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Crise Joesley-Temer atropela recuperação

Crise Joesley-Temer atropela recuperação

Vendas no varejo sofreram ligeira queda de 0,1% em maio, na comparação com abril

A crise política do governo Temer - deflagrada, em 17 de maio, com a divulgação das conversas gravadas pelo empresário Joesley Batista, um dos controladores do grupo J&F, em 7 de março, no Palácio Jaburu, culminando com o pedido de investigação do presidente da República – atropelou a trajetória de recuperação do comércio em maio, com ligeira queda de 0,1% no volume de vendas do varejo frente a abril, que havia registrado expansão de 0,9% sobre março (queda de 1,2% ante fevereiro), segundo levantamento divulgado hoje pelo IBGE. E os dados sobre o mercado de serviços, que o IBGE divulga amanhã, deverão confirmar a interrupção da retomada da economia.

No mês, quatro dos oito setores pesquisados apresentaram aumento no volume de vendas, com destaque para as altas de 1,2% em móveis e eletrodomésticos (efeito do Dia das Mães, combinado com a liberação do FGTS), +0,6% em combustíveis e lubrificantes e + 1,4% em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (graças à queda dos preços dos alimentos). Um setor ficou estável e três registraram queda: livros, jornais e revistas (-4,5%), equipamentos e material de escritório e informática (-2,8%) e tecidos, vestuário e calçados (-7,8%).

Os destaques no varejo ampliado, que teve queda de 0,7% no volume de vendas, foram as altas de 1,2% em veículos e motos e autopeças, e de 1,9% em material de construção. Os dois segmentos têm grande efeito multiplicador na cadeia produtiva e estão diretamente relacionados ao aumento das perspectivas de renda das famílias. O Itaú destaca que foi a “2ª alta consecutiva na comparação anual após 24 meses no terreno negativo”.

Na métrica de comparação com igual mês do ano anterior, as vendas no varejo ampliado mostraram crescimento de 4,5%, interrompendo sequência de 35 taxas negativas consecutivas nessa comparação. Segundo Isabella Nunes Pereira, pesquisadora do IBGE, esse desempenho foi influenciado principalmente pelas vendas de veículos, que em maio de 2017 registraram aumento de 4,5%, após uma sequência de 38 meses de taxas negativas para a atividade. Devido ao Dia das Mães, maio sempre aquece as vendas, mas não foi o que aconteceu em 2015, com queda de 4,5%, e maio de 2016, com queda ainda maior, de 9%.

A pesquisadora lembra que o aumento de 2,4% em maio foi o melhor para o mês em três anos. Vale ressaltar, porém, que maio teve 22 dias úteis em 2017, contra 21 em maio de 2016. O destaque foi do grupo de atividades que tem suas vendas impactadas pelo Dia das Mães: móveis e eletrodomésticos (+13,8%); tecidos, vestuário e calçados (+5,0%); artigos de uso pessoal e doméstico (+2,6%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (3,8%); e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+8,8%).

Mercado de trabalho estável

O IBGE ressalta que outra influência positiva para o comércio foi o fato de o mercado de trabalho ter ficado estável no trimestre março-maio frente ao trimestre anterior (dez-fev), com exceção do número de carteiras assinadas, que recua 1,4% na comparação. Em relação ao mesmo trimestre de 2016, o rendimento médio dos salários recebidos aumenta 2,3% e a massa salarial cresce 0,9%, dois elementos que, junto com a queda dos preços da alimentação, podem aquecer as vendas no 2º semestre.

De acordo com levantamento do IBGE, para uma inflação acumulada em 12 meses pelo IPCA até maio (3,50%), os alimentos em domicílio registravam declínio de 1,1%, aliviando bastante os orçamentos familiares, já que os gastos com alimentação representam cerca de um quarto das despesas das famílias. No mesmo mês de maio, os artigos que lideravam as baixas em 12 meses eram os microcomputadores, com queda de 11,8% nos preços, seguido pela diminuição de 2,8% nos aparelhos eletroeletrônicos. Os preços dos automóveis novos caíram 1,9%, os combustíveis tiveram baixa acumulada de 1,3% e os móveis ficaram 1% mais baratos.

Entre os preços que sobem, chama a atenção a alta acumulada de 8,3% nos artigos de papelaria e de 5,8% nos produtos farmacêuticos e perfumaria. Por isso, os primeiros tiveram queda de 10,5% no acumulado de 12 meses no volume de vendas de livros, jornais, revistas e papelaria, enquanto as vendas dos segundos encolheram 3%.

O Departamento Econômico do Bradesco acredita que o 2º semestre pode retomar a expansão da economia, via indústria e setores do comércio e de serviços. Lembra que o levantamento da produção industrial em maio pelo IBGE apontou expansão em 8 das 14 regiões pesquisadas.

Os dados positivos foram no Ceará (5,9%), Bahia (3,6%), Pará (3,1%), São Paulo (2,5%), Rio Grande do Sul (2,5%), Santa Catarina (1,4%), Paraná (1,4%), Goiás (0,8%), Pernambuco (0,1%) e o restante do Nordeste (1,3%). Tiveram retração Minas Gerais (-0,2%), Rio de Janeiro (-1,6%), Espírito Santo (-1,9%) e Amazonas (-3,6%). Na comparação interanual, as maiores altas foram verificadas no Ceará (67,3%), Rio Grande do Sul (65,6%) e Bahia (60,6%), refletindo os desempenhos positivos da indústria de metalurgia, fabricação de produtos do fumo e preparação de couros, artigos para viagem e calçados, nessa ordem.

O Depec Bradesco acredita que a produção industrial, após avanço de 0,8% em maio, deve ter recuado em junho. Para a 2ª metade do ano, aposta que a retomada gradual da indústria será puxada pelos segmentos de veículos automotores, máquinas e equipamentos, siderurgia e alimentos.

Safra recorde garante preços baixos para alimentos

O Depec Bradesco também analisou o levantamento de julho da safra agrícola de 2-16/17, divulgada ontem pela Conab, e concluiu que a “confirmação do forte crescimento da oferta nacional de grãos seguirá favorecendo a queda dos preços domésticos, aliviando os custos nos segmentos de carnes e de leites e derivados e mantendo os preços de alimentos ao consumidor em níveis baixos, além de impulsionar a renda agrícola nas regiões produtoras de grãos”. Despesa menor com alimentação e combustíveis tende a ampliar o espaço nos orçamentos para a retomada do consumo.

Foi o décimo levantamento que aponta, pela sétima vez seguida, ótimas expectativas para a safra de grãos, em período de colheita. A área plantada e a produção de grãos chegarão aos seus níveis recordes de 60,6 milhões de ha e 237,2 milhões de toneladas, com expansão, respectivamente, de 3,7% e 27,1% ante a safra 2015/16.

Em relação ao levantamento de junho, o montante da colheita de grãos foi aumentado em 2,9 milhões de t, dois quais 2,1 milhões de t. se referem à safra de milho, enquanto a de soja ficou praticamente estável. As duas maiores safras (milho e soja) chegarão aos níveis recordes de 96,0 milhões e 113,9 milhões de t., subindo, respectivamente, 44,3% e 19,4% ante a safra passada. A produção de arroz também foi ajustada para + 1,5%, mas a safra de feijão deverá ser 0,8% menor em relação ao levantamento anterior, porém com grande acréscimo sobre 2015/16.

 

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