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Oxigênio renova os negócios da Porto Seguro

Mauricio Martinez, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento e Digital da Porto Seguro Mauricio Martinez, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento e Digital da Porto Seguro

Soluções das startups abrigadas no hub abastecem empresas do Grupo. E a cultura de desenvolvimento ágil, trazida pelos empreendedores, também acelera o lançamento de produtos e serviços no mercado.

Aceleradora corporativa de projetos de inovação da Porto Seguro, a Oxigênio vem desempenhando um papel de grande relevância na renovação dos negócios da seguradora. Este resultado deve-se à maneira com que o hub foi estruturado, em linha com o planejamento estratégico traçado pela corporação.

Fundado em setembro de 2015, situado no centro de São Paulo (SP), o espaço tem possibilitado o desenho ágil de soluções para as 23 empresas que compõem o Grupo, as quais ofertam conjuntamente um portfólio de 80 produtos e serviços.

Além de atuar com vários ramos de seguros patrimoniais e de pessoas, a organização trabalha em áreas como consórcios, finanças, proteção e monitoramento, telefonia móvel, saúde ocupacional e cultura, entre outras, abrindo campo para um sem-número de propostas de valor.

“Procuramos acelerar quem tem alguma sinergia com a Porto. Se uma startup tem algum produto ou serviço que podemos oferecer aos nossos clientes, este é o match perfeito. Entregamos um diferencial para o mercado e ajudamos uma entrante a tracionar”, ressalta Mauricio Martinez, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento e Digital da Porto Seguro, ao falar para o portal de Executivos Financeiros.

Ao mesmo tempo em que se diversifica o elenco de soluções, a meta é também desafiar a companhia para que ela se torne internamente mais célere em seus processos e no desenho de projetos. A transformação da cultura organizacional é, portanto, um outro objetivo estratégico almejado.

Em resumo, a Oxigênio visa estimular o ecossistema de empreendedorismo, propiciando ganhos para as iniciantes, para a seguradora e para o País. “O mercado depois nos dá retorno de uma forma ou de outra, seja em projetos, em repercussão, em novos clientes ou linhas de negócios, o que nos dá prazer em trabalhar com startups”, assinala Martinez.

Neste processo, em um intervalo de pouco mais de três anos, o balanço aponta hoje 32 microempreendimentos apoiados na Oxigênio, universo que deverá ampliar-se para 37 agora em fevereiro, quando será deflagrado o sétimo ciclo de aceleração promovido pelo hub.

Oportunidades mapeadas

Cerca de 30 projetos já se encontram em piloto, havendo, adicionalmente, 43 oportunidades mapeadas no backlog, à espera de amadurecimento para se ir adiante no desenvolvimento ou na pivotagem.

O número de startups inscritas até o presente momento, desde setembro de 2015, já bateu em 6.158. Em cada ciclo de aceleração (que ocorre duas vezes ao ano), comparecem em média entre 1 mil e 1.200 interessadas.

Propiciando sessões de mentoria, workshops e palestras com executivos da Porto e especialistas do mercado, o ecossistema dispõe de dois programas de aceleração: 1) O Ignição, focando startups em estágio intermediário, com investimento de R$ 200 mil em cada uma; 2) O Tração, que impulsiona iniciantes em estágios mais avançados, investindo de R$ 350 mil a R$ 500 mil. 

Ambos os programas têm duração de quatro meses, com possibilidade de extensão por mais três meses com a Plug and Play Tech Center (parceira da Porto), no Vale do Silício nos Estados Unidos. 

A soma dos investimentos desembolsados até agora gira em torno de R$ 6 milhões (por parte da seguradora e da Plug and Play). O hub conta ainda com o apoio da Liga Ventures, além de empresas de TI como Amazon, Google, IBM e Microsoft, entre outras. 

Em razão da já mencionada amplitude dos negócios do Grupo, a fase de seleção pauta-se por um escopo abrangente, longe de se ater apenas a Fintechs ou Insurtechs. “Consideramos também em que área a startup acredita que vai agregar valor a um dos produtos com que a Porto atua”, adiciona Martinez.

