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Caso Petrobras coloca em questão a governança das empresas

Caso Petrobras coloca em questão a governança das empresas

Boas práticas de “compliance” devem estar incorporadas ao DNA das organizações

O escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e um bom número de empreiteiras renomadas evidencia a existência de um enorme descompasso entre as supostas políticas de boa governança apregoadas pelas empresas e as práticas concretas adotadas por elas, as quais, como está a se ver, pautaram-se por irregularidades de toda ordem.

Fato notável é que os delitos imputados (formação de cartel, oferta de vantagens indevidas, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, entre outros) foram de responsabilidade das altas cúpulas dirigentes das organizações. Que análise então se poderia fazer desses eventos, do ponto de vista das áreas de controle, auditoria e gestão empresarial?

De início, Rogéria Gieremek, consultora global do Programa de Compliance da Serasa Experian, frisa que “as boas práticas de ‘compliance’ vão muito além de códigos de condutas e regras maravilhosamente bem escritos. É necessário que sejam para valer”. Os procedimentos corretos, prossegue ela, devem ser incorporados ao DNA das empresas, por meio de palestras, treinamentos constantes, lembretes e comunicações, entre outros recursos.

“Um sólido programa de ‘compliance’ pode, desta maneira, ajudar a evitar atos de corrupção. Se estes forem praticados, deve-se detectá-los, tratá-los e adotar planos de ação a fim de impedir que se repitam”, preconiza.

No esforço de conformidade às regras, lembra a entrevistada, o primeiro e mais importante tópico é que haja o chamado “tom at the top”, que consiste na mensagem que é passada aos colaboradores pelos principais executivos: “Essa mensagem deve enfatizar o fato de que somente serão aceitos negócios limpos, sem nenhum tipo de favorecimento indevido”.

Em vista da imensa repercussão dos eventos denunciados na Petrobras, com a possibilidade de que sejam aplicadas duras punições, a perspectiva é de que, doravante, haja efetivamente maior empenho do mundo corporativo no sentido de robustecer suas políticas de governança.

No entender de Rogéria, o caso em questão, pelos volumes de dinheiro desviados, pelo porte das organizações investigadas, pela forma como estão sendo tratados os suspeitos – milionários ou não –, já está desencadeando uma mudança positiva.

“O grande problema da corrupção é a ideia da impunidade. A certeza da punição é um expressivo fator coibidor das ilegalidades. As empresas devem fortalecer os seus programas de ‘compliance’ e adotar práticas eficazes de governança corporativa. Isso é o que se espera para o futuro”, conclui a especialista da Serasa Experian.

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