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Só no Brasil: bancos lucram mais emprestando menos

Só no Brasil: bancos lucram mais emprestando menos

Balanços do terceiro trimestre do Itaú, Bradesco e Santander mostram que instituições aproveitaram a queda do custo de captação e ampliaram as margens nas operações

Os balanços do terceiro trimestre, já divulgados pelos três maiores bancos privados (Itaú, Bradesco e Santander), comprovam a aberração do sistema financeiro brasileiro. Apesar da queda do volume de empréstimos, os bancos estão lucrando mais. Aproveitaram a queda do custo de captação (com a baixa da Selic de 14,25% ao ano em setembro de 2016 para 8,25% ao ano em setembro último) e ampliaram as margens nas operações. E ainda reajustaram as tarifas de serviços aos clientes bem acima da inflação, que ficou em 2,54% nos 12 meses terminados em setembro.

No líder Itaú Unibanco, que teve lucro líquido de R$ 6,077 bilhões no 3º trimestre (aumento de 0,8% no trimestre) e de R$ 17,9 bilhões no acumulado dos nove meses de 2017 (+15% sobre igual período de 2016 – bem acima da inflação em 12 meses). Enquanto o custo do crédito caía 10,8% no trimestre e 28,1% em 12 meses, a redução das margens de lucros com os clientes foi bem menor: -2,2% no trimestre; e -3,2% em 12 meses. Ou seja, os bancos reforçaram suas margens com a queda dos juros.

A representatividade das Receitas de Prestação de Serviços e Resultado de Seguros no Produto Bancário do Itaú Unibanco atingiu 37%, o maior valor em dois anos. Para efeito de comparação, no 3º trimestre de 2015 (quando se intensificou a forte contração dos empréstimos), a participação era de 31,8% nos resultados do banco. Vale lembrar que, de 2015 para cá, o volume de empréstimos às grandes empresas encolheu 24,98% para R$ 164,598 bilhões, enquanto a fatia destinada às pequenas e micros empresas caía 4,05% para R$ 59,054 bilhões. Em relação a 2012 a queda chega a 25,8%!

Ao frear as concessões de empréstimos aos pequenos empresários, a partir de 2013, o Itaú ficou com inadimplência menor que a do Bradesco neste segmento (nas operações com atraso acima de 90 dias): reduziu o índice de 6,3% em dezembro de 2016 para 4,2% em setembro último, enquanto a inadimplência das grandes empresas caiu de 2,8% para 1% no mesmo período.

No Bradesco, que teve lucro líquido trimestral recorrente de R$ 4,8 bilhões e de R$ 14,1 bilhões em nove meses, os percentuais de atraso das PEM eram, respectivamente, de 7,6% e 6,79% (com pico de 8,6% em dezembro de 2016). Já a inadimplência das grandes empresas declinou de 2% em setembro de 2016 para 1,8% no 3º trimestre (o pico foi de 2,3% em dezembro, com queda até 1,52% no 2º trimestre).

Vale dizer que as operações de empréstimos a Pessoas Jurídicas representam 64,6% da carteira de crédito do Bradesco e encolheram 10,3% no ano. As grandes empresas tiveram corte de 6,8% no crédito dos nove meses do ano e o crédito às PEMs encolheu 17,8%. A participação do maior devedor (Petrobras) aumentou de 2,2% em setembro de 2016 para 2,6% do total de créditos em setembro último. O percentual de operações em atraso das grandes empresas acima de 91 dias saltou de 4,9% para 7,3%. E esse parece ser o calcanhar de Aquiles do banco.

Já as operações com Pessoas Físicas (35,4% do total) cresceram 0,7%. O principal produto (8,7%) é agora o crédito consignado (concentrado em aposentados) com crescimento de 11,6% no ano. A segunda participação é do crédito imobiliário (6,9% da carteira), que cresceu 5%, superando os 6,8% do financiamento a cartões de crédito, que encolheu 1,8% no ano após as mudanças no rotativo em abril. As operações de financiamento de veículos, via leasing e CDC, encolheram 3,2% e representam 4,1% dos créditos totais. Destaque: a redução de 20,5% no cheque especial em 12 meses.

No cenário em que a economia dá sinais de reação, após a mais longa e profunda recessão da história, com forte desemprego, o Bradesco aproveitou a incorporação total do HSBC para dar baixa de ativos podres, fazer cessão de créditos (R$ 5 bilhões) e promover um plano de demissão voluntária para reduzir o quadro de pessoal, com despesas estimadas de R$ 2,3 bilhões, das quais R$ 1,5 bilhão foram apropriadas no trimestre.

Diante disso, é incrível a descrição do Bradesco sobre a decomposição da origem dos lucros do 3º trimestre e do ano: 32% vieram das operações de crédito; 29% das atividades de seguros e previdência (controlados 100% pelo Bradesco); 30% pela tarifas de serviços (com destaque para o crescimento de 12,3% nas contas correntes, de 6,6% nos cartões de crédito e de 24,5% nas receitas com a gestão de fundos, que incluem a distribuidora BEM).

Liderança na gestão de fundos

A propósito, de acordo com os dados de setembro da Anbima, o Bradesco + BEM segue à frente do Itaú (e a Distribuidora Intrag, 100% de seu controle) na liderança da gestão de fundos: R$ 870,8 bilhões, contra R$ 825,2 bilhões do Itaú. Mas o ranking pode mudar a favor do Itaú até o fim do ano, com a incorporação do Citibank a partir de novembro. Em setembro, o Citibank geria R$ 49,5 bilhões em fundos, após ter perdido R$ 15 bilhões no ano. O grande filé do Citibank são as operações de custódia de ativos: R$ 709 bilhões, quase o triplo dos R$ 230,7 bilhões do JP Morgan. O Itaú Unibanco vem à frente dos bancos nacionais, com R$ 183,5 bilhões, contra R$ 167,5 bilhões do Bradesco, segundo a Anbima.

Comparado ao boom do crédito em setembro 2013, a carteira do Itaú deu uma tremenda guinada. Naquela época, as operações com as grandes empresas representavam 32,2% e as com as pequenas, médias e micro empresas somavam 20,5%, acumulando 52,8% do total. Já em setembro último, a fatia das grandes empresas encolheu para 28,5% e a das PEMs para 16,4%, caindo para 44,9% do total.

A mudança diminuiu também a fatia dos financiamentos a veículos, de 12,2% para 4,9%. O Itaú tratou de expandir as operações do crédito consignado, de 5,9% para 13,1% (concentradas em aposentados) e no crédito imobiliário, de 9,1% para 13,8%. Outra grande expansão veio no cartão de crédito: 7,3% para 12,3%. Vale dizer que nas operações de crédito imobiliário e de financiamento a automóveis, as garantias correspondem a 55% do bem financiado. Uma arapuca para os devedores.

Se nada mais podia ser dito sobre a ganância dos bancos que gozam de privilégios no Brasil, o relatório das atividades mundial do espanhol Santander resume o quadro. O Santander Brasil (que assumiu as operações do antigo Banco Real + Banespa ao comprar o ABN-Amro) não só representou o maior lucro da organização: R$ R$ 2,586 bilhões, com crescimento de 37,3%. As margens de juros (16,7%) estão bem acima da das operações no Reino Unido (8,3%) e daquelas na Espanha (negativas em 0,4%).

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