Dois exemplos nesse sentido vêm de duas entrantes, apoiadas pelo Tração, que incursionam pelo mercado de medicina. A Amplimed possibilita aos médicos gerenciarem suas clínicas, com o agendamento de consultas via aplicativo. A ferramenta já é utilizada por mais de 200 clínicas e 1,2 mil profissionais em todo o Brasil.

Já a Livance projetou uma plataforma de coworking para profissionais da saúde, voltada para médicos que precisam atender em vários endereços, proporcionando flexibilidade e redução de custos para se manter um consultório

Inovações fora do escopo inicial

O interessante, conforme Martinez, é que, mesmo com foco nas linhas de negócios da Porto, muitas vezes as iniciantes aportam inovações que não tinham sido cogitadas anteriormente pelos gestores da Oxigênio.

Um exemplo concreto é o da Events, startup acelerada que organiza a parte de hotelaria de eventos, serviço que passou a ser empregado diretamente pela seguradora, além de ser oferecido por sua rede de corretores. Desse modo, a microempresa já atuou em realizações como Rock & Rio, Festival de Barretos e Lollapalooza.

“Os jovens empreendedores conseguem propor novos negócios antes não pensados, perceber oportunidades que às vezes uma grande empresa não percebe. Conseguem criar soluções inovadoras para nos desafiar”, assinala o gerente.

Explicando mais detalhadamente as razões do êxito logrado até o momento, o entrevistado menciona, primeiramente, a proximidade dos gestores de negócios da Porto com as entrantes. Assim, cada startup abrigada recebe um mentor, que é diretor de uma das empresas que compõem o Grupo.

“Nossos executivos são engajados neste projeto de inovação, dedicando uma parte da agenda para conversar com os empreendedores e conectá-los com o networking, instigando as nossas estruturas operacionais a realizarem projetos com as startups”, nota ele.

Ademais, a própria Porto acaba sendo o primeiro grande cliente das startups. “Aí se quebra uma barreira tradicional, que é a falta de cases que sirvam como referência. O programa atua um pouco como uma plataforma para lançar estes empreendedores. Por isso, quando dizemos que pretendemos ajudar o mercado brasileiro, não é da boca para fora. Realmente acreditamos nesta necessidade”, acrescenta.

O objetivo, no fim das contas, é fazer com que uma dada empreitada efetivamente decole, comercialize sua solução na praça e gere faturamento, ressarcindo os investimentos feitos desde o início.

Por este conjunto de fatores, o gerente salienta que a proposta da Oxigênio é ser muito mais do que um simples coworking. Para dar este passo à frente, foi materializado um processo completo de aceleração, o que abrange a cessão de espaço, a injeção de recursos e um programa estruturado de mentoria.

O ecossistema assim constituído assumiu, em virtude destes diferenciais, uma proporção tão grande que às vezes parece formar, aos olhos do público, uma estrutura à parte da Porto. “Mas não é este o caso. Ele só existe porque a seguradora patrocina este projeto”, ressalva o entrevistado.

Apoio ao intraempreendedorismo

O Grupo desenvolveu também outros programas de inovação que, de uma maneira ou de outra, orbitam a Oxigênio. Além dos tradicionais hackatons, são promovidas iniciativas de estímulo ao intraempreendedorismo. Desse modo, um colaborador pode criar uma solução nova para uma área, ou pode partir para montar sua própria empresa, ingressando neste caso em uma etapa de pré-aceleração.

No empreendedorismo interno, registraram-se 124 funcionários inscritos até hoje, com oito startups pré-aceleradas, pertencentes a 11 colaboradores. Destas oito, duas encontram-se no hub em processo de construção de MVP (Produto Mínimo Viável), estando outras já ativas no mercado.

“Somos criteriosos na seleção de funcionários porque às vezes o pessoal fica empolgado demais com algumas ideias que sabemos que não poderão ser executadas, como por exemplo a de montar um carro elétrico. Por isso nem todos os inscritos são selecionados para participar”, revela Mauricio Martinez.

Conceitualmente falando, a pré-aceleração equivale a uma incubação. Trata-se de uma etapa preparatória que ajuda uma startup a criar o MVP e colocar o negócio de pé para que as vendas possam ser iniciadas.

