Menu

Fintechs ainda caminham para o amadurecimento no Brasil

Márcio Kogut, fundador e CEO da Kogut Labs Márcio Kogut, fundador e CEO da Kogut Labs

Abertura de conta, cartão de crédito digital, empréstimos, pagamentos online e investimentos são as áreas mais promissoras para as startups, segundo a Kogut Labs

O Brasil vive uma grande revolução de fintechs, porém grande parte destas startups ainda está em fase de amadurecimento. Neste segmento em ebulição, poucas ainda se destacam e o termo é associado geralmente a bancos digitais que fazem uso intensivo da tecnologia. “O que mais encontramos são startups que querem se intitular como fintechs, mas, no fundo, são corretoras de empréstimo ou de investimento. Muitas ainda estão com hotsite ou gerador de lide que têm uma equipe por trás”, diz Márcio Kogut, fundador e CEO da Kogut Labs, especializada em consultoria e inovação com referência em modelos de negócios online, além de investidor-anjo, em entrevista para o portal de Executivos Financeiros

No entender do especialista, uma fintech é uma empresa que resolve tudo por meio da tecnologia. “Temos uma lista grande que se dizem ‘fintech’ no Brasil, porém poucas podem competir com startups e empresas de outros países. Muitas se apresentam dessa forma para conseguir mais investimentos e surfar na mesma onda.” Aquelas que se destacaram já foram compradas pelos bancos, destaca o entrevistado.

Uma fintech, para Kogut, é uma empresa 100% tecnológica e os exemplos são o Banco Neon e o Nubank. “Se o cliente precisa preencher documento de maneira tradicional, não pode ser classificada como tal”, ressalta. É preciso ir além do nome para competir com grandes bancos e empresas. A saída para os empreendedores é buscar conhecimento fora do país e investir cada vez mais na profissionalização.

Em relação aos mercados europeu e norte-americano, o Brasil tem um longo caminho a percorrer. “Não temos nenhuma fintech que esteja se tornando grande referência. Temos duas ou três que podem se considerar fintechs e competir com outras da Europa e dos Estados Unidos.”

Outro desafio é a dependência da regulamentação do Banco Central. Elas enfrentam problemas de aprovação, têm de se adaptar à rígida legislação bancária brasileira. “Em 95% dos casos, encontramos exemplos de startups que são associadas ou controladas por um grande banco. É possível que em breve seja criada uma nova regulamentação para o mercado. Assim, poderão crescer ainda mais e não dependerão tanto dos bancos”, afirma o investidor-anjo.

Avanço dos aplicativos

Ao inovar na oferta de serviços, as fintechs tiveram um papel importante para sacudir o mercado, principalmente na questão da burocracia, e são uma opção para os desbancarizados. “Tanto que hoje em dia 95% dos bancos já oferecem serviços por aplicativos e já se consideram fintechs por conta dessas funcionalidades”, lembra Kogut. “Por outro lado, as startups continuam importantes porque oferecem oportunidades para pessoas que os bancos não enxergam como potenciais clientes.”

É crescente o número de iniciativas que visam atrair clientes para o mundo das operações financeiras virtuais. Relatório recente do FintechLab, que monitora o segmento em nível nacional, mostra que em torno de 250 fintechs já operam e 50% faturam mais de R$ 1 milhão. Mais de um terço pertence ao segmento de pagamentos, enquanto 18% são de gestão financeira, empréstimos (13%), investimentos (8%), seguros (6%), para mencionar alguns segmentos. 

Kogut esmiúça cinco áreas nas quais elas se enquadram. “As fintechs de empréstimos e crédito devem movimentar o mercado. Precisamos criar modelos facilitadores que ajudem as pessoas a resolver seus problemas. É desafiador, porque são necessários pesados investimentos e tecnologias para competir com os bancos, que têm muito dinheiro.” 

Mais de 700 milhões de pessoas no mundo abriram uma conta corrente de 2011 a 2014. A facilidade de abrir e gerenciar a conta por aplicativos, sem taxas, tornou-se um atrativo, principalmente para o público jovem. O cartão de crédito digital também é uma área fértil, considerando que mais de 50 milhões de pessoas usam o cartão de crédito para fazer compras no país. 

Quitação de dívidas 

Já que perto da metade da população recorre a empréstimos e financiamentos para quitar dívidas, o segmento tende a continuar crescendo. De cada dez consumidores, três já recorreram a esse serviço. “Essas fintechs surgiram com o propósito de desbancarizar empréstimos e financiamentos. Além disso, representam uma alternativa aos juros abusivos cobrados no mercado”, observa Kogut. 

Os pagamentos online também representam um segmento atraente e o avanço do ecommerce mostra isso: perto de 40% da população prefere comprar online, enquanto 30% preferem as lojas físicas. O CEO nota que fintechs do segmento funcionam como social banking e já possibilitam ao usuário pagar suas contas pelas redes sociais. 

A área de investimentos é promissora para os empreendimentos digitais. No país, 71,7 milhões de pessoas se declaram investidores. Os serviços tendem a ser mais acessíveis, facilitam o gerenciamento e oferecem um time capacitado de assessores que fica mais perto do cliente. 

A Kogut Labs já investiu perto de R$ 3 milhões em seis startups e sua atuação já gerou R$ 8 bilhões em negócios para seus clientes. Márcio Kogut também é idealizador da aceleradora que, juntamente com um grupo de investidores, apoia empreendedores. Segundo ele, o foco serão as fintechs de moedas digitais, incluindo plataformas de pagamento e investimento, no próximo processo de seleção,  

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

voltar ao topo
Info for bonus Review William Hill here.

Finanças

TI

Canais

Executivos Financeiros

EF nas Redes