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Banco next: uma Fintech criada pelo Bradesco

Banco next: uma Fintech criada pelo Bradesco Fotos: Egberto Nogueira/Imã Foto galeria e José Amaral

Além de ser uma empreitada de perfil técnico inovador, a construção do banco digital next desencadeou uma efetiva mudança cultural no seio da organização Bradesco, ao abraçar modelos e processos ágeis de trabalho, típicos de startups.

A construção do banco digital next deflagrou uma grande disrupção no Bradesco. E isso ocorreu pela confluência de uma série de fatores, que vão da concepção e objetivo iniciais do projeto, até a forma de execução, o emprego de metodologias ágeis e a reunião de distintas expertises. No bojo do processo, destacou-se sobretudo a mudança cultural introduzida no coração mesmo da organização, sob inspiração direta do modo de trabalhar típico das startups.

Não à toa, o next é conceitualmente posicionado como “um banco dentro do banco” ou ainda como uma “Fintech dentro do Bradesco”, o que dá mostras do arrojo da iniciativa, assinalando um passo decisivo da instituição, uma das maiores do mercado financeiro do País, rumo à transformação digital.

“Desde o começo, nossa visão era de que o next tinha de se comportar como uma Fintech dentro da organização, em termos de celeridade e de modelos ágeis de trabalho”, situa Jeferson Ricardo Garcia Honorato, superintendente executivo do banco digital, que conversou com Executivos Financeiros. (Mais detalhes desta entrevista podem ser acompanhados na primeira matéria a respeito, publicada neste portal, intitulada “Banco digital next amplia rapidamente a base de clientes”.)

Tecnicamente falando, o next foi erigido com algoritmos de inteligência, tendo sido estruturada uma plataforma própria para atender o público alvo, a geração millennial, também conhecida como geração Y. Em cima de um core digital, foram desenvolvidos aplicativos com numerosas interfaces, dando suporte a uma grande diversidade de serviços (no quadro abaixo, está a descrição das principais funcionalidades disponíveis).

De seu lado, as metodologias ágeis, prossegue o entrevistado, possibilitaram que tarefas complexas como essas, entre várias outras, fossem realizadas em 18 meses. Para se ter uma noção comparativa, se tivessem sido empregados métodos tradicionais o tempo transcorrido normalmente teria sido de cinco anos, o que impossibilitaria a redução drástica do time-to-market que a iniciativa requeria.

O mix de expertises e de know-hows teve papel preponderante na consistência e na velocidade do empreendimento. Primeiramente, cientistas sociais, antropólogos e psicólogos ajudaram a levantar o perfil, as expectativas os hábitos da geração Y a ser atendida (ver a matéria anterior publicada neste portal).

“Além disso, dentro do mesmo ambiente, integramos várias competências para acelerar o projeto como um todo, com representantes das áreas de TI, de negócios, de segurança e compliance e de auditoria. Isso ajudou muito o processo de decisão ágil”, descreve Honorato.

Para apoiar a iniciativa, contou-se também com cinco startups abrigadas no inovaBra, hub criado pelo Bradesco para fomentar e acelerar a inovação na organização. “A relação do next com o inovaBra Habitat foi riquíssima. Nós temos usado muito esta infraestrutura para lançar desafios para estas startups no sentido de desenharem soluções para nós”, afirma o entrevistado.

Deste modo, a Sensedia desenvolveu as APIs e a Semantix cuidou de boa parte dos algoritmos. Na oferta de benefícios aos clientes, a Cuponeria e a Lady Driver trouxeram um grande número de parceiros. Por fim, a 2CX forneceu o contact center digital que interage com os correntistas.

Fornecedores com experiência global

Adicionalmente, três fornecedores globais que trabalharam com bancos digitais em outros países também foram arregimentados. Foram eles: 1) BCG (Boston Consulting Group) – ajudou na estruturação do modelo de negócios; 2) R/GA – encarregou-se do Web design, do desenho da marca e do apoio à jornada dos clientes como um todo; 3) Capco – contribuiu no desenvolvimento técnico do core digital no qual o next está implantado.

Com estes predicados, houve um expressivo ganho de sinergias no conjunto da organização, pois o next acabou contribuindo para o processo de aceleração digital do Bradesco, e vice-versa. “Muita coisa concebida especificamente para o atendimento dos millennials foi aplicada no Bradesco também”, salienta o superintendente.

Um exemplo deste benefício é abertura de contas 100% digital, desenhada para o next inicialmente e depois incorporada ao banco, sem que fosse necessário nenhum esforço de reconstrução. Em contrapartida, a BIA (Bradesco Inteligência Artificial), arquitetada para apoiar os canais de atendimento da instituição, passou a ser usada também pelo next.

A estratégia de implementação, ressalva o entrevistado, foi traçada levando em conta a demanda de proteção dos dados dos correntistas: “A salvaguarda das informações financeiras e cadastrais dos usuários é primordial. Tudo o que fizemos no next – e esta é uma das vantagens de estar dentro de uma grande instituição – foi seguir a vasta experiência de compliance que nós temos dentro do próprio banco”.