Um case bem-sucedido da política de fomento ao intraemprendedorismo na Porto é protagonizado pela Electrowave, que dispõe de uma solução de monitoramento dos parâmetros da energia elétrica na residência dos segurados, possibilitando que se identifique a origem de eventuais danos elétricos.

De resto, a Oxigênio estabeleceu programas para cada uma das seis dimensões da gestão da inovação, buscando cobrir o espectro inteiro do processo: explorar e emergir, emergir e organizar, gerar possibilidades, gerar soluções, desenvolver efetivamente as soluções criadas e acelerar.

DESENVOLVIMENTO MAIS ÁGIL DE SOLUÇÕES  

Uma das características diferenciadoras das startups é a velocidade com que desenvolvem projetos, normalmente fazendo uso de metodologias como o Design Sprint. O fato é que estas práticas inovadoras, difundidas a partir da Oxigênio, foram abraçadas por toda a organização Porto Seguro, beneficiando diretamente suas operações comerciais.

Em linhas gerais, o Design Sprint é uma metodologia participativa, em que predomina um trabalho colaborativo e multidisciplinar de criação, mobilizando várias áreas: negócios, comercial, marketing, desenvolvimento, ciências do comportamento, entre outras.

Este esforço coletivo possibilita conceituar e materializar mais rapidamente uma ideia, transformando-a em uma solução funcional, apta a ser implementada em curto espaço de tempo, acelerando deste modo a entrega de produtos e serviços ao mercado.

“As startups trabalham com um modelo de realização de projetos muito baseado em Design Sprint, que é o suprassumo das metodologias ágeis. Elas desenvolvem rápido, prototipam rápido, erram rápido e corrigem rápido. Criamos dinâmicas semelhantes aqui na Oxigênio, observando e mimetizando as startups”, informa Mauricio Martinez, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento e Digital da Porto Seguro.

Foi nessa direção que a seguradora concebeu o programa OxiLab. Por ele, a área de negócios, com base em uma percepção de oportunidade, pode apresentar um problema sem nenhuma solução, escopo ou briefing prévios. Com o apoio de consultorias e de talentos internos, em cima do Design Sprint, em cerca de quatro semanas é possível produzir um protótipo.

“Essa competência permite ganhar tempo e desonerar a área de tecnologia da informação. Depois do protótipo montado, fica bem mais fácil ter o escopo. Com a interface já desenvolvida, são feitas as mexidas necessárias no sistema”, descreve o entrevistado.

Desta forma, rememora ele, foi superada uma situação corriqueira em que o pessoal de negócios não conseguia ser atendido imediatamente pela área de TI porque não sabia exatamente o que queria. “Esse tipo de hiato foi superado com o OxiLab”, reafirma ele.

Mudanças culturais na organização

A maior celeridade no processo de desenvolvimento reflete, no fundo, uma mudança cultural mais auspiciosa que vem atingindo o conjunto da organização. Isso ocorre na medida em que aumenta cada vez mais o envolvimento dos colaboradores da Porto com o ecossistema.

Os contatos mais estreitos foram favorecidos até pela maior proximidade geográfica e pelas dimensões atuais do hub. No início, ele ocupava um espaço de mil metros quadrados e se localizava a cerca de dois quarteirões da matriz. Hoje, cobre uma área de 2.200 metros quadrados e situa-se bem em frente à sede da Porto.

Além de permitir ao staff do Grupo trazer ideias novas e colocá-las mais rapidamente em prática, a Oxigênio oferece um ambiente mais descolado e propício à inovação. Ali foram instalados equipamentos como mesa de pingue-pongue, fliperama e cabines de cochilo, fugindo completamente ao perfil dos locais de trabalho tradicionais. Até porque os frequentadores não são funcionários da seguradora, mas das startups residentes.

“A Oxigênio é uma área de transição que aponta para uma nova cultura. É como se fôssemos um laboratório das coisas que estão por vir, o que está sendo muito bem recebido pelos colaboradores da Porto”, salienta Mauricio Martinez.

No entanto, pondera ele, esta não pode ser uma mudança abrupta: “Somos ainda um híbrido, misturando programas dos funcionários com os programas dos empreendedores. São personas diferentes, mas que se influenciam de modo muito positivo”.

 

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