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Com alta de 1,6%, investimento faz PIB avançar 0,1%

Com alta de 1,6%, investimento faz PIB avançar 0,1%

No ano, Produto Interno acumula alta de 0,6%. Formação Bruta de Capital Fixo teve o melhor desempenho em quatro anos.

Como adiantamos ontem, quando tratamos da previsão do Bradesco, o Produto Interno Bruto cresceu apenas 0,1% no 3º trimestre (o banco esperava +0,2%), com o resultado sendo liderado pelo desempenho dos investimentos, que avançaram 1,6%, no melhor desempenho em quatro anos, mostrando que a retomada da atividade ganha musculatura após 30 meses da maior recessão do país. A maior taxa anterior da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) fora de 3,2% no 2º trimestre de 2013. Segundo informou hoje o IBGE, o PIB teve ainda expansão de 1,4% em relação ao 3º trimestre de 2016. No ano, acumula alta de 0,6%.

O resultado trimestral ficou abaixo do esperado pelo mercado (+0,3%), mas dentro do estimado pelo Itaú, que previa uma expansão menor (1,1%) em relação ao 3º trimestre de 2016. No mesmo comunicado sobre o resultado das Contas Nacionais no 3º trimestre, o IBGE revisou para cima o desempenho do 2º trimestre na margem para mostrar crescimento de +0,7%, contra +0,2% informado antes. Foi feita ainda a revisão das contas de 2016, com a redução do PIB diminuindo de 3,6% para 3,5%, mas a taxa de consumo das famílias caiu ainda mais: de -4,2% para -4,3%.

Com endividamento e capacidade ociosa elevados, os agentes econômicos vinham evitando, há dois anos, investir no próprio negócio. Entretanto, com os juros básicos caindo (a média baixou de 14,1% no 3º trimestre de 2016 para 9,2% no 3º trimestre de 2017) e o aumento de 2% na massa salarial real (descontada a inflação em 12 meses, que ficou em 2,6% no final de outubro, contra 8,7% em outubro de 2016), as famílias tiveram alívio nos orçamentos e voltaram a consumir mais (+1,2% no trimestre e +2,2% em relação ao 3º trimestre de 2016).

Neste ambiente, as empresas tiveram mais facilidade para quitar dívidas e ficaram tentadas a financiar planos de expansão, até mesmo para melhorar a eficiência, em meio à elevada ociosidade da capacidade instalada. Vale lembrar que as concessões de infraestrutura também devem ter começado a ganhar dinamismo no 3º trimestre.

Na decomposição do PIB trimestral, o setor agropecuário teve recuo de 3%, a indústria cresceu 0,8% e o setor de serviços, que responde por mais de 70% do Produto Interno, cresceu 0,6%. No acumulado do ano, porém, é a agropecuária, com o extraordinário avanço de 14,5%, que sustenta a expansão de 0,6% do PIB. A indústria ainda cai 0,9% no ano e o setor de serviços vai reduzindo as perdas a apenas 0,2%. Na comparação com o 3º trimestre de 2016, o setor de serviços cresce 1%, com destaque para a alta de 3,8% no comércio atacadista e varejista, de 2,1% nas atividades imobiliárias e de 1,9% na movimentação de cargas e armazenagem, incluindo os correios. Já as atividades de intermediação financeira e seguros tiveram taxa estável (0%).

Em grande parte, a expansão da indústria e de segmentos do setor de serviços foi possível (mesmo com o desemprego ainda alto) pela recuperação do poder de compra das famílias (o consumo das famílias cresceu 0,4% no ano, após queda de 4,3% no ano passado). E o maior fator de alívio no orçamento das famílias foi o declínio dos preços dos alimentos, após a supersafra de grãos de 2016-17.

Na apresentação das Contas Nacionais trimestrais, o IBGE também divulgou um levantamento atualizado das projeções das principais culturas agrícolas. O milho, já computando a 2ª safra, de inverno, terá o aumento espetacular de 54,9%. O milho é o principal ingrediente das rações de aves e suínos, seguido da soja (que deve ter safra 40% maior). Isso significa custos mais baixos para os produtores e ovos e carnes suínas e de frango baratas na mesa do brasileiro.

Mas o bom resultado da soja e do milho respingou no aumento de 10,7% na safra de algodão (plantado após a colheita da soja no Centro-Oeste e no Oeste da Bahia). Isso significa mais renda e poder de consumo no interior do Brasil, o que pode aquecer a economia. Em compensação, para mostrar como a economia brasileira ficaria tolhida se ainda fosse tão dependente das duas culturas que imperaram desde o período colonial até a crise de 1929 – a cana de açúcar e o café -, ambos terão queda, respectivamente, de 6,8% e 7,9% em relação à safra do ano passado.

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