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Em fevereiro, tem Carnaval ... e Selic de 6,75% a 6,50%

Em fevereiro, tem Carnaval ... e Selic de 6,75% a 6,50%

Projeção reflete novas estimativas de queda da inflação para 2017 e 2018

As previsões, respectivamente, são do Bradesco (que acaba de revisar o cenário econômico para 2017 e 2018) e do Itaú. O banco da Cidade de Deus (Osasco-SP) baixou a estimativa da taxa Selic de 7% (em dezembro deste ano) para 6,75% em dezembro de 2018. Este nível já seria atingido nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central de 6 e 7 de fevereiro, antes do Carnaval, que começa sábado, 9 de fevereiro. Já o Itaú, na semana passada, baixou sua previsão para a taxa Selic, que atingiria a 6,50% em fevereiro (queda de 0,50 p.p, frente a dezembro) e ficaria nesse patamar até dezembro de 2018.

As apostas de baixa da Selic são resultado das novas estimativas de queda da inflação para 2017 e 2018. O Bradesco prevê IPCA de 3% este ano (limite mínimo do piso da meta de inflação, de 4,50%) e de 3,9% em 2018. Já o Itaú também espera 3% em 2017 e 3,8% para 2018. O alto nível de ociosidade na indústria e no comércio e as projeções de moderada alta (4,7%) para os preços administrados (devido à indexação menos intensa dos preços de 2017) garantem a inflação baixa em 2018.

Levando em conta a inflação projetada para os 12 meses, o Bradesco estima que o juro real deverá fechar 2018 em 2,9%. Será uma queda importante frente a 2017, que deve fechar com o piso do juro real na absurda taxa de 7,3%, devido ao erro tremendo do Banco Central. O Copom agiu com excesso de cautela em 2016 e subestimou o impacto da queda dos preços agrícolas [veio pelo elevador] no comportamento do consumo e nos demais preços da economia, enquanto o Copom descia a Selic pela escada, travando a economia e prolongando a agonia da recessão e do desemprego.

Para se ter ideia, em 2012, quando o IPCA subiu 5,8%, o PIB 1,9% e a taxa Selic caiu para 7,25%, o juro real (descontando a taxa Selic acumulada em 12 meses e a inflação no mesmo período) ficou em 2,5%. Em 2013, as manobras de fundo eleitoral do governo Dilma (já se movimentando para a reeleição) fizeram o juro nominal subir para a 10%, levando a inflação a 5,9% e o juro real cair para 2,2%.

O PIB cresceu 3%, com o consumo das famílias (via endividamento) crescendo 3,5% em 2013 e 3,6% em 2014. Mas em 2015, com o tarifaço (reajustes médios de 18,08% dos preços administrados), o IPCA bateu os 10,67%, o consumo das famílias caiu 3,9% e derrubou o PIB em 3,8%. No ano passado, a inflação ficou em 6,3%, o consumo das famílias encolheu mais 4,2% e o PIB contraiu 3,5%.

Na última revisão das projeções da economia, o Bradesco aumentou a taxa de crescimento para 2017 de 0,7% (última estimativa do FMI) para 0,9% e elevou a estimativa de 2018 de 2,5% para 2,7% (o Itaú espera +0,8% e elevou de 2,7% para 3% a previsão de crescimento para 2018). Um dado que chama a atenção na estimativa do Bradesco é a recuperação do consumo das famílias. Após o recuo de 4,2% no ano passado, haveria expansão de 1% este ano e de 2% em 2018.

Impacto do recuo nos preços dos alimentos

A questão que está clara, nas recentes revisões de cenário dos bancos, institutos de pesquisa e consultorias, é que o Copom errou muito em não prever os impactos da queda dos alimentos na composição da inflação. Em agosto de 2016 – quando a nova composição do Copom foi escolhida (e já participou das reuniões de outubro e novembro, quando houve declínio de apenas 0,25 p.p. na taxa Selic, que baixou de 14,25% para 13,75%) a taxa de 12 meses do IPCA era de 8,97% e a taxa acumulada dos alimentos e bebidas consumidos em domicílio era superior a 16%. O ano fechou com o IPCA em 6,29% e os alimentos em 9,45%.

Mas já em janeiro deste ano, com a supersafra de 2016-17 confirmada (desde setembro as estimativas do IBGE já apontavam forte expansão, que se confirmou hoje com a última previsão de aumento de 30,3% na produção de grãos – soja, milho, arroz e feijão), a violenta deflação dos preços dos alimentos puxou para baixo uma série de preços do mercado de serviços. Em setembro último, o desempenho dos alimentos e bebidas consumidos em casa registrava deflação de 5,3% em 12 meses (-6,2% em agosto), arrastando a variação dos serviços para 5% (4,8% em agosto).

Os preços livres da economia (sobre os quais a política monetária exerce algum impacto, com defasagem de seis a nove meses) desceram da faixa de 8,7% (nos 12 meses terminados em setembro de 2016) para 1,4% em setembro (1,3% em agosto). O resultado do atraso do BC em baixar os juros (o acidente causado pela divulgação, em 17 de maio, das fitas gravadas por Joesley Batista com o presidente Temer, no Palácio do Jaburu, em 7 de março, fez o Copom manter em 1 p.p. a baixa que era esperada para 1,25 p.p. não exime a barbeiragem do BC) só fez adiar a retomada.

Ser engenheiro de obra feita é fácil. Mas quem nos acompanha sabe que critico o Copom desde o fim de 2016. A verdade é que a recuperação da economia ocorre apesar do BC. A recuperação se acelerou de julho para cá e o maior exemplo são as taxas de desempenho do setor automobilístico. As empresas cancelaram as folgas, recontratam funcionários e tiram da gaveta os planos de expansão. Isso é só uma amostra de como a economia e o desemprego poderiam estar em melhor situação se a queda dos juros tivesse vindo antes e de forma mais agressiva, sem prejuízo do combate à inflação. Ou seja, não cabe ao BC o mérito que propala no controle da inflação.

O Bradesco já prevê que a produção industrial, após cair 8,3% em 2015 e 6,6% em 2016, vai crescer 2,4% este ano e 3,5% de acordo com os dados do IBGE. No caso do desemprego, as taxas estimadas para este ano estavam fixadas acima de 14% por algumas instituições; o Bradesco chegou a prever 13,5%, agora calcula que vá declinar de 12,8% em dezembro de 2017 para 12,5% em dezembro de 2018. O Itaú chegou a estimar o desemprego de 12,6% em dezembro de 2018 e agora baixou para 12%. Imagina se o BC tivesse sido mais eficiente...

Para não repetir erros, sugiro que os modelos de acompanhamento do Copom (seguido pela maior parte das instituições financeiras) estudem mais a fundo o impacto dos diversos itens do orçamento – a começar pelos Alimentos e bebidas nas despesas das famílias. Que são e sempre serão os pilares do consumo e do crescimento.

Com tanto ociosidade, os investimentos só virão por absoluta necessidade de correção de gargalos na infraestrutura pública (mediante regime de concessões e/ou privatizações) e nos setores privados (pela imperiosa busca da eficiência).

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