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Mercado de robotização de processos tem expansão acelerada

Paulo Pellon, presidente da UiPath no Brasil Paulo Pellon, presidente da UiPath no Brasil

Negócios da UiPath com RPA e Inteligência Artificial avançam rapidamente em vários países. Tendo como um dos focos a vertical financeira, empresa abre escritório no Brasil prevendo também forte crescimento já neste ano.

O mercado de softwares para Automação Robótica de Processos (RPA) e Inteligência Artificial (IA) vem crescendo a passos largos em todo o globo, em razão das facilidades trazidas pela tecnologia aos usuários, beneficiando várias verticais da economia. Na esteira deste “boom”, a multinacional UiPath, que se destaca nesta seara, tem experimentado um forte incremento de suas operações, multiplicando suas presença em vários países. A empresa abriu uma unidade completa de negócios no Brasil, tendo eleito como um de seus focos a indústria financeira local, que acena com grande potencial de demanda.

A RPA, implantada por meio de robôs que aprendem e executam tarefas junto com os humanos, foi concebida para aprimorar a performance das organizações e de seus colaboradores, otimizando processos, elevando a eficiência operacional e a produtividade, com drástica redução da margem de erros.

Fazendo parte da área de Inteligência Artificial, a RPA forma uma categoria muito nova de soluções. Graças aos seus recursos, nos últimos 18 meses ela se tornou o software cuja adoção é a que mais celeremente cresce no mundo, fazendo com que a UiPath sobressaia no setor. Se, 18 meses atrás, a empresa mantinha apenas cinco escritórios, agora ela conta com 40 deles. Abrigando mais de dois mil funcionários, ela já superou o patamar de US$ 150 milhões anuais em receitas recorrentes, atingindo um valor de mercado estimado em aproximadamente US$ 3 bilhões.

Geograficamente, as atividades da múlti, fundada na Romênia, tiveram início na Europa, estendendo-se posteriormente aos EUA e, a seguir, alcançando Ásia e América Latina. “Hoje somos uma empresa efetivamente global. Isso mostra a nossa capacidade de entrar em um dado mercado e nos adaptarmos rapidamente a ele”, nota Bobby Patrick, diretor de marketing da UiPath.

No Brasil, avalia-se que as perspectivas são otimistas, em vista das potencialidades do nosso mercado. A operação está sendo aberta com 20 funcionários, mas o prognóstico é de que este “staff” deva aumentar para 100 até o fim do ano. “Estamos em um mercado que tem imensa importância no contexto do mundo. Esta estimativa é até bastante conservadora, pois a corporação teve um ritmo de expansão acima de 5.000% nos últimos dois anos“, salienta Paulo Pellon, presidente da UiPath no Brasil.

O executivo nota que o País começa a sair da crise e que a entrada da RPA aqui pode ocasionar uma mudança significativa nas capacitações do mundo corporativo local: “As empresas brasileiras têm uma necessidade urgente de automação para que se tornem competitivas, aqui e lá fora”. Em termos de estratégias traçadas, ele menciona um grande foco em indústrias como a financeira, de telecom e de varejo.

Maturidade do mercado brasileiro

De seu lado, Graciela Arguelles, vice-presidente da UiPath para a América Latina, frisa que o mercado brasileiro já está pronto e maduro, com a vertical finanças, em especial, favorecendo a contratação de soluções de robotização de processos: “A tecnologia elimina tarefas repetitivas e ajuda as instituições a se focarem em suas áreas de risco e compliance, o que é muito importante para elas”.

Pellon, de seu lado, lembra que a RPA está sendo intensivamente empregada nas operações creditícias, o carro-chefe em vários bancos: “Todo o back-office de crédito adquire um nível muito maior de automação e de qualidade com o uso da tecnologia”. O executivo menciona também a utilização em call centers e na automação de atividades como contas a pagar e a receber, receitas e despesas, aprovação de propostas dentro das seguradoras, além da retaguarda de um departamento de RH, entre um sem-número de possibilidades.

A ampla difusão desta modalidade de automação, pondera o presidente, tem a ver diretamente com a facilidade de uso: “Nossa plataforma é bastante visual, permitindo que não só pessoas de TI mas também das áreas de negócio criem seus próprios robôs, seus próprios assistentes digitais”. A adaptação à tecnologia da UiPath, garante ele, é 40% mais rápida do que a verificada entre os concorrentes: “O usuário consegue colocar seus robôs em funcionamento mais velozmente. Não é à toda que temos a liderança mundial nesta área”.

