias. Elas foram em busca do conhecimento que estava sendo transmitido nos auditórios pelos quase cem palestrantes, que abordaram praticamente todos os tópicos de interesse das empresas de tecnologia. As palestras me ensinaram coisas que se fosse aprender sozinho, demoraria vários anos.

 Estou acostumado a ir em eventos no Brasil, e ao falar sobre a forma como meu negócio funciona, geralmente tenho de explicar termos e informações essenciais sobre ele para gente extremamente envolvida com o ecossistema brasileiro. Lá não. Milhares de pessoas com as quais falei sabiam minimamente alguma coisa sobre o que eu fazia, quais os principais indicadores que posicionam meu negócio como algo relevante e até me deram feedbacks muito interessantes sobre assuntos bem complexos do meu dia-a-dia.

 Entre os pontos que me chamaram a atenção, destaco abaixo os que considero mais úteis para o mercado das startups brasileiro: 

  • Viva o Vale, mas monte companhias fora dele: muitos dos investidores e empreendedores colocam que a competitividade por talentos e espaço físico no Vale do Silício levam a um ambiente extremamente hostil para a criação de novas companhias, visto que as existentes absorvem toda a oferta disponível. A recomendação é que você deve passar muito tempo por lá, mas montar equipes em locais distantes e com menos demanda, principalmente técnicas. Nesses locais você poderá atrair o capital humano necessário para criar uma grande companhia; 
  • Faça para o mundo ou volte para a sua casa (Go global or go home): no Vale, tudo deve ser pensado para servir o mundo. Se você quer fazer um negócio de impacto realmente grande, pense em algo que possa servir em diversos países. Só assim você vai conseguir deixar a sua marca na história, pois nos dias de hoje, um único país não tem mercado suficiente para criar companhias realmente grandes; 
  • Software sem interface é a tendência dos próximos anos: apesar de ser incomum para nós que falamos o português, 20% de todas as buscas feitas no mundo atualmente são feitas por voz, Além disso, carros e relógios inteligentes tendem a ser a maneira mais fácil de utilizarmos aplicações no futuro, então se você pretende realmente impactar o planeta, pense em coisas que não precisem de interface de usuário; 
  • A eficiência de capital deve ser a métrica mais importante dos negócios: em um ambiente onde os valuations das empresas foram diminuídos consideravelmente e há escassez de capital, pense sempre no faturamento por real investido. Quanto mais próximo do positivo for, maiores são as chances de você captar investimento em estágios posteriores.
    Sabendo disto, você acha que está pronto para criar algo de alto impacto no Brasil? Se sim, nos falamos no SaaSTR de 2018. Até lá! 

(*) CEO da ASAAS

 

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