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Mercado já prevê deflação em junho

Mercado já prevê deflação em junho

Diante da crise política, mercado financeiro iniciou a semana com a convicção de que a economia seguirá seu curso com altos e baixos na recuperação

Com um olho nos desdobramentos da crise política – cujo principal evento será o julgamento hoje da chapa Dilma-Temer pelo TSE (onde tudo pode acontecer, desde a condenação única da chapa, como um pedido de vistas que deixe a questão em suspenso) – o mercado financeiro iniciou a semana com a convicção de que a economia seguirá seu curso com altos e baixos na recuperação. A grande novidade na pesquisa Focus coletada até 6ª feira e que o Banco Central divulgou ontem, é que as instituições TOP 5 (as cinco que mais acertam as previsões num universo de 100) já prevêem deflação de preços no IPCA (a inflação oficial) neste mês de junho.

Enquanto a média do mercado previu que o IPCA de maio (que o IBGE divulgará 6ª feira) ficaria em 0,46%, derrubando a taxa da inflação em 12 meses dos 4,08% de abril para 3,74% (o Bradesco prevê taxa de 0,45%, mantendo a queda em 3,74%), entre as TOP 5 as apostas são ainda menores (0,43% a 0,44%). Como o IPCA subiu 0,78% em maio de 2016, a taxa em 12 meses cairia para 3,70%. O dado mais relevante de que a crise política deflagrada dia 17 de maio, com a divulgação dos áudios das conversas do presidente Temer com o empresário Joesley Batista, um dos controladores da J&F, dona da Friboi levou as TOP 5 a preverem deflação de -0,06% a -0,12% no IPCA de junho.

Como o IPCA subiu 0,35% em junho de 2016, caso a previsão das cinco instituições que mais acertaram em abril a previsão do IPCA (Icap, Petros, Bradesco Asset Management, a Flag Gestora de Recursos e a consultoria Rosenberg&Associados) esteja correta, teríamos este mês, quando o governo Temer completa – de fato – um ano de gestão (a posse foi em 13 de maio, mas os efeitos estatísticos só começaram a ser captados em junho), uma taxa acumulada reduzida para a faixa de 3,50%. Em maio de 2016 a taxa acumulada do IPCA em 12 meses fora de 9,32% (caiu para 8,84% em junho) e fechou 2016 em 6,29%, após registrar 10,67% em 2015.

A queda brutal da inflação prevista para junho – há um mês as TOP 5 estimavam uma taxa em torno de +0,20% e agora chegam a prever -0,12% - precisa ser melhor explicada em termos da existência de um ou outro preço crítico que deixou de sofrer reajuste. Mas parece claro ter toda relação com o agravamento da crise política. Na pesquisa Focus do BC, o mercado ficou em compasso de espera e “pediu mesa”, esperando os eventos da semana: as expectativas para o IPCA recuaram de uma alta de 3,95% para outra de 3,90% para 2017 e seguiram estáveis em 4,40% para 2018. A mediana das projeções para o crescimento do PIB, por sua vez, também foi calibrada de 0,49% para 0,50% para este ano e de 2,48% para 2,40% para o ano que vem. A mediana da taxa Selic permaneceu em 8,50% para o final de 2017 e de 2018.

Mas os economistas das principais instituições financeiras mantiveram a expectativa de corte de 0,75 p.p. da taxa básica de juros (atualmente em 10,25%), na próxima reunião (25 e 26 de julho) do Comitê de Política Monetária, depois da indicação do Banco Central de que deve optar por uma redução menor, quando cortou, semana passada a Selic em 1 p.p. (antes da crise as apostas iam de 1,25 p.p. a 1,50 p.p. Por isso, embora o comunicado do Copom na semana passada já tenha indicado índice moderado nas próximas reuniões, resta expectativa quanto a mais detalhes na decisão cautelosa.

A questão é que com a queda vertiginosa da inflação em 12 meses, a Taxa Selic vai apresentar aumento real nos próximos dois a três meses (até setembro). O que é, no mínimo, uma situação embaraçosa – ainda que os Bancos Centrais tenham de manejar a política monetária olhando pelo para-brisa e não pelo retrovisor, buscando impactar de fato a economia seis a nove meses adiante – pois a taxa de juros real (descontada a inflação) pode aumentar. Juros mais baixos seriam o combustível para a economia sustentar a recuperação iniciada no 1º trimestre e facilitar renegociação de dívidas de famílias e microempresários. Mas as incertezas dominam o ambiente.

As TOP 5 voltaram a reduzir a expectativa para a Selic este ano para 8,38% (8,63% há uma semana), na mediana das projeções de médio prazo, prevendo taxa de 8% para dezembro de 2018. Essa é a aposta do Bradesco para este ano e para 2018. O Departamento Econômico do Bradesco comentou as perspectivas da economia, com a recuperação de 0,6% na produção industrial em abril, julgando-a ainda insuficiente para compensar a queda de 1,3% em março, apesar de o crescimento ter-se espalhado por 13 dos 24 setores pesquisados pelo IBGE.

O banco mantém a previsão de “alguma estabilização” do segmento industrial nos próximos meses, conforme indicado pelos índices de confiança, projetando alta de 1% na produção industrial este ano, contribuindo positivamente para a recuperação gradual da atividade econômica. Para tanto, o Depec do banco também espera que a melhora do consumo das famílias e a redução da taxa de juros deverão favorecer o desempenho da atividade industrial ao longo do ano. Mas prevê, resultado negativo no 2º trimestre, devolvendo o crescimento de 1% registrado no 1º trimestre do ano.

Pedro Parente recupera a Petrobras em um ano

Se alguém tem dúvidas de que o Brasil pode ter recuperação econômica se solucionar seus graves problemas causados pela deterioração da ética na prática política, a Petrobras está aí mesmo para provar que tudo é possível, com um mínimo de seriedade e competência. Há um ano no cargo de presidente, o engenheiro Pedro Parente devolveu lucro à estatal no 1º trimestre (R$ 4,45 bilhões) e exatamente ao completar 12 meses de gestão, levantou crédito de R$ 7 bilhões no BB e antecipou liquidação de crédito de R$ 1 bilhão que venceria em 2020 com o Itaú. Há um ano, a empresa, superendividada e mal gerida, mal tinha credibilidade para rolar dívidas.

Mas não é só, numa afirmação de que novas práticas de gestão estão em curso no novo e rígido modelo de governança corporativa da estatal – cuja ausência deliberada levou aos escândalos da Lava-Jato – Pedro Parente confirmou hoje na B3 (ex-BMF&Bovespa) a intenção da petroleira de ser a 1ª estatal brasileira a pedir adesão ao Programa Destaque em Governança em Estatais. Do mesmo modo Parente destacou que a companhia iniciou estudos para aderir ao segmento especial de listagem Nível 2 da bolsa. Para o presidente da Petrobras, “as medidas têm objetivo de fortalecer a governança e ao mesmo tempo criar barreiras contra medidas que possam ser tentadas no futuro que coloquem em dúvida a independência e integridade da nossa empresa".

Que assim seja e sirva de exemplo às estatais e empresas privadas brasileiras.

 

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