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Copom se reúne sob ameaça de IPCA abaixo do piso

Copom se reúne sob ameaça de IPCA abaixo do piso

Mercado estima que a Selic irá para 7% ao ano, com um corte de 0,50 p.p.. Projeção de inflação para 2017 é de 3,03%. E o cálculo para o PIB é revisado para cima, de 0,73% para 0,89%.

Apesar do resultado modesto do PIB no 3º trimestre (+0,1%), que foi neutralizado pela queda de 3% na produção da agropecuária, o crescimento de 0,8% na Indústria e de 0,6% no setor de serviços (que responde por mais de 70% do PIB), puxado pelo aumento de 1,2% no dispêndio das famílias, levou o mercado financeiro a revisar para cima – de 0,73% para 0,89% o aumento do PIB este ano, conforme a Pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central. Para 2018, o mercado elevou a alta de 2,58% para 2,60% e a de 2019 foi estimada em 2,90%. 

Mas os dois maiores bancos privados do país (Itaú e Bradesco) viram sinais de melhora generalizada no comportamento dos diversos setores da economia: a taxa de investimento, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 1,6% (o 1º resultado positivo em 15 trimestres) e setores de grande efeito multiplicador, como a indústria automobilística e a construção civil, estão engrenando alta suave, mas consistente. Por isso, estão revisando, “com viés para cima”, as projeções para a economia em 2017 e 2018. O Bradesco previa alta de 0,9% no PIB e agora espera algo acima de 1%. 

O Itaú foi ainda mais explícito. O banco, que esperava aumento de 0,8% no PIB, lembrou que as revisões feitas desde 2015 pelo IBGE nas contas nacionais reforçam a tendência de “um forte avanço da demanda doméstica. O consumo das famílias avançou 1,2%, se mantendo firme mesmo após o fim do saque das contas inativas do FGTS”. O Itaú ponderou ainda que se os números fortes de consumo e investimento foram compensados por contribuição negativa de exportações líquidas (estimada em -0,3 p.p) e da variação de estoques (idem em -0,5 p.p). A evolução negativa de estoques reflete menos a situação da indústria, e mais a contabilização de boa parte da produção agropecuária no 1º trimestre. 

Para o Itaú, mesmo “um crescimento dessazonalizado de 0,0% no 4T17 levaria a um crescimento de 1,0% em 2017”. Assim, a recuperação na demanda doméstica reforça o sinal dos indicadores mensais de que a recuperação está cada vez mais disseminada, ainda que em ritmo gradual. Por isso, o banco está impondo “um viés de alta para o cenário de crescimento do PIB 2017 (de 0,8%)”. Mas o economista do banco, Artur Manoel Passos, sublinha: “Olhando à frente, os fundamentos econômicos melhores, em especial no que tange à taxa de juros, devem manter a recuperação. No entanto, para que esta recuperação seja robusta, é preciso que a agenda de reformas continue avançando”. 

O Bradesco cita outro componente importante para a revisão para cima dos indicadores de produção, impulsionado pelo aumento do consumo das famílias: o ambiente mais favorável do mercado de trabalho, seja em relação ao início do retorno ao setor formal e às sucessivas quedas da taxa de desemprego (que passou de 12,9% no início do ano para 12,5% em outubro). Essa situação injeta mais confiança no consumidor e reduz a chamada “poupança precaucional”. Ou menos freio no consumo. 

Para o Bradesco, se ainda for levada em conta “a divulgação de dados novamente favoráveis de inflação e condições expansionistas no mercado de crédito, fatores que corroboram um cenário de recuperação gradual, mas consistente (...), e ainda o fato de que os dados referentes ao PIB agropecuário foram revisados para cima, o conjunto coloca viés de alta na projeção de 0,9% para o PIB do ano”. 

Divulgação da inflação oficial 

Por sinal, a semana será marcada tanto pela confirmação dos bons resultados da indústria amanhã, no primeiro dos dois dias de reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), quanto pela divulgação da inflação oficial de novembro, na sexta-feira, pelo IBGE. As expectativas do mercado são de que o Copom cortará a taxa Selic em 0,50 p.p., fechando o ano em 7% ao ano, a menor taxa histórica, o que pode ser um impulso à economia em 2018. Mas a decisão do Copom irá ganhar maior relevância pela tendência que indicar no comunicado ao fim da reunião. 

Muitos esperam nova queda da Selic em fevereiro (6 e 7), para 6,75% ou 6,50%, ainda que as apostas mais frequentes sejam de que o nível de 2018 feche em 7%. Mas as Top 5 (as cinco instituições que mais acertam as previsões) já estão cravando um intervalo entre 6,50% e 6,88%. A questão da calibragem entre taxas de juros e inflação ficará importante se o IPCA continuar se comportando de forma moderada, com o auxílio da deflação dos alimentos. 

Se a inflação do IPCA bater os 3,03% estimados pelo mercado na Pesquisa Focus, o Banco Central estará a salvo de escrever uma carta ao Ministro da Fazenda para se explicar por que a inflação ficou abaixo do piso mínimo tolerável (1,50 p.p. abaixo da meta de inflação, de 4,5%, nível que cai para 4,25% em 2018). Para o mercado, a inflação de novembro ficará em 0,38% e a de dezembro em 0,42%, com o IPCA fechando o ano em 3,03%. Mas o Bradesco (que vem acertando as previsões) estima o IPCA de novembro em apenas 0,35%. E as Top 5 (que na semana passada previam ICPA de 2017 em 3,03%, taxa incorporada na semana passada pelo mercado) esperam, agora, só 2,93%, com alta de 0,39% em novembro e 0,36% em dezembro. 

Como se percebe, a menos que ocorram novas altas combinadas de combustíveis (incluindo o GLP) e da energia elétrica, ou uma escalada nos preços dos alimentos para o Natal, o Banco Central vai ter de dar a mão à palmatória de que foi lento e cauteloso em demasia ao promover apenas duas baixas de 0,25 p.p. na taxa Selic a partir de setembro do ano passado, quando já se desenhava uma superssafra. 

Como venho criticando há muito aqui, o BC (através de seus oito diretores que integram o Copom) precisa fazer uma autocrítica e promover estudos mais profundos sobre o impacto dos alimentos na formação de expectativas da inflação. O país (e os empresários e as famílias) sofreria menos, pois o peso dos juros da dívida pública seria menor, se o BC tivesse sido mais ousado.

 

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