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Meios de pagamentos digitais coexistem com plástico

Meios de pagamentos digitais coexistem com plástico

Substituição não é novidade e evolução das modalidades tem o desafio de melhorar cada vez mais a experiência entre consumidor e lojista

Na era do mobile banking, o cartão de plástico garante espaço sendo apontado como o meio mais democrático de pagamentos. “Outros dispositivos vão ganhar espaço e a indústria pensa no impacto ambiental”, afirmou Rogério Panca, diretor de meios de pagamentos do Banco do Brasil, um dos participantes de um painel do Ciab, realizado ontem em São Paulo.

A desconstrução do plástico e o esforço da indústria em oferecer conveniência, facilidade e rapidez no segmento foram debatidos no painel sobre o plástico no mundo digital. Nessa discussão, o avanço dos meios de pagamentos digitais sempre traz à tona o futuro com outros dispositivos que tendem a decretar o desaparecimento do plástico.

No Brasil, representantes do Banco do Brasil, Itaú Unibanco, da nova instituição financeira CBSS e da Mastercard Brasil concordam que os meios digitais tendem a coexistir com o plástico em expansão. “O plástico poderá ser substituído, mas não temos ideia de quando isso ocorrerá. A mudança depende da indústria e fatores culturais”, afirmou Rubens Fogli, diretor de produtos e pagamentos digitais do Itaú Unibanco. “O mobile banking já é uma realidade, mas a velocidade de crescimento dos pagamentos digitais ainda é incerta.”

Para Fogli, a evolução de cada modalidade de pagamento terá de apresentar melhorias relevantes na experiência entre o consumidor e o lojista. Mais de 70% das transações do Itaú já passam pelos canais digitais e metade pelos celulares, porém mais de 40% ainda são feitas em espécie, o que mostra os desafios do segmento. O Banco do Brasil registra mais de 70% das transações bancárias passaram pelos canais digitais (resultado do 1º trimestre do ano): quase metade via mobile e 22% pela internet.

Carteiras digitais inteligentes

A consolidação dos meios de pagamento digitais traz mudanças importantes nos hábitos de consumo e na preferência de cartões pelos clientes, segundo o executivo. No mundo a tecnologia evolui de forma diferente e as fintechs têm um papel relevante na inovação. “Elas são importantes na cadeia, já que contribuem para a evolução dos modelos digitais”, disse Fogli.

No cenário competitivo, o executivo do Itaú Unibanco mencionou o avanço das carteiras digitais inteligentes, por exemplo, a Wallaby Financial. A startup coloca em um só plástico todos os cartões do consumidor evitando que ele carregue todos os cartões. A tecnologia embutida ajuda o consumidor a optar pelo melhor cartão no momento da compra, considerando preferências e vantagens oferecidas por cada um. Outro ponto é a crescente proliferação de cartões que atendem nichos de mercado.

No mundo, as escolhas pela tecnologia avançam de forma diferente, como explicou Fogli. Enquanto nos Estados Unidos, a tecnologia NFC (comunicação por proximidade, em português) é padrão para os pagamentos digitais e cresce com a expansão dos serviços Apple, Samsung e Google. Já na Europa, observa-se o avanço dos pagamentos P2P por meio de aplicativos como Bung, Swish, entre outros. Já na China, por exemplo, a tecnologia dominante é o QR code usado no Alipay.

Biometria

Uma das preocupações recorrentes da indústria é tornar a autenticação mais eficiente reduzindo as fraudes. Para Panca, diretor do BB, o combate às fraudes é um desafio que passa por ações educativas e de comunicação. “É importante transmitir cada vez mais segurança e mostrar o empenho em combater o problema. Os números são altos, mas não é preciso ser alarmista.”

A biometria garante ainda mais segurança nos diversos canais de atendimento e os bancos buscam oferecer soluções diferenciadas aos clientes. No segmento de pagamentos, a aplicação da tecnologia depende da escala. Além de mecanismos como chip, o plástico pode agregar a tecnologia NFC com antenas. “A opção terá um custo extra. Importante lembrar que o cartão de crédito atrai pessoas com idade mais elevada”, destacou Fogli, do Itaú Unibanco.

“No caso da Índia, transferências e pagamentos são autenticados pela impressão digital, já que grande parte da população não tem acesso a smartphones”, disse Carlos Giovane Neves, presidente do Banco CBSS. A falta de padrões para a aplicação da biometria no país é um dos entraves. “Ao buscar a padronização, todos tendem a ganhar com o trabalho colaborativo”, ressalta Neves.

Na Austrália, os pagamentos NFC já representam 70% das transações. “Compras no supermercado são pagas com NFC. O crescimento dessas aplicações e do uso de outros dispositivos depende da cultura”, ressaltou o diretor do BB.

One click to buy

Criado há menos de dois anos, o banco CBSS já tem dois milhões de clientes e a estratégia é desenvolver soluções simples e inovadoras para atrair clientes. Entre as inovações, destaca-se a linha de crédito pessoal “Parcele” que pode ser comparada a um carnê virtual para as compras no e-commerce. Clientes e não clientes têm acesso ao financiamento pré-aprovado em lojas parceiras e pode dividir o valor em até 24 parcelas fixas, com taxas mais baixas entre 1,99% a 3,99%. “Apostamos na tendência ‘one click to buy’ para a conveniência ao cliente. Vinte por cento das transações são negadas por falta de limite”, afirmou o presidente do Banco CBSS.

O banco criou a plataforma digital Digio, começando com um cartão de crédito com a mesma marca. Segundo o principal executivo da instituição, o plástico já tem 450 mil cartões ativos e não cobra anuidade. Pelo site ou aplicativo, o cliente pode pedir seu cartão Visa. Depois envia os documentos digitalizados e faz uma selfie para a foto do cadastro. Entre os mecanismos de segurança, o banco aplica a biometria facial.

O cliente pode controlar seus gastos, aumentar ou reduzir o limite, além de comunicar roubo ou perda do cartão pelo aplicativo sem precisar ligar para a central de atendimento. Se preferir, o consumidor pode parcelar as compras com taxa de 7,9%.

Planos não faltam para o Banco CBSS, segundo o seu principal executivo. Estão previstos o lançamento de outros produtos como o cartão Elo, opções para empréstimo e a Digio Store, loja virtual com ampla gama de serviços embutidos, por exemplo, seguros. No futuro, a Digio poderá ampliar gama, incluindo até produtos financeiros dos sócios Bradesco e BB.

 

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