Nesse sentido, Bobby Patrick enfatiza que a missão da corporação é “dar um robô para cada pessoa”. Para tanto, ela vem se esforçando para tornar seu software cada vez mais acessível, o que inclui uma política de treinamento gratuito: “O interessado baixa nosso software, treina e consegue um diploma, tudo isso sem custos. Queremos que as universidades inscrevam-se e deem um robô para cada aluno. O mesmo vale para pequenos empreendimentos”. Já as empresas recebem uma versão de teste e, quando obtiverem resultados, podem adquirir uma licença por um valor baixo, pago anualmente.

Outra característica facilitadora é que, diferentemente de outras tecnologias disponíveis, a RPA não demanda nenhum pré-requisito para sua implantação. “Trabalhamos com o legado do cliente. Não é preciso fazer nenhuma modificação no que existe hoje. Esta é a grande beleza da robotização. O que os robôs realizam é simular o comportamento humano. O robô vai fazer exatamente o que um funcionário faz para operar os sistemas que estão rodando”, explica Paulo Pellon.

Trata-se de uma plataforma com APIs abertas, que são compartilhadas em market places. Dessa maneira, fora da UiPath, as pessoas podem facilmente criar, integrar e compartilhar tecnologias. A comunidade desenvolvedora, formada por cerca de 300 mil pessoas, marca presença no mundo todo. A este universo soma-se uma equipe interna de desenvolvedores próprios: 55% de seus colaboradores são técnicos.

Além do mais, gigantes de TI como SAP, Oracle, Microsoft e Google (um dos investidores na empresa) estão hoje criando integrações que estão disponíveis gratuitamente. “Estamos então falando de um grande ecossistema em que soluções são desenhadas em torno do nosso produto. Nossos investidores são importantes não só pelo aporte financeiro, mas também pelo aporte tecnológico em muitos casos”, sublinha o presidente.

Renovação constante do produto

Este ambiente colaborativo viabiliza a meta de renovar constantemente o produto. Ao longo do tempo, a empresa adiciona mais capacitações aos robôs. “Portanto, a estratégia é promover a inovação aberta, com a assimilação de novas habilidades. Ao mesmo tempo, temos um grande comprometimento com e educação e a requalificação da força de trabalho para que eles possam se beneficiar da era digital”, assinala Patrick.

O entendimento do quão importante é a geração de conhecimentos novos faz que os escritórios da UiPath não se limitem apenas a realizar vendas, mas também sirvam como postos avançados para troca de experiências. Assim, muito dos relacionamentos que a multinacional mantém com os clientes retroalimentam seus produtos, dentro da estratégia de incorporar as peculiaridades de cada mercado para aprimorar o portfólio.

Esta política deverá se mostrar valiosa particularmente no mercado financeiro no Brasil, que é um heavy-user e um early-adopter de TI, o que faz dele em uma referência mundial, dada a complexidade e a sofisticação alcançadas, transformando as instituições brasileiras em verdadeiras exportadoras de conhecimento e de expertise.

“Quando se usa IA nos robôs, está-se se falando de robôs especializados, que no segmento financeiro podem estar centrados em algumas tarefas. Isso pode ser colocado em nosso market place e compartilhado com o restante do mundo. O mercado nacional não só adotará fortemente a RPA mas será também fundamental para o desenvolvimento global desta tecnologia”, assegura Pellon.

Por este conjunto de fatores, Graciela Arguelles nota ainda que a múlti enxerga o Brasil como um dos mercados principais na América Latina. “Temos forte comprometimento com o País e com toda a região. Nosso escritório tem não apenas a área comercial, mas abriga também a parte técnica para atender os clientes”, complementa.

Outro desdobramento da estratégia da desenvolvedora é expandir a presença física para além de São Paulo, estendendo-a para Porto Alegre e Rio de Janeiro e, em breve, para Brasília. Paralelamente, está sendo mobilizado um ecossistema cujo alcance deverá ultrapassar as regiões Sul e Sudeste, acabando por englobar também o Nordeste e o Centro-Oeste.

“Estamos preocupados em fomentar o avanço da robotização entre os nossos clientes. Por isso, resolvemos montar um escritório completo, com pessoas que vão dar o aconselhamento sobre como implantar a solução, e isso em português. Acreditamos ter o melhor produto do mercado, mas também é importante fazer com que os clientes encontrem a melhor forma de utilizá-lo”, conclui Pellano.

No Brasil, a corporação já conta com mais de 40 clientes, incluindo marcas como Renault, Souza Cruz, Bosch, ThyssenKrupp, Essilor, Ball Corporation, entre outras. Com este desempenho, o País já ocupa a segunda posição em importância para a empresa na Divisão Américas, ficando atrás somente dos EUA. No mundo, a múlti atende mais de 2,1 mil clientes.

Bobby Patrick, diretor de marketing da UiPath

Graciela Arguelles, vice-presidente da UiPath para a América Latina

 

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