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Um candidato competitivo

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda Henrique Meirelles, ministro da Fazenda

Henrique Meirelles é um economista competente e também um político habilidoso, um bom negociador, que lida bem com crises, com perguntas agressivas de repórteres e com parlamentares refratários

Todo mundo sabe que a recriação de empregos vai demorar bem mais do que a queda da inflação e a recuperação da economia, porque os empresários só recomeçam a contratar quando sentem que não há mais riscos e que as coisas se normalizaram. E isso pode durar um ano, ou até mais                                                 

 Mas já é possível supor que, caso a recuperação seja consistente, o Brasil terá um novo candidato a presidente, e bem competitivo: o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O goiano de Anápolis, ex-presidente mundial do Banco de Boston, retornou ao Brasil no final dos anos 90, depois de aposentado, com o firme propósito de conseguir exatamente isso: eleger-se presidente da República.

 Filiou-se ao PSDB, que já tinha candidato a presidente em 2002, o então ministro do Planejamento José Serra. Meirelles, então, disputou e ganhou uma cadeira de deputado federal por Goiás. Com Lula eleito, renunciou ao mandato parlamentar para assumir o Banco Central, com status de ministro.

 Foi ao ostracismo com Dilma Rousseff, a partir de 2010. Até mesmo as garças do Palácio da Alvorada sabem que Lula queria disputar a Presidência em 2014, porque considerava Dilma apenas guardando para ele a cadeira no Palácio do Planalto. Lula esperava retornar ao posto em glória apoteótica, com a Copa do Mundo vencida pelo Brasil e uma Olimpíada de sucesso no Rio de Janeiro.

 E mais, com o pré-sal bombando e o espetáculo do crescimento econômico em marcha.  Dilma estragou tudo, porque não abriu mão de disputar a reeleição, alegou ser um direito dela, enquanto o barco já estava indo a pique. Quando Dilma (ou Janete, ou Iolanda) conseguiu se reeleger, hoje sabemos como, Lula insistiu para que nomeasse Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda.

 Ela, porém, detestava pessoalmente o indicado por Lula, e teve que engolir Joaquim Levy, porque o patrão deste, o banqueiro Luís Carlos Trabuco, do Bradesco, não aceitou.  Quando assumiu a Presidência, com o impeachment de Dilma, Temer nem teve que pensar muito: Henrique Meirelles era o homem para cuidar das finanças.

 Henrique Meirelles é um economista competente e também um político habilidoso, um bom negociador, que lida bem com crises, com perguntas agressivas de repórteres e com parlamentares refratários.  Sabe usar o humor, é didático em suas explicações e pode desde já ser incluído entre as novidades para 2018.  Seu sucesso vai depender do sucesso da economia e da recuperação de empregos para os 13 milhões de brasileiros que sofreram com a recessão Lula/Dilma/Mantega.

O Feira e Dona Xepa

 As delações premiadas do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura são devastadoras, não só para Lula, como também para Dilma Rousseff. Pode ter ainda o efeito adicional de precipitar uma delação de Antônio Palocci.  Nem bem o PT ainda fingia comemorar a performance de Lula diante de Sérgio Moro, e o mundo caiu-lhes de novo sobre as cabeças.

 É importante notar que o relato de Santana e Mônica têm o respaldo de todo o noticiário de 2006, quando Lula resolveu disputar a reeleição mesmo sob o fogo do Mensalão. Santana foi jornalista da sucursal de Brasília do “Jornal do Brasil” nos anos 80, quando era conhecido pelos colegas como Patinhas. Baiano jeitoso e bom de conversa, todos os que o conheceram garantem:  entre os seus defeitos não está o de ser mentiroso.

 Mônica Moura, com memória impressionante, relata detalhes das conversas que manteve com Dilma Rousseff, os passeios pelo jardim do Alvorada, e até como ensinou a ela, no obsoleto computador que a presidente mantinha, a usar o rascunho de e-mails do Google, protegido por senha, para que se comunicassem.

 O codinome de Dilma era Iolanda, e foi por esse e-mail protegido que Dilma avisou a Mônica e a João Santana, com boa antecipação, de que seriam presos. A informação foi passada à presidente pelo então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que confirma tudo e alega ter agido por dever de ofício.

 Uma análise fria dos últimos acontecimentos mostra que Lula mentiu muito no depoimento a Moro, e que as delações de Santana e Mônica foram querosene na fogueira. E tem mais:  o depoimento de Lula ao juiz foi apenas sobre o triplex do Guarujá, o mais simples. 

 Quando a coisa chegar aos inquéritos sobre o sítio, sobre a Petrobras e sobre o caixa dois e as campanhas, com as relações pecaminosas com empreiteiras, a terra vai tremer.

 

 

 

 

 

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