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Atender o padrão IFRS 9, um novo desafio dos bancos

Atender o padrão IFRS 9, um novo desafio dos bancos

Mudanças nos cálculos de depreciação do crédito exigirão uma readequação interna das instituições. Grande crescimento dos volumes de dados para análise afetará os sistemas de TI, os processos e a capacitação profissional.

Os bancos brasileiros estão sendo desafiados por uma nova demanda no complexo domínio da gestão de riscos, sobre o qual já incide um sem-número de regulações. A adesão ao padrão IFRS (Internacional Financial Reporting Standard – Padrões Internacionais para Relatórios Financeiros), em sua versão 9, requer uma nova forma de quantificar e mitigar os riscos de crédito, o que redundará em mudanças expressivas em sistemas de TI, processos e capacitação profissional para dar conta da avalanche de dados prevista.

Se hoje, na área creditícia bancária, as perdas incorridas ou observadas são tomadas como base de cálculo das provisões, a conformidade com o IFRS 9 exigirá que sejam levadas em conta as perdas esperadas ou expectativas futuras de perdas (ECL - Expected Credit Losses). Para tanto, será imprescindível a adoção de melhores práticas para formular a metodologia de modelagem para cálculo do provisionamento, demandando um intenso trabalho de processamento e análise de dados.

Todos os grandes bancos, de modo geral, estão adiantados na implementação do IFRS, aprimorando os processos de reporting e produzindo balanços mais acurados, nota Renato Fiorini, gerente de Gestão de Riscos do SAS América Latina, em entrevista para o portal de Executivos Financeiros. Já as médias e pequenas instituições deverão entrar em conformidade até janeiro de 2020, sob a orientação do Bacen.

A sistemática de cálculo baseada nas perdas esperadas, acrescenta o entrevistado, permitirá uma maior robustez dos demonstrativos contábeis. “Os modelos preditivos trarão maior precisão para refletir os modelos de negócios, com abordagens avançadas para cálculo de capital. Assim, por exemplo, ao se emitir um cartão para um correntista, um banco já pode fazer predições desde o momento zero da concessão. Poderá ser calculado o peso da provisão no custo do produto”.

Um dos desafios colocados para as instituições é o nível de granularidade demandado para o compliance com a nova legislação. O modelo de cálculo da ECL requer considerar cada instrumento financeiro em um nível de ativo individual, o que significa que uma grande quantidade de dados precisa ser coletada e processada. 

Perdas calculadas para todos os instrumentos financeiros

Em outros termos, o principal impacto nos bancos, na avaliação do SAS, é a necessidade de sempre reconhecer a ECL para todos os instrumentos financeiros e nos níveis de ativo individual e agrupado. Os bancos precisarão atualizar os valores de ECL em cada data de relatório para refletir as alterações nos riscos de crédito. Isso aumentará significativamente o número e a frequência de cálculos de depreciação que devem ser realizados e na quantidade de informações que deve ser coletada para fazê-los.

Para que sejam previstas as perdas futuras, será necessário selecionar cada contrato e projetar seu comportamento mais à frente, antevendo fluxos de caixa futuros para cada ativo. Essa etapa, pondera o SAS, também gerará uma quantidade de dados significativa. Embora esses dados possam não precisar ser retidos por um longo período, o simples fato de que eles precisam ser gerados cria um impacto no tempo de fornecimento e no espaço de armazenamento necessário.

Além do mais, para prever as perdas, será necessário criar novos modelos para traçar o comportamento do ativo de um banco de acordo com determinados cenários econômicos. Esses novos modelos precisarão ser criados com base em dados históricos e isso significa que os dados que capturam o comportamento de perdas precisarão estar disponíveis, adicionando uma dimensão extra à já grande quantidade de dados necessária para calcular a ECL.

Com esses predicados, a exigência trazida pela IFRS 9 contribui para reduzir o risco sistêmico, ao mesmo tempo proporcionando provisões mais exatas para compor os resultados e os dividendos. Ao fim e ao cabo, “a melhor gestão de riscos propicia melhores processos de concessão de crédito”, resume Fiorini.

Concretamente, abraçar a nova versão do padrão contábil global implica realizar vários procedimentos internos nas instituições financeiras. Deve haver uma coordenação das diferentes áreas de riscos, junto com um esforço de capacitação de pessoas. “É uma adequação similar à verificada com Basileia 2, no sentido de que pressupõe aprendizado constante, melhora de processos, novos modelos e melhor preparo dos dados. Busca-se sempre uma melhoria contínua”, enfatiza o especialista do SAS. 

Grandes áreas de Analytics

Os grandes bancos já contam com grandes áreas de Analytics para realizar uma gestão de riscos adequada, aptas a analisar grandes volumes de dados, com intervalos de tempo menores e efetivação de modelagens mais avançadas. Caberia agora aperfeiçoar estes ambientes para melhor contemplar os requerimentos específicos do IFRS 9.

Será assim indispensável elevar a capacidade dos sistemas de TI para lidar com grandes quantidades de dados em tempo hábil. Os bancos deverão estar aptos a gerar cálculos robustos e precisos no prazo, não apenas para atender às necessidades regulatórias, mas também devido ao impacto que estes cálculos têm nos níveis de capital e nos resultados financeiros. Quanto mais dados de boa qualidade os bancos puderem reunir, maior será a chance de eles poderem chegar a modelos ideais e a uma metodologia eficiente para cálculo de ECL. 

No que se refere à expertise tecnológica requerida, assinala o entrevistado, o software SAS pode lidar com os volumes de dados esperados que a nova regulamentação IFRS 9 irá gerar. A ferramenta, completa ele, conta com uma série de recursos, como a tecnologia Hadoop, que permite armazenamento de dados com menores custos; o processamento analítico in-memory, bem mais veloz; o funcionamento in database, possibilitando que a preparação dos dados, o processamento e o scoring sejam realizados dentro do banco de dados.

“Com nossa expertise em Analytics, a proposta de valor é industrializar os processos regulatórios, eliminando os cruzamentos manuais e trazendo grandes volumes de dados para a realidade produtiva. Deste modo, reduzimos o tempo consumido, suportando com maior eficiência as políticas de compliance e minimizando riscos”, conclui Fiorini.

Renato Fiorini, gerente de Gestão de Riscos do SAS América Latina

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