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Empresas enfrentam desafios para implantar a cultura da inovação

Empresas enfrentam desafios para implantar a cultura da inovação

O programa de open inovation, da Accenture, faz a conexão das startups com as grandes empresas

Com histórico de sucesso e empreendedorismo voltado à inovação na área de serviços financeiros,  Guilherme Horn,  dirige a área de Inovação na Accenture na América Latina. Diferente do tradicional executivo de empresa, Horn empreendeu até a casa dos 50 anos. Seus primeiros trabalhos foram como programador. Anos mais tarde, no começo da internet, foi sócio da Ágora, vendida para o Bradesco. Em seguida, montou um fundo de Venture Capital, que se tornou uma empresa na nuvem. Com isso, segundo ele, montou a primeira plataforma de investimentos digitais 100% na nuvem do mundo. Depois de dois anos, o negócio decolou. Em 2014, vendeu a empresa e decidiu ingressar na Accenture. Hoje é investidor anjo em 37 startups. 

 Sua fome por empreendedorismo era alimentada pela vontade de fazer algo, e aquilo acontecer. Em uma empresa grande, não é exatamente assim, e isso o incomodava. Agora, do outro lado, Horn sabe que assim como as pessoas, as empresas são presas ao dia a dia, e repetem coisas. Esse é um dos desafios de uma empresa para inovar. A inovação em uma empresa depende de três elementos. O primeiro deles é a governança ou top down. Se ela não vier de cima, ela não acontece, ou seja, precisa partir do CIO. Outra estrutura que suporta a inovação é o mind set ou cultura de inovação. "Se pessoas com uma cabeça diferente não são trazidas, é muito difícil mudar a cultura da empresa. Sem uma cultura propícia para a inovação, não se transforma a empresa em inovadora", analisa Horn. 

 Dentro de uma companhia, outro pilar da inovação são os incentivos. "Todos os executivos têm as metas para bater e se inovação não for uma das metas, ele não vai correr atrás da inovação", afirma. Além disso, inovação envolve risco. "Não se consegue inovar sem correr o risco de errar", destaca. Deste modo, a falha dentro de uma startup é parte de um processo. "Quem trabalha dentro em uma startup sabe que só consegue desenvolver produtos, falhando. Cada vez que ocorre uma falha, se olha aquilo como um aprendizado. Aquilo não é o fim de um processo, mas parte dele. Levar essa cultura para dentro de empresas não é simples", admite. 

 Objetivos 

 Com Horn, a área de Inovação da Accenture tem hoje nove iniciativas, com três objetivos maiores. O primeiro desafio é mudar a cabeça das pessoas internamente, ou criar um mind set de todas as pessoas dentro da empresa para esse mundo digital. Também está no alvo da Inovação mudar o posicionamento da empresa no mercado. Na visão de Horn, a Accenture é conhecida não pela inovação, mas pela implantação de grandes sistemas como SAP. A terceira meta maior é levar inovação de fato aos clientes. 

Horn explica que todas as indústrias estão passando por disrupções não só com Uber (transporte), Netflix (filmes) e Tesla (carros). "As que ainda não passaram vão passar. Como nós antecipamos e levamos inovação para os clientes?", indaga. Sendo assim, treinamentos internos e programas de co-criação de inovação com os clientes em centros de inovação em todo o mundo têm essas três premissas. 

 Open inovation

 Um programa de open inovation faz a conexão das startups com as grandes empresas. Pela estimativa de Horn, hoje existem mais de 150 mil startups no mundo conectadas ao hub open inovation, disponíveis para participarem de projetos com funcionários e clientes da Accenture. "A ideia é levarmos para os clientes o que há de mais inovador no mundo", diz o diretor. Nessa toada, uma startup de Campinas foi levada para um projeto na Austrália, mais uma do Canadá para Cingapura e outra de São Paulo para a China. Na opinião do executivo, o que diferencia a Accenture de todos os concorrentes é o hub de open inovation. 

 Confiança 

 A Accenture fez uma pesquisa com 120 CIOs do mundo todo e perguntou: se ele tiver uma grande ideia como ele a desenvolve? A pesquisa tinha 10 possíveis respostas. No 1, a resposta era: faço tudo internamente, não conto para ninguém e desenvolvo dentro da empresa esse novo produto. No 10 era o contrário: chamo todos do ecossistema, as startups, universidades, centros de pesquisa, todos que quiserem desenvolver a ideia junto. Perto do 10, ficaram Europa e Estados Unidos. A Ásia ficou no meio do caminho. No Brasil quase 83% ficaram no 1. "Isso acontece por uma questão de confiança. O brasileiro tem uma desconfiança nata e não confia nas pessoas", explica Horn. "Não acreditamos em compartilhar uma ideia e que isso vai se reverter em benefícios para a empresa", prossegue. A conclusão da pesquisa é que isso impacta profundamente na capacidade de inovação do Brasil. 

 Nos dias de hoje, não há barreiras. Uma concorrência pode ter empresas do mundo todo, assim como a contratação de um funcionário. "Abrimos uma vaga e um candidato europeu ficou animadíssimo em vir trabalhar no Brasil", ilustra. De acordo com o executivo, no Vale do Silício, quem tem uma ideia, sai conversando com o maior número de pessoas possível sobre aquela ideia para testar, validar e ver se aquilo faz sentido. E depois, parte para a execução. "Sabemos que a ideia não vale quase nada, o que vale é a execução." 

 Riscos

 Uma vez que inovação envolve riscos, primeiro é preciso saber onde corrê-los. "Não dá para correr o risco em um projeto que está em andamento com margem apertada e prazo para entregar. Tem uma grande diferença entre projetos que endereçam o core de um cliente e projetos que não endereçam o core. Inovar no core pode ser interessante, mas o risco é muito alto. Temos sucesso com startups que automatizam departamento jurídico, têm uma nova forma de contratação para o RH e startups que não estão fazendo disrupção no core, mas em áreas isoladas. Isso é uma forma de evitar risco", aconselha. 

 


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