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Fundos de investimento no Brasil: o que mudou nos últimos cinco anos

Eduardo L’Hotellier, CEO e fundador do GetNinjas Eduardo L’Hotellier, CEO e fundador do GetNinjas

O sucesso das primeiras startups a atuarem no país tem motivado cada vez mais os empreendedores a se lançarem no mercado com suas ideias

Eduardo L’Hotellier (*)

Quando o GetNinjas começou, em 2011, pouco se falava sobre fundos de investimentos no Brasil. Para um empreendedor em busca de financiamento, os desafios eram muitos e incluíam a presença de um número pequeno de investidores no país. De lá para cá, as coisas evoluíram bastante. Para as startups daquele tempo, foi preciso lutar muito para se estabelecerem no mercado e, consequentemente, deixarem um pouco mais de conhecimento para quem está começando hoje.

Há cinco anos, havia menos fundos de venture capital atuando no Brasil, tanto para Seeds quanto para Series A. Apesar de muitos empreendedores já se lançarem no mercado naquela época, poucos atuavam na área de tecnologia. Era mais comum também vermos captações sem que o empreendedor tivesse um MVP (Minimum Viable Product) já no ar.

Apesar disso, o pouco que já começava a engatinhar no cenário de investimento para startups no Brasil contava com rodadas bem menores e com pre-money valuations, valorização da empresa antes de um investimento, muito inferiores ao que se pratica hoje. Os poucos investidores que já atuavam no país buscavam negócios similares aos que eles já conheciam em outros mercados.

Esse comportamento ainda existe, e é comum que exista em qualquer país fora dos EUA, porém as soluções lançadas no Brasil hoje já nascem mais “tropicalizadas” e adaptadas à realidade local. O conceito copycat, cópia de negócios idênticos aos modelos pré-existentes, foi perdendo um pouco de força por aqui e conheço alguns investidores que até fogem dessas cópias.

Por isso, mesmo com conhecimento limitado sobre o comportamento dos investidores, no meu início como empreendedor sempre considerei muito importante divulgar o GetNinjas para o mercado. A estratégia foi boa e ajudou para que o primeiro investidor nos conhecesse e, posteriormente, fizesse contato comigo pelo LinkedIn para saber mais sobre o negócio.

Quando analisamos o Brasil em relação à América Latina, temos boas surpresas. O país lidera os investimentos, figurando como o principal mercado de risco da região, tanto em termos de captação de recursos quanto de investimentos. Com isso, temos conseguido despertar uma atenção cada vez maior dos investidores internacionais.

O Brasil também lidera a região em número de pessoas conectadas à internet, sendo que os brasileiros são os que passam mais horas conectados, em comparação com outras populações, de acordo com dados da comScore.

Nos últimos cinco anos, os investimentos de Venture Capital vêm crescendo fortemente por aqui. Segundo dados da LAVCA (Latin American Private Equity & Venture Capital Association), apenas em 2015 o Brasil alcançou USD 594 milhões, investidos em mais de 182 negócios. Isso tudo ocorreu apesar da crise econômica e política que o país enfrentou nos últimos anos. A projeção de crescimento nas transações de VC na região são ainda mais otimistas, com 46% ao ano.

O sucesso das primeiras startups a atuarem no país - e que se tornaram referências nacionais -, como Nubank, Viva Real, Conta Azul e Loggi, tem motivado cada vez mais os empreendedores a se lançarem no mercado com suas ideias. De olho nesses novos negócios, até mesmo investidores tradicionais do Vale do Silício já começaram a olhar de forma especial para o Brasil.

O Founders Fund, por exemplo, estreou na Latam investindo na Jusbrasil e no Nubank. A Netshoes, por sua vez, acaba de fazer um pedido de IPO, oferta pública de ações, na Bolsa de Nova York. A 99Taxis recebeu um aporte da R$ 320 milhões da chinesa Didi Chuxing, no início deste ano, sendo um dos maiores até então feitos em startups brasileiras. Hoje, a estimativa é que a empresa valha mais de R$ 1 bilhão, de acordo com matéria publicada pela IstoÉ Dinheiro.

O acesso à informação também tem facilitado bastante a vida dos empreendedores, em especial os iniciantes. Com grande frequência são realizados eventos que promovem trocas produtivas de informações e contatos, como o SP Stars - organizado pela Prefeitura de São Paulo -, e os startup weekends - onde os empreendedores iniciantes encontram quem já captou e podem tirar dúvidas.

Isso tudo mostra que o empreendedorismo já está mais maduro no Brasil. Se há cinco anos os que se arriscavam a deixar carreiras tradicionais para empreender eram considerados loucos, hoje a posição já tem um reconhecimento maior e até certo glamour. Penso que se eu tivesse começado um negócio hoje, os meios seriam muito mais fáceis, mas sem dúvida não teria aquela adrenalina alucinante que me fascinou no passado.

(*) CEO e fundador do GetNinjas

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