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Inflação menor abre espaço para Selic a 6,5%, uma baixa histórica

Inflação menor abre espaço para Selic a 6,5%, uma baixa histórica

Alta dos preços pode ficar abaixo do piso mínimo da meta, que é de 3%, graças ao setor de Alimentação e Bebidas

Apesar da pequena surpresa no IPCA de setembro, que subiu 0,19%, segundo revelou hoje o IBGE, impulsionado pelos reajustes dos insumos energéticos (o GLP subiu 4,18% e os combustíveis, 1,91%) - superando as expectativas do mercado [em torno de 0,09%; e 0,07% para o Bradesco] -, registrando a primeira alta em 12 meses desde agosto de 2016 (de 2,46% em agosto para 2,54%), os dados de Alimentação e Bebidas (-0,41% a quinta queda seguida) reforçaram a expectativa de que a inflação de 2017 possa ficar abaixo do piso mínimo da meta (3%, com 1,5 p.p abaixo da meta de 4,50%).

O Banco Itaú, que ontem divulgou sua revisão do cenário Brasil para 2017 e 2018, está revendo a taxa do IPCA de 2017 de 3,2% para 3% (mesmo nível previsto pelo Bradesco) e baixou o IPCA de 2018 de 4% para 3,8% [o Bradesco espera 3,9%]. O otimismo do Itaú é tal (a previsão do PIB de 2018 foi revista de 0,7% para 0,8% e a de 2018 de 2,7% para 3% [o Bradesco esperava 0,7% e 2,5%, respectivamente]) que o maior banco privado da América Latina avançou na previsão de queda da taxa Selic.

A Selic deve fechar 2017 em 7%, com queda de 0,75 p.p na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central de outubro, quando cairia a 7,50% ao ano, e outra baixa de 0,50% em dezembro, fechando o ano em 7%. Mas, diante da perspectiva de queda da inflação e de redução na taxa de câmbio (de R$ 3,35 para R$ 3,25 em 2017, mantendo a projeção de R$ 3,50 para dezembro de 2018), o Itaú acredita em nova queda de 0,50 p.p. na reunião do Copom em fevereiro, levando a Selic a 6,50% - a menor taxa histórica desde a criação do Copom e do regime de metas de inflação em 1999 – ficando neste patamar até o final de 2018. O juro real, porém, segue muito alto, devido ao erro do Copom de não iniciar baixa vigorosa no último trimestre de 2016.

O novo aumento de combustíveis nas refinarias, anunciado pela Petrobras, para vigorar amanhã, com alta de 1,9% na gasolina e de 0,6% no diesel, e a adoção da bandeira vermelha na energia em outubro podem gerar pressão dos insumos energéticos sobre a inflação e os orçamentos.

A LCA Consultores está projetando alta de 0,45% no IPCA de outubro. Como em outubro de 2016, a alta mensal foi de 0,26%, a taxa em 12 meses voltaria a subir de 2,53% para 2,73%. Ainda abaixo do menor piso da meta. Entretanto, como os preços dos alimentos e bebidas vêm reduzindo os percentuais de baixa mês a mês, se a alta dos combustíveis e da energia prosseguir neste último trimestre, o IPCA pode fechar o ano na casa de 3%, ou pouco acima.

Uma solução no orçamento: mudar hábitos alimentares

Você, caro leitor ou leitora, já deve ter sido diversas vezes instado(a) ao longo de sua vida a mudar os hábitos alimentares. Amigos que adotaram a macrobiótica ou a dieta vegana – em ambos os casos abolindo as carnes – sempre falaram maravilhas da nova dieta. Você, aferrado às tradições familiares (não dispensava a carne assada da mãe ou da avó, receita de família desde o século passado), achava difícil e caro seguir uma receita que abolisse a proteína animal.

Pois, olhando o resultado do IPCA (despesa das famílias com renda até 40 salários mínimos – R$ 37.480) e do INPC (renda até 5 SM ou R$ 4.685) –, fica claro que a alimentação sem carne e baseada em grãos, feijões, oleaginosas, tubérculos, legumes e frutas – além de todos os comprovados efeitos benéficos para a saúde, proporciona um bem ainda mais para a parte mais sensível do corpo humano: o bolso.

Nos últimos 12 meses - quando a inflação (do IPCA ou do INPC), que nada mais é do que a avaliação, ponderada, de cada item na cesta de consumo das famílias [razão para cada família ou indivíduo sentir a inflação de modo diverso], acumulou 2,54% pelo IPCA ou 1,63% pelo INPC – é notável a queda do principal item de despesas (Alimentação e Bebidas) em relação a todos os outros oito itens.

No IPCA, o componente Alimentos e Bebidas teve queda de 2,14%, o mesmo havendo com Artigos de Residência (-1,27%), Habitação subiu 4,10%, Vestuário ficou 2,8% mais caro, Transportes encareceu 3,99%, Despesas Pessoas tiveram alta de 4,73% e Comunicação ficaram 1,27% mais caras. Educação, com + 7%, e Saúde e Cuidados Pessoais, com alta de 6,77% (indexadas a 2016), puxaram as despesas para cima.

Aí é que os argumentos dos amigos veganos e macrobióticos podem te sensibilizar. Veja os itens da alimentação em domicílio que mais caíram no ano: cereais, leguminosas e oleaginosas tiveram baixa de 29,40%; tubérculos, raízes e legumes caíram 21,18%, lideradas pela queda de 41,45% na batata-inglesa; as frutas ficaram 10,96% mais em conta. O que subiu: Pescados (+9,94%); carnes e pescados industrializados (+2,09%), enlatados e conservas (+2,68%) e bebidas e isotônicos (+5,94%). Que tal? E a lista dos campeões de baixa é liderada pelo feijão carioca (-57,65%), seguido pelo feijão mulatinho (-35,83%) e pelo feijão preto (-33%).

Tudo bem. Subiram mais de 100% em 2016 e ainda não devolveram a alta depois da supersafra deste ano. Mas não dá para encarar uma salada de feijão fradinho, que ficou 28,13% mais barato? Ou carregar no tomate, 20% mais barato? Tenho amigos que têm problema com leite (eu descobri que era a causa das minhas crises de asma só em 2005, quando vendi as vacas do sítio e tirei o leite do café da manhã). No bolso, para quem não tem problemas alérgicos, ele está fazendo bem este ano: o leite longa vida baixou 23,96%, e o queijo ficou 2,76% mais em conta.

Atingido pelas investigações da Polícia Federal e pelo escândalo do grupo JBS-Friboi, o pessoal da carne tratou de se ajustar ao impacto da superoferta de milho e soja que barateou o preço das rações e provocou queda de 1,13% no óleo de soja (devia ser maior) e de 3,72% no frango em pedaços. Na média, a carne bovina baixou 0,69%.

Sinal de quem ainda tem demanda para os churrascos de fim de semana. Se você não for convencido pelos benefícios à saúde, saiba que os Planos de Saúde ficaram 13,54% mais caros, os serviços médicos-dentários encareceram, em média, 6% e os remédios subiram (na média) 4,34%. A baixa da alimentação vai segurar os reajustes em geral para 2018 (e os planos de saúde devem subir no máximo entre a faixa de 5% a 7% - mais que isso é roubo). Não vale aproveitar a maré e mudar os hábitos?

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