De saída, as informações ficam armazenadas no ambiente interno e não em nuvem pública. Além do mais, complementa o superintendente, foram colocadas mais de sete camadas de segurança para garantir a integridade do tráfego dos dados dos clientes.

“Quem gerencia a proteção do next é a área de segurança da organização Bradesco. Qualquer jornada que construímos é pensada para preservar a confidencialidade. Não fazemos nada que coloque em risco os dados”, enfatiza.

Exigência dos clientes

Na verdade, o próprio público alvo é bastante exigente em relação a este quesito, fato atestado pelas pesquisas realizadas para balizar a operação do next, que foram conduzidas pelos especialistas contratados.

“A confiabilidade é fundamental na imagem do banco. Quando se fala em aplicações, os jovens estão muito conscientes da importância do sigilo da informação. Estão abertos a experimentações com plataformas financeiras, mas, na hora de guardar o dinheiro, a integridade e a história da marca são muito importantes em suas decisões”, pondera o executivo.

Retomando o tema da cultura para se chegar a um balanço final, o consenso estabelecido é de que o next contribuiu para difundir internamente no Bradesco as práticas mais disruptivas das Fintechs. Esta virada reflete-se até no clima mais descontraído e no comportamento mais informal assumido pelos colaboradores.

“Outras áreas do banco foram envolvidas no projeto e, naturalmente, este modelo e esta cultura de startups foram sendo disseminados, com o surgimento de uma galera mais descolada. Isso não foi imposto, mas foi construído pelas próprias pessoas”, nota Honorato.

Na Cidade de Deus, sede do Bradesco, a maioria dos ambientes já está mais alinhada com este novo modo de trabalhar: “Não é uma exclusividade do next. Isso está permeando a organização como um todo”, ressalta o superintendente. Até porque mais de 50% do quadro de funcionários é composto por millennials, o que propicia maior receptividade às mudanças.

Tido como conservador, o mundo tradicional das finanças, definitivamente, está abrindo passagem para a disrupção não só no plano tecnológico, mas também na esfera dos hábitos, dos costumes e dos comportamentos cotidianos. O case do next parece sugerir que se trata de um caminho sem volta.

 Jeferson Ricardo Garcia Honorato, superintendente executivo do next

OS RECURSOS OFERTADOS PELA PLATAFORMA

Mirando o público jovem hiperconectado, o next, na definição do Bradesco, foi desenvolvido para ofertar jornadas rumo à conquista de objetivos, gerenciamento financeiro, praticidade, soluções inteligentes e liberdade para se tomar decisões quando e como os clientes quiserem. O next também é posicionado como um grande hub de conexão com outras plataformas digitais que agregam valor e fazem parte do cotidiano dos millennials.

A linguagem, o branding e o design foram, conforme o banco, detalhadamente pensados para oferecer uma solução integrada aos propósitos e às jornadas dos usuários. Entre os recursos e facilidades oferecidos encontram-se os seguintes:

o Uso do app sem deduzir a franquia de dados móveis do celular (3G grátis);

o Adesão 100% digital: abertura de conta corrente, poupança, cartão de crédito/débito e limites de crédito;

o Transações cotidianas: pagamentos, transferências, DOC/TED, consultas, entre outras;

o Cartão de débito/crédito em três modalidades, incluindo o Programa de Pontos Livelo;

o Saques ilimitados nos mais de 35 mil caixas eletrônicos do Bradesco e nos 30 mil da Rede Banco24Horas;

o Gerentes consultores disponíveis 24x7 por meio do chat e redes sociais;

o Flow - Recurso para ajudar a planejar o orçamento do cliente, separando os gastos por categoria e mostrando como está sua saúde financeira. Utiliza algoritmos para categorizar automaticamente as transações;

o Vaquinha - Funcionalidade que arrecada dinheiro para um determinado evento, que pode ser uma festa, uma viagem ou a compra de um presente;

o Objetivos - O cliente define uma meta, guarda todo mês um valor e, para que ela seja atingida mais rapidamente, o montante é aplicado num fundo de investimentos;         

o Mimos - Consistem basicamente em descontos e vantagens na utilização de serviços de empresas parceiras, como iFood, Uber, Lady Driver, Cuponeria, McDonald’s, Natura, Cinemark, Hotel Urbano, Livraria Cultura. Até o momento, foram arrolados cerca de 70 parceiros com mais de 80 ofertas.

 

STARTUPS DO INOVABRA QUE ATUARAM NO PROJETO DO NEXT

Startup

Atuação no Next

Sensidia

Desenvolvimento das APIs

Semantix

Desenvolvimento de algoritmos

Lady Driver

Benefícios nos mimos

Cuponeria

Benefícios nos mimos

2CX

Call center digital

 

 

 

 

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