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Crescimento na crise

Crescimento na crise

Se fosse possível aprovar a reforma da Previdência, mesmo que parcial, os efeitos na economia poderiam ser sentidos de forma sólida em 2018

A partir desta semana, poderemos analisar os efeitos da reforma trabalhista aprovada neste ano e que entrou formalmente em vigor. A grande reação, claro, veio dos sindicatos, que sairão de sua zona de conforto com o fim da contribuição obrigatória dos trabalhadores e do governo. Quem tiver competência, que se estabeleça sem o dinheiro fácil. 

Se fosse possível aprovar a reforma da Previdência, mesmo que parcial, nas quatro semanas de trabalho legislativo que ainda restam, os efeitos no crescimento econômico poderiam ser sentidos de forma sólida em 2018. O economista José Márcio Camargo, especialista em macroeconomia e em trabalho, calcula que o crescimento chegará a 4%. 

Camargo, em entrevista ao jornal “Correio Braziliense”, estima que no próximo ano o desemprego vai cair para 8,5%, a inflação ficará em 3,5% e o crescimento econômico só não será mais rápido e vigoroso porque as famílias, empresas e consumidores em geral estão muito endividados.  

O economista lembra que, depois da reunificação alemã no início dos anos 90, “a taxa de desemprego explodiu e a economia se estagnou”. Para fazer frente às gigantescas despesas, o governo de Helmut Kohl aumentou as taxas de juros, o que quase quebrou países europeus, tamanha a fuga de capitais em busca da remuneração alemã. 

Entre 2003 e 2005, a Alemanha fez uma reforma trabalhista parecida com a brasileira, com flexibilização dos salários e mudanças nas regras do seguro-desemprego, e o resultado foi imediato.  O Brasil poderá, portanto, passar por uma reviravolta econômica lenta, mas consistente, e em meio a uma das maiores crises políticas dos períodos democráticos. 

Mesmo que não seja aprovada agora, a reforma da Previdência vai ser feita nem que seja pelo próximo governo, e os protestos e a gritaria vão acontecer, como aconteceram em todos os países do mundo onde foi realizada. A França, por exemplo, viu Paris ser invadida por trabalhadores de todo país nos anos 90, e a mobilização agora é por conta da reforma trabalhista de Emmanuel Macron. 

A Argentina de Mauricio Macri promete uma reforma trabalhista semelhante à brasileira, que certamente levará às ruas não só os órfãos do peronismo, mas também os cidadãos preocupados com o próprio futuro. Nenhuma reforma é consensual, porque há uma sensação de perda de direitos imediata. 

As profundas reformas do ajuste fiscal de Roberto Campos e Octávio Gouvêa de Bulhões no governo Castello Branco (só mesmo em uma ditadura seria possível algo tão duro) provocaram recessão, mas levaram o país a um crescimento de 10% ao ano durante o governo seguinte. O crescimento só estancou com a crise decorrente do primeiro choque do petróleo, em 1973/74. 

Resta saber que efeito terá na campanha eleitoral de 2018 esse esperado crescimento econômico – se ele realmente vier. Mesmo encurralado, o governo Michel Temer consegue passos importantes na economia.

Fake-news e guerra virtual

O competente jornalista William Waack foi destruído publicamente por uma denúncia via redes sociais, por causa de uma frase que poucos conseguiram ouvir, em uma conversa privada há praticamente um ano e sob a tensão de uma transmissão ao vivo prestes a se iniciar.  As relações sociais e políticas no Brasil estão perto de se tornar assustadoras. 

As reações à demissão na Internet foram de satisfação, uma espécie de vingança saboreada como prato frio, contra alguém que não se conhece pessoalmente, apenas pela televisão e por suas opiniões políticas. O ódio levado ao paroxismo e a intolerância política exercitada na forma de linchamento. 

As próximas eleições serão também um bom cardápio para o estudo das nossas patologias sociais e políticas, por meio das redes sociais. Certamente, a Internet terá papel decisivo ao longo da campanha eleitoral. Retomaremos o assunto.

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