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Itaú lucra mais que Santander e Bradesco juntos

Itaú lucra mais que Santander e Bradesco juntos

O banco baixou os juros da captação, mas não tanto na ponta das aplicações, criando uma boca de jacaré que ampliou sua margem de lucro

Inovando, ao divulgar o lucro ao final do expediente bursátil – e não no começo da manhã como as demais instituições financeiros - o maior banco privado brasileiro e da AL, com ativos de R$ 1,45 trilhão, o Itaú Unibanco lucrou R$ 6,169 bilhões no 2º trimestre (quase estável frente aos R$ 6,176 bilhões do 1º trimestre), mas apresentou evolução de 10,7% sobre o mesmo período de 2016. As menores despesas com provisões para inadimplência (queda de 8,2%) compensaram o fraco desempenho das operações de crédito, que caíram 3,6% frente ao 2º trimestre de 2016.

Repetindo o que fez o Bradesco, mesmo com a retração da demanda de crédito causada pela prolongada recessão, o Itaú Unibanco aproveitou a queda das taxas de juros básicas (a Selic) que barateou os custos de captação, para ampliar a margem financeira junto aos clientes (+1,4% no trimestre somando R$ 15,76 bilhões no período). Ou seja, o banco baixou os juros da captação, mas não tanto na ponta das aplicações, criando uma boca de jacaré que ampliou sua margem de lucro – como fizeram os grandes bancos do País este ano. Em consequência, o retorno sobre o patrimônio líquido aumentou de 20,6% no 1º trimestre para 21,5%.

O absurdo foi tal que as taxas de juros dos cartões de crédito subiram em junho, mesmo com a taxa Selic tendo caído a 10,25% (agora, com a queda da semana passada está em 9,25% ao ano). Enquanto o piso dos juros estava em 10,25% ao ano, os juros dos cartões de crédito, no rotativo subiram para 378,3% em junho!

O Itaú Unibanco aproveitou a onda de redução dos juros de modo diferente do Bradesco. Enquanto o banco da Cidade de Deus fez baixas contábeis de R$ 4 bilhões em empréstimos, transferidos com desconto para outras instituições, o Itaú induziu os clientes a liquidarem dívidas antigas (com juros altos, já que as taxas estavam em queda na ponta das aplicações). Só que no 2º trimestre, o Itaú Unibanco passou a somar essas provisões com descontos concedidos a clientes na renegociação de dívidas e com o impairment (ajuste contábil), menos a recuperação de crédito baixado como prejuízo. Assim, no chamado custo de crédito, a perda foi 15,3% no trimestre e de 29,4% contra o 2º trimestre de 2016, somando R$ 4,47 bilhões.

Mas a pujança do Itaú Unibanco – que foi o primeiro dos grandes bancos brasileiros a se prevenir contra a inadimplência no financiamento de veículos (reduzindo a oferta de crédito já no final de 2013) – pode ser medida na comparação com os dois maiores bancos privados do País: seu lucro trimestral de R$ 6,169 bilhões foi superior em mais de R$ 400 milhões à soma dos ganhos do Bradesco (R$ 3,919 bilhões) somados aos do Santander (R$ 1,879 bilhão). No semestre, a vantagem foi um pouco menor: R$ 12,066 bilhões, contra R$ 7,982 bilhões do Bradesco e R$ 4,6152 do Santander), uma diferença de R$ 472 milhões.

O Santander reduziu o nível de inadimplência geral, acima de 90 dias para 2,9%, o Itaú, baixou para 3,9% (o menor nível desde 2015), enquanto o Bradesco amargava 4,94%. Numa análise comparativa entre o perfil do Itaú-Unibanco e do Bradesco vê-se que o banco das famílias Setúbal e Moreira Salles vai muito melhor na inadimplência que o concorrente da Cidade de Deus.

Nas pessoas físicas, o máximo que o Bradesco conseguiu foi reduzir o índice de 6,9% para 6,21%, enquanto o máximo que o Itaú teve de inadimplente em PF foi de 6,2% em junho de 2015 para 4,2% em junho de 2016 e agora está em 3,7%. Nas operações com Micros e Pequenas Empresas, a inadimplência do Bradesco caiu de 8,6% para 7,20% em 12 meses, enquanto no Itaú a baixa foi de 4,3%, em junho de 2016, para 2,8% em junho de 2017. A seletividade da carteira do Itaú – com clientes de maior poder aquisitivo – facilitou as renegociações.

 

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