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Supersafra salva a lavoura e garante desinflação

Supersafra salva a lavoura e garante desinflação

IPCA acumulado de 2017 ficou em apenas 1,43% e em 2,71% nos últimos 12 meses, a menor taxa desde fevereiro de 1999

A terceira baixa seguida do índice de Alimentação e Bebidas (-0,47%) – que acumula quedas inéditas de 0,50% no ano e de -0,66% em 12 meses devido à supersafra de grãos (em julho de 2016 o item acumulava alta de 13,55% em 12 meses) – neutralizou parte dos impactos do reajuste de 6% da energia elétrica, que gerou aumento de 1,64% em Habitação, e das altas de 0,73% do etanol e de 1,06% da gasolina, pela elevação da PIS/Cofins, ocasionando um avanço de 0,24% no IPCA de julho, após -0,23% em junho (o Bradesco esperava 0,15% e o mercado 0,19%). Mas a taxa acumulada de 2017 ficou em apenas 1,43% e em 2,71% nos últimos 12 meses, a menor desde fevereiro de 1999.

O desempenho do item Alimentação e Bebidas, que responde por cerca de 25% das despesas das famílias no IPCA (renda até 40 salários mínimos ou R$ 37.480), foi extraordinário e inédito na história do IPCA. A taxa negativa de 0,66% em 12 meses é inédita na série do IPCA no Plano Real (as menores taxas anteriores foram de 1,22% em 2006 e de 1,71% em 1996). O maior exemplo da reversão que a supersafra provocou nos preços dos alimentos (influenciando a cadeia dos serviços) foi o feijão carioquinha: em julho de 2016 o produto acumulava alta de 166% em 12 meses; em julho de 2017, acusava baixa de 50% em 12 meses (ainda falta reverter parte da alta especulativa, portanto).

O mais impressionante é que em todas as regiões pesquisadas (com exceção de Brasília, onde houve alta de apenas 0,06% na alimentação no domicílio) há redução nos preços (média de -0,81% no país, com destaque para a queda de 1,80% em Goiânia). Já a alimentação fora de casa, sob influência dos serviços envolvidos, teve alta de 0,15% no mês passado. E, curiosamente, a maior alta (1,70%) se deu justamente em Goiânia, seguido de Brasília (1,06%). Custos extras (como Transportes) na região central, ou as margens de lucro resistem às forças do mercado em recessão?

No caso do INPC, que mede as despesas das famílias com renda até cinco salários mínimos (R$ 4.685), e onde a alimentação pesa quase 30%, o benefício foi até maior, pois o índice só acumula aumento de 1,30% no ano e de 2,08% em 12 meses. As regiões agrícolas foram beneficiadas pela oferta de alimentos: Goiânia, no Centro-Oeste, acumula a menor taxa (0,39% no ano e 0,63% em 12 meses), seguida por Belo Horizonte (0,56% no ano e 0,98% em 12 meses) e Campo Grande (0,11% no ano e 1,95% em 12 meses). Já as capitais do Nordeste acumulam a maior taxa, sob a liderança de Recife (2,48% no ano e 4,19% em 12 meses), seguido de Fortaleza (1,58% no ano e 3,86% em 12 meses), enquanto Salvador acumula alta de 1,86% no ano e de 2,63% em 12 meses.

Se os preços livres do mercado estão se comportando abaixo da média do IPCA – com Vestuário acumulando alta de 0,63% no ano, e os Artigos de Residência queda de 1,01%, Transportes, com baixa de 0,51% no ano e as Comunicações subindo apenas 1,36% no ano e 1,90% em 12 meses –, os itens que são beneficiados pela indexação à inflação passada pressionam os preços e os orçamentos das famílias no IPCA: Educação registra alta de 6,54% no ano e de 7,94% em 12 meses; Saúde e Cuidados Pessoais acumula alta de 4,43% no ano e de 7,19% em 12 meses. E o grande vilão são os resjustes dos Planos de Saúde: 7,68% no ano e de 13,55% em 12 meses.

Apesar dos sustos provocados pelos impactos da energia elétrica, com a adoção da bandeira vermelha, e dos combustíveis, devido à maior alíquota da PIS/Cofins, o mercado segue confiante de que Banco Central continue no seu caminho de redução dos juros básicos, prevendo nova recuo de 1 p.p. para as reuniões de 5-6 de setembro e mais 0,75% na reunião de 24-25 de outubro. Bradesco e Itaú agora esperam queda da Selic a 7,50% e 7,25% ao ano, respectivamente, em dezembro.

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