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Após votação sobre Temer, mercado revê trajetória da economia

Após votação sobre Temer, mercado revê trajetória da economia

Bradesco e Itaú refazem projeções para inflação, câmbio, juros, desemprego e contas externas

Enquanto o presidente Temer, após vencer, com folga, no Plenário da Câmara, a 1ª batalha das denúncias do PGR, articula com os presidentes da Câmara e do Senado a montagem de uma agenda para a retomada das reformas que ficaram paralisadas desde a segunda metade de maio, o mercado financeiro – a começar pelos maiores bancos privados, o Itaú Unibanco e o Bradesco – refaz projeções para a inflação, o câmbio, os juros e o andamento da economia neste final de 2017 e para os próximos dois anos. 

No Relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central, o mercado revisou para baixo as projeções para a Selic: a mediana caiu de 8,00% para 7,50% ao ano no final de 2017 e recuou de 7,75% para 7,50% no final de 2018. Já as projeções do IPCA subiram levemente, incorporando a alta dos combustíveis, de 3,30% para 3,45% em 2017 e ficaram em 4,20% para 2018. A projeção mediana do PIB de 2017 continuou em 0,34% e em 2,00% para 2018. Quanto à taxa de câmbio, caiu de R$/US$ 3,30 para R$/ US$ 3,25 em 2017 e de R$/US$ 3,43 para R$/US$ 3,40 no final de 2018. 

Vejamos, em detalhes, as últimas projeções de Bradesco (04.08) e Itaú (03.08). 

IPCA - O Bradesco manteve em 3,4% a projeção do IPCA deste ano e de 4% para 2018, por entender que a queda dos preços dos alimentos e commodities compensará o aumento dos combustíveis, com o reajuste da PIS/Cofins (Bradesco prevê alta de 0,15% para o IPCA de julho, que o IBGE divulga 4ª feira, em linha com os 0,16% esperados na Focus e queda de 0,42% no IGP-DI de julho, a ser divulgado amanhã). De seu lado, o Itaú reviu de 3,7% para 3,3% a projeção do IPCA de 2017, e de 4,1% para 4% a de 2018. O Itaú está otimista com a baixa da inflação em 12 meses, que tende a atingir o piso de 2,5% em agosto, voltando a subir para 2,80% em setembro e fechando o ano em 3,3%.

Sobre os preços livres, o Itaú espera que subam só 2,8% em 2017, contra 4,7% dos administrados. Nos preços livres, o destaque foi a forte queda na alta da alimentação no domicílio, de 9,4% em 2016 para apenas 1%, graças às grandes safras agrícolas no Brasil e nos concorrentes (EUA, Argentina, França, China, Canadá). A desinflação dos alimentos tende a gerar um alívio de 1,4 p.p. no IPCA. Os preços industriais devem subir 1,5% (4,8%, em 2016). Nos serviços, o banco espera alta de 4,6% (6,5%, em 2016).

A temperatura fria do mercado imobiliário – jogando os aluguéis para baixo – ajudará na queda da inflação de serviços, ao lado da recessão e do desemprego. Decompondo os preços administrados, o Itaú projeta queda de 5% para gasolina; alta de 4% para remédios; de 7%, para energia elétrica; de 7%, para ônibus urbanos; e de 13,5%, para planos de saúde. Como se vê, o processo de indexação (reajuste de preços pela inflação passada) é o maior freio à queda da inflação, em plena recessão.

Selic – Em razão do bom comportamento da inflação e do cenário internacional benigno em termos de perspectiva de escalada de juros nos EUA, o Bradesco reduziu de 8% para 7,50% sua aposta para a taxa básica Selic em dezembro de 2017, nível que seria mantido em 2018. O Bradesco acredita que o Copom reduzirá a Selic para 8,25% ao ano em 5-6 de setembro, promoverá baixa de 0,50 p.p. em 24-25 de outubro, para encerrar a reunião de 6-7 de dezembro com a última queda de 0,25 p.p., reduzindo a Selic a 7,50%. Já o Itaú mantém (contrariando o mercado) a projeção de Selic em 8% este ano, mas prevê declíni para 7,50% em 2018. 

Para o Bradesco, está próximo o momento em que o Banco Central dará maior peso à defasagem da política monetária para decidir o nível terminal da taxa de juros. O Depec do Bradesco avalia que o índice de condições financeiras da economia já está em terreno expansionista e os setores da atividade que respondem mais à taxa de juros já começaram a reagir positivamente. Assim, é possível que as surpresas com a inflação para baixo sejam menores e, com a atividade para cima, maiores. 

