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Consumo das famílias cresce e segura o PIB

Consumo das famílias cresce e segura o PIB

Economia avançou 0,2% no segundo trimestre frente ao primeiro, tornando página virada a mais longa recessão da história do País

A melhor informação do IBGE, ao anunciar hoje que o Produto Interno Bruto cresceu 0,2% no 2º trimestre frente ao primeiro, quando houve expansão de 1% (a primeira em oito trimestres, puxada pela alta de 11,5% da agropecuária), foi a de que o consumo das famílias cresceu 1,4% (após nove trimestres seguidos de queda; no 1º trimestre tinha sido de 0%).

A retomada do consumo das famílias (que representa 64% da demanda) foi influenciada pelos seguintes fatores: forte queda da inflação, sobretudo dos alimentos, que produziu aumento real (descontada a inflação de 3,6% do IPCA em 12 meses) de 2,3% na massa salarial; baixa (ainda tímida) dos juros; e a liberação do FGTS, que destravou o consumo e levou o comércio a liderar o crescimento trimestral (+1,9%).

Dois trimestres seguidos de PIB positivo tornam página virada a mais longa recessão da história. Os dados do semestre mostram crescimento zero sobre igual período de 2016 (quando apenas a agropecuária avançou) e a taxa acumulada em 12 meses ainda é negativa em 1,4%, mas já apresenta distanciamento frente à queda recorde de 4,8% no 2º trimestre de 2016 (quando Dilma sofreu o impeachment). Desde então, há lenta recuperação na economia. Os resultados do 2º trimestre (que superaram as previsões do mercado: média de +0,1%; o Itaú esperava 0% e o Bradesco -0,3%) já garantem crescimento mínimo de 0,4% do PIB em 2017, assinala a LCA Consultores.

Na decomposição do resultado do 2º trimestre, com ajuste sazonal, fica claro que ainda falta muito para uma recuperação consistente: a Agropecuária (que representa 5,5% do PIB) registrou variação nula, após os 11,5% do 1º trimestre; a Indústria (21,2% do PIB) teve queda de 0,5% e os Serviços (73,3% do PIB) cresceram 0,6%.

Na Indústria, houve recuo de 2,0% na Construção e de 1,3% na atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana. A Indústria Extrativa mineral cresceu 0,4%, graças à maior produção de petróleo, gás e minério de ferro, e a Indústria de Transformação ficou praticamente estável (+0,1%).

Nos Serviços, a alta foi liderada pelo Comércio (1,9%), seguido pelas Atividades imobiliárias (+0,8%), os Outros serviços (+0,8%) e o setor de Transporte, armazenagem e correio (+0,6%). Os Serviços de informação caíram 2,0% e as atividades de Administração, saúde e educação pública declinaram -0,3%, enquanto as atividades de Intermediação financeira e de seguros tiveram queda de 0,2%. Quanto ao setor externo, as Exportações de bens e serviços tiveram alta de 0,5%, ao passo que as Importações caíram 3,5% em relação ao 1º trimestre

Recuperação precária no mercado de trabalho

Por diversas leituras, o vácuo deixado pela recessão iniciada no 2º trimestre de 2014 ainda está longe de ser preenchido. A recuperação do mercado de trabalho ocorre de forma precária, com a retomada, inicial, dos empregos sem carteira assinada e dos trabalhos por conta própria, o que garante recomposição de renda às famílias.

Tomando em conta o ano de 1995 como base 100, pelos dados do IBGE , na série encadeada do PIB, o ápice foi registrado no 3º trimestre de 2013, com 178,4 pontos. No 2º trimestre de 2017, o índice do PIB ficou em 163,3 pontos. Uma queda de 8,46%. Entretanto, o fundo do poço tinha sido no 1º trimestre: 160,6 pontos, o que equivalia a um encolhimento de 10% no período. Desde então, houve recuperação de 1,68%.

Após a crise financeira mundial de agosto de 2008 ter cortado a via de crescimento via exportações, o segundo governo Lula apostou todas as fichas no crescimento via ênfase no consumo interno, mediante facilidades de crédito às famílias. De fato o consumo das famílias foi o motor do PIB, tendo atingido seu ápice no 4º trimestre de 2014, quando o índice de consumo das famílias (tendo como base 100 o ano de 1995) chegou a 192,5 pontos [o que explica a reeleição da ex-presidente Dilma, pois a população vivia a falsa euforia do crescimento e do bem-estar, com o congelamento prolongado das tarifas de serviços públicos, energia - tiveram queda de 18% em 2013 - e combustíveis]. Recuperar a dinâmica é impossível a curto e médio prazo (até 2022).

Quando as famílias começaram a perder renda, assoladas pelo tarifaço dos preços administrados de 2015 (a começar pela alta de 45% na energia elétrica) e pela especulação com os preços dos alimentos e a escalada do desemprego em consequência da recessão que se abateu sobre o país diante da perda da renda dos endividados, verificou-se que o recuo dos indicadores das famílias foi também maior do que o da média do PIB, realimentando a recessão.

Queda acumulada no consumo

Enquanto a queda acumulada do PIB foi de 10% no 1º trimestre de 2017, a diminuição do consumo das famílias chegou a 14,2% desde o 4º trimestre de 2014. Neste 2º trimestre, houve expansão de 2%, mas a perda acumulada ainda é de 12,52% frente a 2014. Há muito terreno a recuperar, mas a demanda de crédito cresce metade da inflação, confirmando que ainda é baixo o nível de consumo.

Outro indicador animador foi que na comparação trimestral contra o mesmo período do ano anterior, após 12 trimestres consecutivos com resultados negativos, o PIB do 2º trimestre de 2017 teve variação positiva de 0,3% em relação a igual período de 2016.

Mas a recente abertura de painel na Organização Mundial de Comércio, a pedido dos países da União Europeia e do Japão – para condenar os subsídios ao desenvolvimento de setores industriais nos governos Lula e Dilma (indústria automobilística, informática e determinados segmentos de inovação) –, pode representar obstáculos à recuperação do setor industrial, notadamente das montadoras de automóveis e fabricantes de autopeças.

A exportação – diante do consumo interno ainda tão contraído – tinha sido a saída de alguns setores e as fábricas de automóveis e caminhões já se preparam para retomar contratações, abandonando o sistema de lay-off (criado no governo Dilma). No 2º trimestre, segundo o IBGE, as exportações de bens que tiveram os maiores aumentos foram de veículos automotores, petróleo e gás natural, produtos agropecuários e papel e celulose.

Na pauta de importações, as quedas mais relevantes ocorreram em máquinas e equipamentos, equipamentos de transporte (exceto veículos automotores), minerais metálicos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e produtos de metal, indicando que a alta ociosidade da economia ainda inibe a retomada dos investimentos, por desnecessários em uma economia a meia bomba.

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