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Contas externas: gasto com turismo dobra em dois anos

Contas externas: gasto com turismo dobra em dois anos

BC estima que o déficit em transações correntes feche 2017 em US$ 16 bilhões, o menor do século e uma queda de 32% frente ao ano passado

Ao divulgar hoje os dados do balanço de pagamentos de outubro, com déficit de US$ 343 milhões em transações correntes (balança comercial + serviços e rendas) - o menor para o mês desde 2007 e bem abaixo do déficit de US$ 950 milhões estimado pelo Bradesco –, o Banco Central apresentou as últimas projeções para 2017 e 2018. A novidade, preocupante na tranquilidade do cenário das contas externas, é o déficit de viagens, que deve mais que dobrar de 2016 (US$ 8,4 bilhões) para 2018 (US$ 17,3 bilhões). Ou seja, um aumento de 104%.

Para 2017, a previsão do rombo nas contas de viagens internacionais, provocada pela revoada de turistas brasileiros que aproveitaram a relativa estabilidade do real frente ao dólar e ao euro, é de um déficit de US$ 13,5 bilhões, um aumento de 59,3% sobre 2016, quando o movimento de turistas para as Olimpíadas produziu o menor déficit neste século. Os brasileiros devem gastar mais de US$ 22 bilhões, mas as receitas de turistas, que atingiram US$ 6,024 bilhões com todo o movimento das Olimpíadas no ano passado, devem ficar estacionadas na faixa dos US$ 5,8 bilhões/6,1 bilhões.

O BC está estimando que o déficit em transações correntes feche 2017 em US$ 16 bilhões (o menor do século e uma queda de 32% frente aos -US$ 23,546 bilhões de 2016) e que o déficit volte a subir para US$ 30 bilhões em 2018. De qualquer modo, o déficit será confortavelmente coberto pelo ingresso de investimentos estrangeiros diretos (US$ 75 bilhões este ano e US$ 80 bilhões em 2018, segundo estima o BC).

Essas previsões são importantes porque o ano de 2018 pode ser marcado pelo acirramento das tensões políticas devido ao calendário eleitoral, que já apresenta – no momento – forte radicalização entre as propostas econômicas dos líderes das pesquisas eleitorais: pela esquerda, o ex-presidente Lula (cuja candidatura sofre a ameaça de processos em 2ª instância na Justiça) exibe cerca de 35% de intenções de voto, contra rejeição na faixa de 50%; pela direita, o deputado Jair Bolsonaro (porta-voz dos militares de linha dura) conta com 16% das intenções de voto e também com rejeição superior a 50%.

Se não houver uma candidatura aglutinadora de centro-esquerda ou mesmo centro- direita (menos radical), poderá haver turbulência no câmbio. A cotação do dólar/real está estimada em R$ 3,20 para dezembro de 2017 e em R$ 3,27 para dezembro de 2018, na última pesquisa Focus, colhida pelo Banco Central, na semana passada junto a uma centena de instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa.

Vale lembrar que em 2002, ano da acirrada disputa entre Lula e Serra (que saiu na frente e foi superado pelo petista que iniciou uma série de quatro governos eleitos pelo PT até o impeachment de Dilma, em maio de 2016), o dólar saltou da faixa de R$ 2,15 em abril para R$ 4,00 no dia 28 de outubro de 2002, quando foram apuradas as urnas do 2º turno. Na ocasião, muitas empresas que deviam em dólar entraram em crise, como as Organizações Globo, que pediram moratória nesta data.

O principal fator de melhora nas contas externas em 2017 será a balança comercial. Diante da recessão, as exportações devem superar as importações em US$ 61 bilhões (US$ 45,037 bilhões em 2016), mas o saldo tende a cair para US$ 51 bilhões em 2018, com a retomada do crescimento da economia atraindo mais importações e reduzindo os excedentes exportáveis: enquanto as exportações cresceriam US$ 8 bilhões, para US$ 218 bilhões, as importações aumentariam US$ 18 bilhões: de US$ 149 bilhões para US$ 167 bilhões.

Aluguel de equipamentos

Os gastos líquidos com aluguel de equipamentos vêm caindo com a redução do ritmo dos investimentos da Vale e da Petrobras. Depois de atingirem US$ 19,5 bilhões em 2016, devem estacionar em US$ 17 bilhões em 2017 e 2018, prevê o Banco Central. A despesa líquida de juros tende a cair dos US$ 23,5 bilhões esperados para este ano (US$ 21,9 bilhões em 2016) para US$ 20,5 bilhões em 2018. Já as remessas de lucros e dividendos tendem a aumentar com a retomada da economia gerando maiores lucros das multinacionais instaladas no país. O BC estima déficit de US$ 25,5 bilhões em 2018, contra US$ 23 bilhões este ano e US$ 19,4 bilhões em 2016.

As transações correntes apresentaram déficit de US$ 343 milhões em outubro, levando o resultado acumulado em 12 meses para déficit de US$ 9,6 bilhões, equivalentes a 0,48% do PIB. Na conta financeira, o ingresso líquido de investimentos diretos no País somou US$ 8,2 bilhões em outubro, acumulando US$ 83,3 bilhões nos últimos 12 meses, ou 4,14% do PIB. A balança comercial teve saldo de US$ 4,9 bilhões, acumulando saldo de US$ 56,1 bilhões, podendo levar à superação do saldo de US$ 61 bilhões, previsto pelo BC para 2017.

No mês passado, a conta de serviços registrou déficit de US$ 2,7 bilhões, 2,7% menor do que em outubro de 2016, mas a despesa líquida com viagens internacionais totalizou US$1,2 bilhão (correspondendo a 44,4% do déficit das contas externas), num aumento de 18,9% frente ao mesmo mês de 2016. Os gastos no exterior de residentes no Brasil cresceram 15,2%, contra aumento de apenas 6,7% nos gastos de turistas estrangeiros no país. Outra conta importante nos déficits de serviços no balanço de pagamentos, a de aluguel de equipamentos, teve déficit de US$ 1,3 bilhão, queda de 21,1% frente a outubro de 2016.

A despesa líquida na conta de renda primária (juros e remessas de lucros e dividendos + salários de brasileiros residentes no exterior) atingiu US$ 2,8 bilhões no mês, diminuição de 8,0% frente a outubro de 2016. A despesa líquida com juros alcançou US$ 1,3 bilhão, 8,7% abaixo da de outubro do ano passado. Já a despesa líquida de lucros e dividendos somou US$ 1,5 bilhão, 7,1% menor que a do mesmo mês de 2016. Em outubro, o ingresso líquido de investimento direto no país (IDP) atingiu US$ 8,2 bilhões, dos quais US$ 5,9 bilhões em participação no capital, e US$ 2,4 bilhões em operações intercompanhia. Nos dez primeiros meses de 2017 o ingresso líquido de IDP acumula US$ 60,0 bilhões, 9,3% acima do mesmo período de 2016.

 

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