Com os juros reais ao redor de 3,2%, uma Selic terminal ao redor de 7,5% parece compatível com a convergência da inflação ao centro da meta no horizonte relevante da política monetária, ao menos enquanto o BC não tenha mais informações sobre o efeito da defasagem dos juros e da inflação e tenha mais elementos sobre o andamento das reformas para definir o novo nível de juros de equilíbrio no país. 

Câmbio – Nas projeções sobre a taxa de câmbio, as maiores divergências. O Bradesco atualizou a projeção para a taxa de câmbio, passando de R$/US$ 3,20 para R$/US$ 3,10 para o final de 2017, e de R$/US$ 3,30 para R$/US$ 3,20 para o final de 2018. Com a ressalva de que a incerteza política permanece elevada, adiando a tramitação das reformas, em meio a um ambiente internacional favorável, mas com piora dos fundamentos domésticos, o Itaú manteve a projeção de taxa de câmbio em R$ 3,50 por dólar em 2017, e em R$ 3,60 por dólar em 2018. 

Setor de serviços 

Atividade econômica – Apesar de destacar que os resultados dos dados correntes têm surpreendido positivamente, ainda que discretamente, as expectativas na indústria e no varejo, o Bradesco pondera que o setor de serviços (responsável por mais de 70% do PIB) “continua com desempenho muito modesto”. Assim, estima que o PIB mostrará contração tanto no 2º (-0,3%) quanto no 3º (-0,2%) trimestre. O banco, que espera crescimento de 0,4% no 4º trimestre, já admite que possa mexer para cima nas projeções de PIB (0% em 2017 e +2% em 2018), com a sensação de que já se consegue ver evolução mais positiva da economia em um número crescente de setores: automotivo, imobiliário e itens ligados a crédito e vestuário, etc.

Já o Itaú Unibanco projeta crescimento de 0,3% em 2017, e de 2,7% em 2018, consistente com uma recuperação gradual em meio à tramitação mais lenta das reformas. O Itaú espera ligeira contração de 0,2% para o PIB do 2º trimestre (após a alta de 1% no 1º), devido a ligeiro recuo do PIB agropecuário e carrego desfavorável de diversos componentes do PIB após os resultados fracos de março. O resultado acima do esperado de abril é compensado pela perspectiva menos favorável para junho, dada a significativa queda observada nos indicadores de confiança.

Os indicadores das sondagens da indústria, comércio e serviços recuaram 3,0%, 3,3% e 3,3%, respectivamente, em junho, segundo o Ibre-FGV, com queda especialmente no componente de expectativas. Para o Itaú, o andamento das reformas vai balizar a velocidade da recuperação: o avanço das reformas, como a da Previdência, poderia levar a recuperação mais forte em 2018; a interrupção completa poderia levar a um atraso adicional da retomada da economia, com crescimento anual menor.

Desemprego – Com a destruição de empregos formais menos intensa em maio, quando houve criação líquida de 34,3 mil empregos formais (segundo o Caged) naquele mês, em dados dessazonalizados, a média móvel de três meses recuou de -59 mil para - 43 mil e segue menos intensa. Como comprovou a PNAD Contínua de maio, assinalando um declínio de 13,1% para 13% com ajuste sazonal.

Ao avaliar a perspectiva do mercado de trabalho, o Itaú projeta que a taxa de desemprego ainda continue em alta, alcançando 14,0% ao fim de 2017, e 14,3% ao fim de 2018. Prevê o auge da taxa de desemprego (14,3%) na 2ª metade de 2018, pois o ciclo de contração da atividade econômica ainda não teve seu impacto completo no mercado de trabalho. O Bradesco prevê taxa média de desemprego de 13,2% este ano e de 13,3% em 2018.

Contas externas – Com a prolongada recessão e a superssafra agrícola, a porta das exportações parece ser a melhor saída. Por isso, o Bradesco prevê saldo de US$ 64,4 bilhões na balança comercial deste ano e de US$ 64,5 bilhões para 2018 (US$ 45 bilhões em 2016). O Itaú projeta superávit comercial de US$ 60 bilhões em 2017 e de US$ 47 bilhões em 2018 (antes era de US$ 50 bilhões). Para a conta corrente (balança comercial + serviços e renda de capitais), o Itaú espera déficit de US$ 19 bilhões em 2017 (antes era de US$ 23 bilhões) e de US$ 37 bilhões em 2018.

 

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